“Nós estamos muito próximos de conquistar [o fim da 6x1] porque existe uma vontade popular muito grande e uma pressão muito forte sobre o Congresso Nacional”.
A declaração do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, deu o tom do Seminário Estadual da Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, realizado nesta quinta-feira (14), no Palácio do Trabalhador, em São Paulo.
Promovido pelo programa “Câmara pelo Brasil”, o encontro debateu os impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. A atividade reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais, parlamentares, ministros e representantes de movimentos sociais.
Embora não tenha participado da mesa principal do debate, Sérgio Nobre reforçou a mobilização das centrais sindicais pela aprovação da proposta e convocou trabalhadores a pressionarem os parlamentares.
“Quero aproveitar para pedir para as pessoas enviarem mensagem para o seu deputado federal e seu senador, cobrando uma posição em defesa do fim da escala 6 por 1 e da redução da jornada”, afirmou.
As centrais sindicais pretendem intensificar a pressão em Brasília nos dias 26 e 27 de maio, período previsto para votação da proposta na comissão especial e no plenário da Câmara.
CUT rejeita redução gradual da jornada
Representando a CUT São Paulo, o presidente da entidade, Raimundo Suzart, criticou propostas de implementação gradual da redução da jornada e cobrou rapidez na tramitação da PEC no Congresso Nacional.
“Nós não queremos a redução da jornada escalonada e também não queremos um prazo extremamente esticado para que seja implementada a redução da jornada para 40 horas. Queremos a redução da jornada para já”, afirmou.
Segundo Raimundo, a medida deveria entrar em vigor em até 45 dias após a aprovação da proposta.
Para as centrais sindicais, o fim da escala 6x1 representa um avanço nas condições de vida da classe trabalhadora, especialmente em setores marcados por jornadas exaustivas e longos deslocamentos diários.
Raimundo afirmou que a atual escala limita o acesso ao descanso, ao lazer e até à qualificação profissional.
“Como um trabalhador vai se qualificar trabalhando numa escala 6x1 com transporte público que gasta quase 4 horas para ir e voltar do trabalho? Não sobra tempo”, disse.
Mulheres são as mais afetadas
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que as mulheres estão entre as mais prejudicadas pelas jornadas exaustivas de trabalho. Segundo ela, além do emprego formal, muitas trabalhadoras enfrentam uma “terceira jornada” ao chegarem em casa.
“Sobre a mulher recai a maior perda, porque além do trabalho formal, ela ainda enfrenta uma terceira jornada dentro de casa”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, a ministra defendeu igualdade salarial e ambientes onde as mulheres possam “soltar a voz sem medo”.
Ministro rebate discurso patronal
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou argumentos de setores empresariais contrários à redução da jornada e ao fim da escala 6x1. Segundo ele, ainda existe uma tentativa de associar a proposta ao aumento do desemprego e da informalidade.
“Há ainda o tempo das trevas que vem com argumentos totalmente desqualificados, tentando dizer ao trabalhador que isso pode gerar desemprego e informalidade”, afirmou.
Marinho também defendeu que jornadas menos exaustivas melhoram a produtividade e reduzem o adoecimento dos trabalhadores.
“Quando você cria um ambiente mais acolhedor, as pessoas produzem mais, dão mais qualidade ao trabalho e as empresas conseguem reduzir faltas e melhorar a produtividade”, disse.
Próximos passos
A mobilização deve continuar nas próximas semanas em diferentes estados, incluindo Rio Grande do Sul e Maranhão.
Fonte: CUT
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