A crise do BRB chegou a um ponto em que não há mais espaço para indefinição. O banco enfrenta o maior escândalo financeiro recente do país, prazos regulatórios vencendo, rebaixamentos sucessivos de classificação de risco e uma operação de capitalização que precisa avançar dentro dos procedimentos legais existentes. Diante desse quadro, o Sindicato tem sustentado, há semanas, uma posição direta. O Governo do Distrito Federal, na condição de acionista controlador do BRB, ainda não cumpriu o que lhe compete para que qualquer apoio institucional efetivamente avance. E é hora de dizer isso com todas as letras.
Essa cobrança não tem sido feita apenas em nota. Tem sido feita em atos, em mesa de negociação e em interlocução continuada com a cúpula do Executivo distrital. Em 13 de maio, centenas de empregados e empregadas do BRB ocuparam a Praça do Buriti em mobilização organizada pelo Sindicato, com cobertura ampla da imprensa local e nacional. Na mesma data, logo após o ato, dirigentes sindicais foram recebidos pela Chefia de Gabinete da governadora, pela Chefia da Casa Civil e pela assessoria jurídica do governo.
Em 19 de maio, nova reunião no Palácio do Buriti, agora com a Chefia da Casa Civil, a Secretaria Executiva de Gestão Administrativa da Secretaria de Economia e a assessoria jurídica do governo. E há, agendada para 26 de maio, uma terceira reunião, em que o Sindicato cobrará informação objetiva sobre o que foi efetivamente feito, pelo controlador, junto às instâncias federais competentes.
O Sindicato chegou à sua avaliação não por leitura ideológica, mas por exame dos documentos. O Ofício 80/2026-GAG/GAB, enviado pelo GDF ao Ministro da Fazenda em abril, não constitui pedido formal de garantia da União, embora venha sendo publicamente apresentado como se fosse. Não foi protocolado pelos sistemas técnicos exigidos pelo Tesouro Nacional, não vem acompanhado dos pareceres jurídicos e econômicos que a legislação exige e oferece como contragarantia uma estrutura que não se sustenta diante da capacidade fiscal do Distrito Federal, hoje classificada na pior faixa possível. Em termos práticos, o controlador anunciou ao público um pedido que, do ponto de vista formal, ainda não foi feito.
Essa lacuna não passou despercebida pelo governo federal. Em entrevista ao Roda Viva, em 5 de maio, o ministro da Fazenda Dario Durigan tratou expressamente da situação do BRB e foi direto: o pleito do GDF tende a não avançar enquanto não chegar em forma adequada, e o problema do banco é problema do controlador. Essa fala vem sendo lida, em parte do debate público, como recusa do governo federal em socorrer o BRB. Não é. É resposta técnica a um pleito que ainda não cumpriu o rito. A diferença entre as duas leituras é grande, e o Sindicato faz questão de explicitá-la, porque ela define para onde a pressão precisa, neste momento, ser dirigida.
Tem se consolidado, em parte da categoria, a percepção de que o impasse decorreria de omissão do governo federal. O Sindicato discorda dessa leitura, e o faz com base nos fatos disponíveis. A União não pode aprovar o que não foi formalmente apresentado. A Secretaria do Tesouro Nacional não pode emitir parecer sobre um documento que não está em seus sistemas. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional não pode analisar contragarantia juridicamente inviável. Cada uma dessas etapas é responsabilidade do controlador, e cada uma delas continua pendente. Enquanto seguir pendente, qualquer cobrança endereçada simultaneamente ao GDF e à União terá o efeito prático de diluir a responsabilidade do controlador e de fornecer ao próprio GDF o argumento de que está fazendo tudo o que está ao seu alcance, quando o essencial sequer foi protocolado.
Vale lembrar que essa leitura não é restrita ao movimento sindical. No ato do dia 13 de maio, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), ex-presidenta do Sindicato, cobrou expressamente seriedade do Governo do Distrito Federal e afirmou que foi o próprio GDF que provocou a situação em que o banco hoje se encontra. A cobrança ao controlador, portanto, não é posição de oposição política ao Buriti, é constatação institucional compartilhada por quem efetivamente conhece o caso, da base sindical à representação parlamentar.
O Sindicato sustenta, portanto, que a defesa eficaz do BRB neste momento exige clareza sobre a sequência. Primeiro o controlador cumpre o que precisa cumprir, depois a cobrança ao governo federal ganha objeto sobre o que decidir. Não se trata de poupar a União; trata-se de garantir que, quando o pleito do GDF for adequadamente apresentado, ele encontre o governo federal em condições de responder. E se trata também de não permitir que o tempo da categoria, da imprensa e da sociedade brasiliense seja consumido em endereçamentos equivocados, enquanto o relógio regulatório do banco corre contra os empregos de milhares de trabalhadores.
A cobrança ao governo federal segue na pauta sindical e não será descartada. A cobrança ao Banco Central, que tem competência regulatória sobre o caso, também. A cobrança às autoridades responsáveis pela apuração e responsabilização dos envolvidos no esquema do Banco Master, igualmente. Mas a porta de entrada de tudo isso é a entrega, pelo GDF, daquilo que só o GDF pode entregar. E essa porta de entrada, até este momento, não foi aberta.
A categoria bancária tem demonstrado disposição para se mobilizar em defesa da instituição. Essa mobilização precisa ser, e seguirá sendo conduzida com objetividade, dirigida ao endereço correto, fundada nos documentos e calibrada para sustentar pressão prolongada, e não se esgotar em demonstrações pontuais. O BRB é vítima de um esquema criminoso, e suas trabalhadoras e seus trabalhadores não podem se tornar vítimas, também, da omissão técnica do controlador. A defesa do banco público exige, neste momento, menos retórica pública e mais cumprimento das obrigações que cabem a cada esfera de governo. O Sindicato seguirá cobrando onde for preciso, do tamanho que for preciso, até que essas obrigações sejam efetivamente cumpridas.
Sou + BRB. Sempre BRB.
Da Redação
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