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15 de Maio de 2026 às 09:29

CUT lança campanha permanente de combate ao feminicídio e reforça papel do movimento sindical na defesa da vida das mulheres

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A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou, nesta quarta-feira (13), em São Paulo, a campanha permanente de combate ao feminicídio “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”. O Sindicato participou da atividade, representado pela secretária de Mulheres, Zezé Furtado.

O encontro reuniu mais de 300 pessoas, entre participantes presenciais e online, e contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da secretária de Mulheres da CUT Nacional, Amanda Corsino, da vice-presidenta da CUT Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, do presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, além de dirigentes sindicais de diferentes categorias.

A campanha nasce com o objetivo de transformar o enfrentamento à violência contra as mulheres em uma agenda permanente do movimento sindical, articulando prevenção, acolhimento, denúncia, negociação coletiva e mobilização nos locais de trabalho. A iniciativa parte da compreensão de que o feminicídio é o ato extremo de um ciclo de violências que, muitas vezes, já dava sinais anteriores e exige resposta organizada da sociedade.

A presença da ministra Márcia Lopes reforçou a importância da articulação entre governo, movimento sindical e sociedade civil. Em sua fala, ela relacionou a campanha da CUT ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal, e destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige ações integradas.

Segundo a ministra, os três eixos centrais do pacto são o fortalecimento da rede de proteção e atenção às mulheres, a responsabilização dos agressores e das instituições, e a mudança de cultura.

Márcia Lopes também destacou que a atuação sindical pode levar o debate para dentro dos ambientes de trabalho, ampliando a capacidade de prevenção e acolhimento. Para ela, a classe trabalhadora tem papel decisivo na construção de uma cultura de enfrentamento à violência, sobretudo quando assume a tarefa de transformar esse debate em ação concreta nos territórios, nas categorias e nas relações de trabalho.

Para Zezé Furtado, secretária de Mulheres do Sindicato, a campanha fortalece uma pauta permanente da entidade e reafirma que a violência contra as mulheres também precisa ser enfrentada no mundo do trabalho.

“A violência contra as mulheres não fica fora do ambiente de trabalho. Ela atravessa a vida das trabalhadoras, impacta sua saúde, sua autonomia e sua segurança. Por isso, o Sindicato se soma a essa campanha permanente com o compromisso de ampliar o acolhimento, fortalecer a prevenção e cobrar dos bancos responsabilidade concreta no enfrentamento à violência de gênero”, afirma Zezé.

O presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, ressaltou que a violência contra as mulheres também é uma questão do mundo do trabalho. Ele defendeu que o tema seja tratado em espaços de saúde e segurança, como as Sipats, e apontou a necessidade de envolver os homens no debate, já que o combate ao feminicídio não pode ser compreendido como uma pauta exclusiva das mulheres.

A atividade também relacionou o combate ao feminicídio a outras pautas estruturais da classe trabalhadora. Entre elas, a redução da jornada e o fim da escala 6x1, tema que deve exigir forte mobilização social nas próximas semanas para avançar como conquista concreta.

O recorte racial também esteve no centro do debate. A secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, lembrou que o lançamento ocorreu em 13 de maio, data da abolição formal da escravidão no Brasil, e destacou que a abolição segue incompleta enquanto a população negra continuar sem reparação efetiva e exposta às desigualdades estruturais. No caso das mulheres negras, essa violência se expressa de forma ainda mais dura, já que elas seguem entre as principais vítimas do feminicídio e de outras formas de violência de gênero.

Na segunda mesa do seminário, a secretária de Mulheres da Contraf-CUT, Fernanda Lopes, destacou a experiência da categoria bancária na construção de instrumentos de proteção às mulheres. Ela lembrou conquistas obtidas em negociação coletiva, traduzidas em cláusulas que impõem aos bancos obrigações de prevenção e enfrentamento à violência contra as trabalhadoras.

Fernanda também apresentou o projeto “Basta! Não irão nos calar”, que já realizou mais de 500 atendimentos jurídicos, especializados e humanizados, em uma rede composta por 14 sindicatos em diferentes regiões do país.

A dirigente também citou o projeto de lei que propõe a criação do canal Viva Sem Violência, iniciativa do Sindicato dos Bancários de Brasília protocolada pela deputada federal Erika Kokay. A proposta reforça a importância de criar canais de acolhimento e orientação para mulheres em situação de violência, articulando atuação sindical, rede de proteção e políticas públicas.

Mais do que uma campanha pontual, a mobilização iniciada pela CUT aponta para uma agenda contínua de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência contra as mulheres. Combater o feminicídio é uma responsabilidade coletiva e deve envolver instituições públicas, entidades sindicais, trabalhadores, trabalhadoras e toda a sociedade.

Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato

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