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11 de Abril de 2012 às 15:39

Sindicato repudia demissões na BV Financeira e questiona reestruturação

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Preocupado com a profunda reestruturação no Banco Votorantim, o Sindicato repudia a demissão de dez financiários em Brasília ocasionadas pelo processo.

No dia 9, o Valor Econômico deu destaque para o processo. Os dados revelam que uma reviravolta é necessária no banco, mas o modelo desenhado reforça a gestão privada, distanciando-se do perfil de banco público.

Segundo o Valor Econômico "enquanto a reforma não estiver pronta, o Votorantim não vai voltar a crescer. Por isso, se a instituição ficará menor em termos de negócio, também terá uma estrutura menor. Nos próximos meses, o banco deve passar por um significativo corte de pessoal".

Departamentos como jurídico, de recursos humanos e de governança, que antes tinham estruturas duplicadas para o banco e para a financeira BV, estão sendo unificados. "O corte de custos vai nos capacitar a crescer", afirmou João Roberto Gonçalves Teixeira, presidente da instituição.

Contrário ao modelo de reestruturação, o Sindicato é contra as demissões dos trabalhadores. “Por ser um banco público e incentivador do desenvolvimento econômico e social do país, o BB, que entrou no capital da instituição financeira há três anos, deveria oferecer treinamento e capacitação aos funcionários do Banco Votorantim. Discordamos totalmente dessa postura equivocada”, critica a diretora do Sindicato Talita Régia.

Correspondente bancário

Conforme o jornal, "o Votorantim voltará às origens, concentrando esforços no crédito para usados. O trabalho de gerar operações para o BB em concessionárias continuará, mas com uma nova roupagem. O Votorantim será uma espécie de correspondente bancário do banco estatal. Será remunerado por operação gerada nas concessionárias, sem ter de manter os financiamentos em balanço e usar seu custo de captação mais elevado".

Foram R$ 14,5 bilhões comprados em carteiras do Votorantim pelo BB. A aquisição do banco do grupo industrial permitiu à instituição estatal pular do terceiro para o segundo lugar no ranking de crédito de varejo, superando o Bradesco em mais de R$ 20 bilhões atualmente e ficando atrás apenas do Itaú Unibanco.

O Valor apurou que os salários dos executivos do alto escalão, por exemplo, giravam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, mas os bônus superavam os milhões. Kuzuhara (ex-presidente) ganhou R$ 13 milhões num só ano. Os vice-presidentes ganharam um pouco menos, R$ 11 milhões. Mesmo em 2011, quando o BV teve prejuízo, os bônus individuais iriam alcançar R$ 4 milhões. Iriam. O Banco do Brasil proibiu a distribuição, dado o péssimo resultado do banco.

Em 2010, como comparação, a média paga pelo Bradesco aos diretores foi de R$ 3,7 milhões por executivo; no Itaú, R$ 8,1 milhões (R$ 5,2 milhões em bônus); e no Santander, R$ 4,7 milhões (R$ 2,8 milhões em bônus). Seguindo o que acontece nas empresas estatais, o Banco do Brasil tem uma remuneração mais baixa, de R$ 717 mil (R$ 246 mil em bônus).

Essa política de remuneração estimulava o banco a gerar gigantescas carteiras de crédito, que em seguida eram revendidas com lucro. Até o ano passado, as regras contábeis permitiam que o resultado com a venda de uma carteira fosse registrado no ato da transação. O problema é que, de acordo com os contratos, o prejuízo gerado por essas carteiras em caso de inadimplência precisa ser coberto pelo próprio Votorantim.

Segundo o jornal, o banco também promovia festas anuais regadas a sorteios milionários aos seus correspondentes bancários.

"Carros de luxo, como BMWs e Hondas CRV, também eram distribuídos aos melhores vendedores. Embora a distribuição de prêmios seja praxe entre as financeiras, no caso da BV os mimos eram mais extravagantes. O Valor conversou com dois correspondentes que consideravam o Votorantim a instituição com os melhores incentivos do mercado", revela o jornal.

Negociação

O Sindicato cobra uma negociação para discutir a reestruturação do Banco Votorantim. “Queremos entender a reestruturação para proteger os direitos dos trabalhadores diante desse processo de ajuste”, acrescenta o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, que também é diretor da CUT-DF.

CPI

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deve ser proposta no Congresso Nacional para investigar as suspeita de desvios no Banco Votorantim. Em 2008, quando passou a dividir seu controle com a família Ermírio de Morais, o Banco do Brasil avaliou o BV em R$ 8 bilhões. Hoje, a avaliação feita pelo próprio BB está entre R$ 5 e R$ 6 bilhões, nestes tempos em que os bancos registram lucros siderais. Mas a família quer uma avaliação de R$ 15 bilhões. As informações são do jornalista Claudio Humberto.

Em 2008, o banco controlado pelo governo desembolsou R$ 4,2 bilhões e ficará com 49,99% do capital votante e 50% do capital social total. Desse valor, R$ 3 bilhões foram empregados na compra de ações ordinárias do Votorantim e R$ 1,2 bilhão em ações preferenciais. Apesar das suspeitas que permeiam seu relacionamento com o BV, o BB ainda quer comprar as ações da família Ermírio de Morais.

Da Redação, com informações do Valor Econômico

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