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11 de Maio de 2012 às 17:30

‘Movimento sindical não deve sustentar politicamente o governo’, diz Luiz Dulci em debate no Sindicato

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‘A relação entre Sindicato, Partido, Governo e Estado’ foi tema do Brasília Debate realizado na noite desta quinta-feira (10) no Teatro dos Bancários. Discutido à exaustão por mais de três horas, o assunto foi analisado profundamente pelo ex-ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Luiz Dulci e pelo secretário nacional de Organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jacy Afonso. “O movimento sindical não deve sustentar politicamente o governo”, afirmou Dulci, ao lembrar que a CUT deve cumprir seu papel mantendo autonomia.

Após essa afirmação, o ex-ministro citou conversa com uma trabalhadora do Pará há alguns anos: “Ela veio me dizer que não imaginava que precisava se mobilizar durante um governo eleito pelos trabalhadores”. Atônito, Dulci contou que respondeu com veemência: “é justamente porque é um governo democrático de coalisão que precisamos unir forças e nos mobilizar”.

Transformação social

Fundador da CUT e diretor do Instituto Lula, Dulci observou que os sindicatos são potencialmente sujeitos políticos. “Isso não é ruim, pois o papel dessas instituições não devem se limitar à luta por melhores salários e condições de trabalho”, sustentou. “A função de um sindicato é ampla”, acrescentou.

Formado em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, o ex-ministro ressaltou que a criação do PT e da CUT está ligada a um processo global de transformação social. “Após a intensa mobilização da CUT, o orçamento da agricultura familiar passou de R$ 2,5 bilhões em 2002 para aproximadamente R$ 17 bilhões neste ano”.

Brasilia_Debate_Luiz_Dulci-FotosGuina_3Ex-responsável pela interlocução política do governo Lula com as organizações e movimentos da sociedade civil brasileira e internacional, Luiz Dulci ainda citou a política de salário mínimo como uma grande conquista do movimento sindical. “Sem as marchas e a grande mobilização dos trabalhadores, é bem provável que essa política não tivesse saído do papel”, assegurou.

Apesar dos elogios, Dulci salientou que o movimento sindical abandonou algumas lutas da organização do trabalho. “Em virtude da economia globalizada, é compreensível que isso venha ocorrendo, uma vez que a luta pelo salário já foi decidida quatro anos atrás”, justificou.

Professor de Língua e Literatura Portuguesa desde 1974, especializado em educação de adultos, Dulci foi fundador e primeiro presidente (1979/82) da União dos Trabalhadores do Ensino de Minas Gerais. Junto com o então líder metalúrgico Lula e outros dirigentes sindicais foi um dos coordenadores do movimento que levou à fundação, em 1983, da CUT. Dirigente nacional do PT desde sua fundação, em 1980, foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Coincidência

Brasilia_Debate_Luiz_Dulci-FotosGuina_5Integrante do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Comitê Gestor do Fundo de Investimentos do FGTS, e vice-presidente do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Jacy Afonso iniciou sua intervenção afirmando que parece ser uma coincidência a fundação do PT e da CUT na mesma época. “Mas a história do movimento sindical não é só a CUT e o PT”.

Ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, no período de 2004 a 2007, Jacy Afonso classificou a década de 1980 como extraordinária. “Em 1981, foi realizado a legítima e verdadeira Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). Em 82, ocorreu a eleição para governador. No ano seguinte foi fundada a CUT. Em 84, nasceu o MST e surgiu o Movimento pelas Diretas Já. Em 85, o fim da ditadura militar via colégio eleitoral”, citou.

À época (década de 1980), de acordo com Jacy Afonso, o movimento sindical ocupava o papel dos partidos políticos. “A maior prova disso é que o Lula, então líder sindical, por pouco não foi eleito presidente da República”, recordou.

Já em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente, o movimento sindical sofre grande ataque do neoliberalismo, citou Jacy Afonso. “No Banco do Brasil, por exemplo, os bancários receberam zero de reajuste e as greves não existiam”.

“Durante o governo Lula, fizemos greve, conquistamos aumento real de salário e avançamos nas conquistas”, observou.  

Por uma CUT-DF independente e combativa

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O Brasília Debate foi mediado pelo presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rodrigo Britto. “Extremamente relevante, o tema foi debatido com muita competência por Jacy Afonso e Luiz Dulci”, destacou Britto, que também é diretor da CUT-DF.

“O Sindicato, que não foge do debate e das lutas, entende que o assunto é pertinente para algumas lideranças sindicais locais. Eles esqueceram suas raízes e agora dão total apoio ao governo local. Não é esse tipo de conduta que queremos para a CUT-DF. A Central deve ser independente, combativa e solidária”, frisou Rodrigo Britto para uma plateia composta por mais de 200 bancários, dirigentes e militantes sindicais de outras categorias e lideranças de movimentos sociais do Distrito Federal e Entorno.

Ex-presidente da CUT-DF, José Zunga, que também havia sido convidado, perdeu o voo para Brasília e não pôde participar do debate.

O projeto

O Brasília Debate é um espaço que o Sindicato coloca à disposição da categoria bancária e dos brasilienses para a discussão de ideias sobre os temas relevantes da contemporaneidade. É realizado na sede do Sindicato sempre com a participação de intelectuais e personalidades de destaque da vida cultural, política, econômica e social do país.

Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília

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