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4 de Julho de 2012 às 17:16

Secretário-geral do Sindicato, André Nepomuceno, comunica mudança na sua situação funcional e sindical

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1-CEDOC-26042011_Reunio_BRB_Sade_-_fotosGuina.B-12.002_12O secretário-geral do Sindicato e funcionário do BRB, André Nepomuceno, divulga carta aberta à categoria sobre a sua situação funcional e sindical.


Leia abaixo a íntegra da carta.

 

 

 

 

'Até logo não é adeus: mudo de grau e de intensidade na ação sindical, mas sempre na luta'

 

Quero compartilhar com os bancários e as bancárias de Brasília, e em especial, os do BRB, uma decisão difícil mas necessária. Parto para uma nova experiência ao retornar, a partir desta semana, ao trabalho cotidiano no banco.

 

Deixo a liberação para o mandato e permaneço como diretor do Sindicato, mas no exercício do cotidiano profissional bancário, neste ano acrescido de uma experiência mais intensa enquanto docente universitário.

 

Saio da linha de frente, mas levo para sempre todo um aprendizado e uma coleção variada de experiências, vivências, conhecimentos e emoções que jamais poderia ter experimentado não fosse a categoria profissional bancária, da qual me orgulho em pertencer. Como também me é valioso pertencer ao Sindicato dos Bancários de Brasília, que ajudei a construir com inúmeros companheiros e companheiras.

 

Muito me honra ter sido membro eleito das diretorias para as quais a categoria delegou confiança pelo voto direto, desde 1998.

 

Ingressei na categoria em 1986, por concurso público para escriturário no BRB. Logo tornei-me ativista e delegado sindical. Eram tempos efervescentes no sindicalismo, tempos de ascenso das lutas dos trabalhadores e das disputas, legítimas, entre as teses e agrupamentos sindicais.

 

Após um breve período de reconhecimento do terreno, optei por integrar a oposição bancária cutista, a Alternativa Bancária, que, poucos anos mais adiante assumiria a direção do Sindicato, em 1992. Imprimiria assim, um novo programa, ritmo e método de conduzir as reivindicações históricas e imediatas dos bancários de Brasília, com destacada participação na articulação nacional do movimento bancário e intercategorias.

 

Foram muitas lutas, vitórias e recuos, resistência e avanços, muitas reuniões, muito trabalho na formulação, organização, mobilização, divulgação, articulação e tantas outras modalidades de atuação que fazem, quando bem integradas, uma direção sindical canalizar melhor toda a força que tem a base da categoria.

 

Categoria diversa, de uma sabedoria enorme, aparentemente simples, mas que engendra estratégias muito próprias de enfrentar as adversidades do seu cotidiano de trabalho, dos patrões, e também as da cidadania em nossa cidade e país.

 

Nos momentos que exigem maior unidade, nas greves e enfrentamentos, nas grandes decisões coletivas, sempre levadas a cabo dentro dos princípios da mais ampla democracia sindical, nada se compara à beleza de ver em movimento uma compacta unidade.

 

Uma categoria, enfim, que tem história. Cuja memória precisa ser mais e mais preservada e exercitada, até para que os novos bancários, vindos como qualificados profissionais nos concursos que voltamos a conquistar a partir do começo dos anos 2000, tenham conhecimento do grande acúmulo em que vêm agregar novas energias.

 

Pude vivenciar a incomparável experiência de constatar, na prática, que nada supera a força da solidariedade, do sentimento e da consciência de classe, da disposição de entender as diferenças e divergências, e a partir delas trabalhar para buscar a unidade de ação.

 

Hoje, o país mudou para melhor. Porém, muita iniquidade e desigualdade permanecem. Há muito o que fazer. Muitos direitos a buscar na prática. As mudanças democráticas e populares, a meu ver, palpáveis e significativas, muitas vezes vêm lentas, em menor intensidade e amplitude do que gostaríamos.

 

Mas, seja em relação ao que foi feito, seja quanto ao que vivemos no presente e ao que virá amanhã, tenho a certeza de que os bancários constituem uma força fundamental, tanto nas lutas sindicais, quanto nas da cidadania, e, por que não, na política e na administração pública.

 

Para transformar o país, é necessário transformar o sistema financeiro, que precisa de regulação social e pública, precisa servir ao país, ao povo, à sociedade.

 

Pressuposto para isso é o respeito e a valorização aos que fazem, no dia a dia, a produção dessa riqueza: as bancárias e bancários.

 

Muito teria ainda a dizer.

 

Mas me atenho ao sentimento de gratidão.

 

Aos bancários de Brasília. Com tantas lutas e conquistas, só para ficar nos últimos anos: a campanha salarial unificada, os sucessivos aumentos reais, as novas contratações, os novos desafios de saúde no trabalho, de igualdade de oportunidades, a defesa de um sistema financeiro para todos, e tantas outras linhas de atuação.

 

Agradeço a muitos e muitas companheiros (as), amigos (as), a todos os colegas do BRB. Pela convivência, pela confiança, pela compreensão, pela crítica construtiva e aberta, pela presença nos bons e maus momentos de nossa trajetória coletiva, sem a qual, sem dúvida, muito mais limitado seria enquanto militante e pessoa.

 

Devo bastante a nossas campanhas pela defesa de um BRB público, que evitaram a ameaça real de privatização e venda. A nossa resistência e atuação para que maus administradores fossem denunciados e punidos pelos seus malfeitos. Nossa questão de princípio em combater o autoritarismo, seja no cotidiano do trabalho, seja quando incrustado na direção da empresa.

 

Nossos seminários, reuniões de toda ordem e em todas as unidades do banco, nossas mobilizações, nossos delegados e delegadas sindicais, nossas assembléias, greves, negociações e acordos coletivos.

 

Tudo isso nos levou a conquistar o piso atual de R$ 1.900,00, o maior do sistema, juntamente com a dobradinha ticket-cesta alimentação; expressivos aumentos reais nos últimos anos; a primeira cláusula de proteção ao assédio moral, em 2001; a inédita eleição direta paritária para a diretoria de nosso fundo de pensão, a Regius, em 2011; a extensão da licença-maternidade; as novas contratações, com chamada até o último nome aprovado; o retorno do anuênio e da garantia de emprego aos novos bancários; a equiparação dos salários à média e até acima da média de mercado; uma fórmula diferenciadamente positiva de PLR (com 60 % de distribuição linear e abrangendo entre 13 a até 20% do lucro líquido); um novo PCCR agora em junho de 2012 em que houve elevação dos padrões, melhorias salariais em geral e de encarreiramento, e sobretudo,  a adequação, via negociação sindical, das indevidas jornadas de 8 horas à jornada justa e legal de 6 horas;  entre tantas outras conquistas.

 

Tudo isso é fruto de trabalho coletivo.

 

Agradeço, também, a todas as diretorias das quais participei e participo. No convívio, no exercício diário das diversas tarefas e responsabilidades, na resolução e no aprendizado do debate democrático, na amplitude de vistas que nos dá a força da nossa entidade sindical, na camaradagem e no sentimento de exercer um mandato coletivo, cresci e amadureci de modo que não poderia viver em nenhuma outra escola.

 

Agradeço aos meus companheiros e companheiras de direção sindical, e também aos funcionários do Sindicato, o muito que com eles incorporei como experiência de vida.

 

Por fim, entendo e sinto como amadurecimento de um ciclo pessoal e profissional a contribuição que busquei dar, com o melhor do meu esforço e compromisso, na linha de frente da direção sindical.

 

Dialeticamente, a categoria bancária é a mesma, mas com modificações e dinamismos diferenciados.

 

Os tempos, então, são outros; são outros os desafios, a linguagem, o sistema, a cidade e o país.

 

O próprio movimento sindical se auto-investiga, busca se redefinir, aprimorar e intensificar o enorme instrumental e responsabilidade que a categoria lhe delega, até certo ponto.

 

Pois ela sabe cobrar exatamente, no dia a dia, e nos momentos decisivos, que a representação sindical pouco pode e nada faz se não souber ser leal e próxima a seus mandatários, o que não quer dizer deixar de assumir a responsabilidade de ser dirigente, que implica compromisso com a sinceridade.

 

Volto ao banco, pois, com o senso de dever cumprido. Espero que assim seja a avaliação de meus colegas.

 

Por opção, preferi que meu retorno não se desse em cargo de gestão.

 

Mudo de posto e de intensidade de atuação, porém não deixo de combater o bom combate, do lado que escolhi, e aprendi a respeitar no mais amplo sentido, com o pertencimento e o convívio junto aos bancários.

 

Um forte abraço, e até logo, companheir@s!

 

André Matias Nepomuceno

Bancário do BRB há 26 anos.
Secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Brasília”


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