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6 de Junho de 2012 às 20:45

Reunião ampliada da Fetec-CUT/CN prepara dirigentes para enfrentar 2º semestre

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A segunda etapa da reunião da Diretoria Executiva ampliada da Fetec-CUT/CN, realizada no auditório da CUT-DF, em Brasília, promoveu um amplo debate sobre a conjuntura econômica, política e sindical, preparando os dirigentes dos sindicatos filiados para enfrentar a dura agenda de compromissos e lutas dos trabalhadores do ramo financeiro e de todas as categorias no segundo semestre. “Saímos dessa reunião mais conscientes sobre as batalhas que temos pela frente, mas também mais unidos para encarar a Campanha Nacional dos Bancários num período de maior oferta de crédito com queda dos juros, crise econômica externa e crescimento interno. Ao mesmo tempo, teremos de estar mobilizados para necessidade de apresentar uma plataforma dos trabalhadores e escolher quem melhor nos atende nas eleições municipais e para os embates visando à aprovação dos projetos de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, como a grave questão da terceirização no sistema financeiro e a isenção do IR para PLR, entre outros”, avalia o presidente da Fetec-CUT/CN, José Avelino.

 

O próximo encontro ampliado será a assembléia anual da Fetec-CUT/CN, em novembro.

 

A conjuntura e a Campanha Nacional 2012

 

O foco das discussões na manhã desta terça-feira foi a conjuntura econômica e setorial e as correções necessárias para o desenvolvimento da Campanha Nacional 2012.

 

Pedro Tupinambá, assessor técnico do Dieese, abordou a crise financeira internacional, mais acentuada na zona do Euro, criticando as saídas equivocadas com bases neoliberais, como cortes em gastos sociais e restrição ao crédito naquela região do mundo.

 

A crise que atinge bancos internacionais tem reflexos no Brasil. Um exemplo são os rumores que envolvem a venda do Santander.  No entanto, o grau de vulnerabilidade dos países da América Latina, da América Central e Caribe e de grande parte da África é calculado em apenas 1% do PIB. Isto é justificado pelas dificuldades no comércio exterior com os grandes centros em crise.

 

O fortalecimento do mercado e consumo interno, o antídoto de sucesso no Brasil, vem sendo obtido graças à redução das taxas básicas de juros nas últimas sete reuniões do Conselho Monetário Nacional e à oferta de crédito que gera emprego e renda. A ação dos bancos públicos nesse sentido impulsionou os privados a também aumentarem a oferta de crédito mais barato à população. A resistência dos bancos privados em reduzir juros e o spread vinha sendo justificada pelo leve aumento da inadimplência a partir de abril.

 

Para compensar, as instituições aumentaram tarifas bancárias e prestação de serviços. Atualmente, a relação da receita de prestação de serviços sobre despesa de pessoal é de 130%. A arrecadação cobre as despesas de pessoal com sobra.

 

As medidas anticrise do governo brasileiro deram certo. “O PIB do 1º trimestre, com crescimento de 0,2%, manteve a economia praticamente estabilizada, com perspectivas concretas de crescimento nos trimestres seguintes. A relação Crédito x PIB fica abaixo de outros países como Índia, o que demonstra que há espaço para os bancos ampliarem o crédito no Brasil, favorecendo o crescimento”, informou Pedro Tupinambá.

 

A Campanha Nacional dos Bancários começa num quadro em que a inflação, o vilão de outrora, já não é o problema. Nos últimos 12 meses, a taxa declinou e foi calculada em 4,88% até abril.  Mas o spread bancário chega a 28,5% em média. No cálculo do spread a margem líquida (o lucro) é de cerca de 30% nos bancos privados, chegando a 34,15% nos privados. “Dá para diminuir ainda e o papel dos bancos públicos é fundamental para redução do spread e ampliação ainda maior do crédito”, diz o técnico do Dieese.

 

O dado mais alarmante, contudo, continua sendo a concentração extrema do sistema bancário. São verdadeiros oligopólios. Os seis maiores bancos detêm mais de 80% dos ativos, explica Tupinambá.

Desempenho dos bancos

Crescimento dos empregos em 2011: 4,9%

Crescimento de emprego nos 6 maiores bancos: 5,1% (384 mil trabalhadores)

Lucro líquido dos 6 maiores em 2011: 52 bilhões (+189%)

Demissões no 1º trimestre no Itaú:  -7,4% (7.728 postos de trabalho)

Apesar da crise internacional, o lucro líquido dos 5 maiores bancos (menos HSBC) no 1º trimestre de 21012 foi de 5 bilhões, graças às medidas adotadas pelo governo e pela ação dos bancos públicos. Pedro Tupinambá avalia, contudo, que o lucro líquido só não é maior porque os bancos preventivamente aumentaram a provisão de crédito relativa à expectativa de inadimplência.

 

De qualquer forma, o assessor do Dieese alerta que os dados reveladores de uma “queda” no volume de lucros servirão para banqueiros dificultarem as negociações pela PLR e aumento real na campanha salarial deste ano.

 

Mudar o jogo para novas conquistas

 

Só há uma forma de alcançar sucesso na Campanha Nacional 2012: focar a luta para garantir emprego e melhorar salário, impedindo que o mecanismo da rotatividade afete as conquistas salariais da categoria. Não vamos avançar se não olharmos para a elevação do piso da categoria, elevando a base da remuneração, e para a manutenção do emprego, impedindo o rebaixamento de salários com a troca dos empregados com salários maiores. Esta opinião, manifestada pelo presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, foi compartilhada por todos os dirigentes presentes ao segundo dia de reunião da Diretoria Executiva ampliada da Fetec-CUT/CN.

 

O coordenador do Comando Nacional dos Bancários entende que há necessidade urgente de planejar melhor nossas campanhas, mudando o roteiro repetitivo nos últimos anos. No final, a categoria entra em greve por melhores condições de trabalho, já que estão massacrados no dia-a-dia com metas abusivas, assédio moral, sobrecarga de trabalho, e acabam saindo da greve com a conquista de aumento real e PLR.

 

“Precisamos mudar o jogo. Fazer seriamente o debate tanto do emprego como da remuneração. No Chile, Uruguai e Argentina não há rotatividade. Por que só aqui tem rotatividade? No Brasil, há crescimento de emprego, com pouca alteração da massa salarial. A rotatividade é um mecanismo usado que só diminui salário e aumenta lucro, como demonstram os números do Dieese”, acentuou Carlos Cordeiro.

 

A discussão jurídica nesta luta é importante. Por exemplo, no embate contra os problemas surgidos com correspondentes bancários e a precarização das relações do trabalho. Mas nessa luta, é preciso se voltar também para a formação dos dirigentes. “Sem formação dos nossos quadros, não faremos um sindicalismo combativo e forte. Mas acima de tudo, precisamos discutir o papel das federações e dos sindicatos. É preciso participar e fortalecer os coletivos por bancos e setores (saúde, segurança e outros) para dar respostas às questões prementes hoje, como demissões, assédio moral, precarização, terceirização etc.

 

“Se não estivermos atentos e organizados, as demissões, por exemplo, no Itaú não pararão apenas em 7.728. O banco implantará horário de 12h as 20h em shoppings, prejudicando a qualidade de vida do bancário. Devemos planejar e mudar o modelo pra enfrentar o Itaú e um sistema financeiro concentrado nas mãos de seis bancos”, disse Wahington Henrique, dirigente de Brasília, durante intervenção no debate, concordando com a tese de Carlos Cordeiro.

 

Comissões de empresa e assessoria jurídica

Os representantes da Fetec-CUT/CN nas Comissões de Empresa do Banco do Brasil, Rafael Zanon, e da Caixa, Jair Pedro, também tiveram espaço na manhã de terça para expor o andamento das atividades sindicais nos bancos públicos. Os funcionários dos dois bancos farão Congresso Nacional entre os dias 15 e 17 deste mês, em Guarulhos (SP), quando reunirão as reivindicações de todo o país em pautas específicas para negociação. Zanon, eleito para o Conselho Deliberativo da Previ, agradeceu a colaboração de todos os sindicatos na vitoriosa campanha da Chapa 6 – Unidade na Previ.

 

Uma outra questão debatida foi a necessidade de assessoria jurídica especializada à Federação.  Por isso, a reunião desta terça foi iniciada com uma exposição de José Eymar, da Crivelli Advogados Associados, que já presta serviços para o SEEB de Brasília e outras entidades. Eymar falou sobre questões jurídicas que estão sendo enfrentadas nessa área, como horas extras, interditos proibitórios, dias descontados por greve, estabilidade e afastamento de dirigentes, tirando dúvidas dos presentes.

 

Juliano Braga, secretário de Assuntos Jurídicos da Federação, defendeu a necessidade de assessoria jurídica “para tomar medidas corretas e não cometer erros que emperram ou atrasam encaminhamentos e soluções”. Citou um exemplo simples desses erros: a entrega equivocada de cópias de documentos não originais, quando são necessários os originais, na criação de um sindicato, o que revelou desconhecimento dos trâmites jurídicos.

 

Rodrigo Britto

Um dos três dirigentes bancários do Centro Norte eleitos para a presidência das CUTs do Distro Federal, Rondônia (Itamar Ferreira) e Mato Grosso (João Dourado) - fez uma breve saudação aos participantes da reunião, colocando o SEEB-DF e a CUT-DF sempre à disposição dos interesses da Federação e dos sindicatos filiados.

 

Robinson Sasaki - Fetec-CUT/CN

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