Em razão de reportagem publicada pelo jornal Correio Braziliense na última segunda-feira 8 acerca de planos de saúde operados por instituições de autogestão, a Unidas enviou a seguinte nota para o jornal:
Ao avaliar o cenário de saúde no Brasil, pode-se afirmar que, atualmente, o segmento mais seguro do sistema de saúde suplementar, e que presta a assistência de melhor qualidade, é a autogestão. Por dois pontos fundamentais: a gestão conta com a participação efetiva dos beneficiários e a consolidação dessas operadoras, que existem desde 1942. Cabe ressaltar que, nesses 70 anos, todas as questões pontuais que surgiram foram resolvidas com os patrocinadores. E, nos casos apontados pela reportagem, não é diferente.
Ao longo de todo este tempo, dentre muitos avanços e conquistas obtidas, destaca-se o fato de que foram as autogestões as primeiras a trabalhar e identificar as necessidades de saúde de suas populações, desenvolvendo programas de saúde preventiva e outras ações que serviram de base para a criação das normas regulamentadoras editadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Cabe pontuar, ainda, que especialistas do setor já analisaram esse cenário e acreditam que a modalidade deve ser incentivada. Na avaliação deles, o modal é o mais seguro. Em janeiro deste ano, por exemplo, Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, mestre em Medicina e em Economia da Saúde pela UNIFESP e diretor de Responsabilidade Social da FIESP, afirmou, em artigo, que “é cada vez mais imperativo que as empresas passem, cada vez mais, a inserir a saúde como um elemento estratégico em suas organizações. Neste cenário, as autogestões em saúde assumem um papel privilegiado, pois se constituem em terreno fértil para a integração estratégica entre as suas patrocinadoras e as ações assistenciais e potencialmente podem incluir suas áreas de saúde ocupacional, promoção da saúde e qualidade de vida”.
Ainda que o jornal tenha citado, em reportagem publicada hoje (8), cinco operadoras de autogestão com problemas, cabe ressaltar que, dentro do universo do segmento, que engloba 248 operadoras, esse número é baixo e menor do que a proporção encontrada em outros segmentos do setor.
É necessário informar que o aumento de custos com hospitais, médicos, dentistas e laboratórios dispararam no ano passado no setor de saúde suplementar. O mercado, como um todo, teve prejuízos ou redução nos lucros. Não se trata, portanto, de uma situação exclusiva das operadoras de autogestão.
O déficit de R$ 107,6 milhões nas contas de 2012 de uma das empresas citadas na matéria está relacionado ao crescente aumento dos gastos assistenciais citados acima. O impacto, ainda que maior nas autogestões, por possuírem cobertura ampla, abrangência nacional e limitações regulatórias da ANS para o incremento das suas receitas, acontece também nas empresas privadas.
Em contraposição ao déficit mencionado, uma das empresas citadas na reportagem possui reservas técnicas três vezes e meio superior ao exigido pela ANS como garantia mínima para honrar seus compromissos financeiros. Está longe de chegar à dramática situação de falta de dinheiro (como afirmado na matéria) e, portanto, de possível intervenção.
Em estudo recente realizado com nove operadoras de saúde (que, juntas, possuem cerca de 50% de todos os beneficiários do setor), referente a 2012, divulgado, inclusive, na imprensa, apenas uma teve um incremento percentual em seu resultado positivo. Três apresentaram prejuízos e as demais tiveram reduções em seus resultados de até 78%. Mesmo aquelas que dominam a oferta de planos-empresa, aqueles nos quais o risco é compartilhado dentre compradores e operadoras, amargaram um crescimento de mais de 18% de suas despesas e um resultado líquido de mais de R$ 160 milhões de prejuízo.
Além disso, os prejuízos relatados pelo Correio Braziliense, quando contextualizados, mostram que a situação macroeconômica do setor de autogestão é de equilíbrio. Afinal, fala-se de prejuízos de R$ 145 milhões em um mercado com receita anual superior a R$ 9 bilhões.
Em relação aos reajustes, é preciso enfatizar que, nas autogestões eles só são realizados depois de previamente aprovados pelo corpo social, pois são feitos de acordo com seus estatutos, já que a gestão é compartilhada, diferente do que informa a reportagem.
Falando sobre o índice de despesa administrativa abordado pelo jornal, a UNIDAS esclarece que o número das autogestões está abaixo da média de mercado, que varia entre 14 e 15%. Nas autogestões, esse número é de 10%. O percentual é menor porque as autogestões não investem em marketing, publicidade e corretores intermediários. Isso mostra a eficiência da gestão, como é o caso de uma das operadoras citadas.
Para finalizar, frisamos que induzir o resultado das contas a possíveis usos políticos e desvios é uma atitude precipitada, com a qual não concordamos.
Atenciosamente,
UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde
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