Banco do Brasil

17 de Junho de 2026 às 16:58

Defesa do Banco do Brasil público marca abertura do 36º CNFBB

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O 36º Congresso Nacional dos Funcionários e das Funcionárias do Banco do Brasil (CNFBB) foi aberto nesta quarta-feira (17) com a leitura do manifesto "Tolerância zero para casos de violência e assédio", realizada pela coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Fernanda Lopes.

"A Contraf-CUT, federações e sindicatos presentes afirmam que todas as pessoas têm o direito de serem tratadas de forma digna, respeitosa e justa, a viver uma vida livre de violência e assédio, sem distinção de idade, gênero, sexo, orientação e identidade sexual, deficiência, religião ou origem étnica", destacou a dirigente durante a leitura.

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Em seguida, Bianca Garbelini, delegada e representante do Contraf-CUT, ressaltou que, apesar de simbólico, o ato de leitura do manifesto representa o esforço diário da classe trabalhadora para transformar todos os espaços sociais em ambientes livres de qualquer tipo de violência.

Betânia Emerick, dirigente do Espírito Santo, complementou que a leitura do manifesto faz parte do comprometimento das entidades sindicais com a construção de um mundo melhor para todos e todas.

Os delegados e as delegadas realizaram a votação do regimento interno do 36º CNFBB, que obteve aprovação de 98,92%.

Os problemas do sistema financeiro

A primeira mesa de debates do 36º CNFBB, “Conjuntura e papel do BB como banco público”, foi coordenada pelo presidente da Federação Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Britto, e contou com a participação do economista e ex-técnico do Dieese Jorge Gouvêia como palestrante.

Gouvêia fez uma ampla análise sobre as instituições responsáveis pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a necessidade de discutir um novo modelo regulatório para um SFN a serviço do desenvolvimento econômico que favoreça toda a sociedade.

“Quando foi criado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) contava com representantes de vários setores da sociedade. Mas isso foi até 1994. A Lei 9.069, que instituiu o Plano Real, redefiniu a composição do órgão, que passou a incluir somente o ministro da Fazenda, que exerce a presidência, o ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central”, destacou o palestrante.

"Esse 'insulamento burocrático', que faz com que o CMN seja operado sem a participação ou controle social e com reduzido controle legislativo, permite que o sistema financeiro no Brasil permaneça oligopolizado, disfuncional e excludente, falhando em promover o desenvolvimento equilibrado do país ou servir aos interesses da coletividade, conforme previsto na Constituição", pontuou.

Gouvêia também apontou que o Banco Central acumula funções que podem gerar conflitos de interesse na regulação e fiscalização, na gestão da moeda — controle da inflação e das taxas de juros — e na gestão do câmbio.

"O Brasil foi um dos últimos grandes países a instituir um Banco Central que, assim como o CMN, é um instrumento que atua na regulamentação do sistema financeiro", explicou. "Mas a autonomia concedida ao Banco Central do Brasil traz sérios riscos à gestão fiscal do país e permite a manutenção de um sistema financeiro oligopolizado e disfuncional, que não atende plenamente aos interesses da coletividade. Como podemos, por exemplo, pensar na industrialização do Brasil com uma taxa básica de juros de 15% ao ano? Além de impedir o desempenho do setor produtivo, a manutenção da Selic elevada é um bônus para os rentistas", criticou o pesquisador.

O Banco do Brasil e seu papel como banco público

Gouvêia identificou que, como sociedade de economia mista, o Banco do Brasil sofre uma tensão entre sua função social como empresa estatal e a busca pela geração de valor para os acionistas.

"Como sociedade de economia mista, o BB deve cumprir sua função social, atendendo ao interesse coletivo e servindo como instrumento da política creditícia do governo federal. Mas, até 2016, legalmente, sua função estava focada em promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social e produtiva. A partir daquele ano, o Banco do Brasil passou a se definir como um 'Banco de Mercado com Espírito Público', priorizando a rentabilidade, a experiência do cliente e a transformação digital. E foi essa mudança estratégica que resultou na perda de mercado para bancos privados, como o Itaú, em 2018, devido à exclusão de segmentos considerados menos rentáveis", completou.

As consequências dessa mudança, destacou o economista, foram um banco que passou a atender cada vez mais aos interesses dos acionistas e menos aos interesses da população. Em 2025, o banco apresentou distribuição de lucros entre 40% e 45%, bem acima do mínimo obrigatório de 25%. Paralelamente a isso, houve redução na participação dos créditos voltados para micro e pequenas empresas e para a agricultura familiar (Pronaf).

"Em dez anos, de junho de 2016 a março de 2026, a rede de agências no Brasil sofreu um corte significativo, passando de 5.428 para 3.942", destacou Gouvêia.

O economista também ressaltou que, no mesmo período, houve redução de 24.996 postos de trabalho (-22,8%). "O número de clientes por funcionário subiu 83,7%, e o número de clientes por agência quase dobrou, com aumento de 95,3%. Houve uma elitização da clientela, focada em clientes com alta maturidade digital, transferindo os custos do serviço para o autoatendimento remoto", ponderou.

O palestrante relembrou que, na crise financeira de 2008, o BB exerceu com sucesso sua função pública, aumentando sua participação no mercado para compensar a retração de outras instituições e ampliando a oferta de crédito. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2010, a participação do BB na oferta de crédito no país subiu de 5,2% para 8,9% do PIB.

Em 2012, o BB também se destacou por liderar a redução das taxas de juros por meio do programa "Bom para Todos". "Para reverter a trajetória recente e fazer com que o BB volte a reforçar seu papel social, é necessário que o Estado volte a atuar como controlador ativo, assegurando que o interesse público prevaleça. Também é necessária a revisão das metas de rentabilidade, para que o potencial de oferta de crédito não seja subutilizado em nome de retornos livres de risco. Por último, é preciso resgatar o mandato de instituição financeira pública para enfrentar os novos desafios econômicos e sociais", concluiu o economista.

Ao final da mesa, Rodrigo Britto agradeceu a Jorge Gouvêia pelos dados apresentados às delegadas e aos delegados, representantes dos trabalhadores do BB de todo o país. “Não adianta sentar em uma mesa de negociação sem saber disso tudo, sem conhecer essa história. É necessário debater esses dados. Sem isso, todos os nossos esforços de negociação e organização das bases não serão eficientes”, pontuou.

Da Redação com Contraf-CUT

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