Por mais de uma hora, o ex-ministro Luiz Dulci fez uma breve apresentação do livro “Um salto para o futuro – Como o governo Lula colocou o Brasil na rota do desenvolvimento”, de sua autoria, na noite desta terça-feira (2) no Teatro dos Bancários.
A obra faz um balanço das políticas implementadas por Lula entre 2003 e 2010 e as consequentes transformações socioeconômicas do Brasil na última década.
“O livro não é uma crônica. É sobre o projeto que colocou o Brasil na trilha do desenvolvimento, a partir de um novo modelo de crescimento que privilegiou políticas sociais de combate à pobreza e à miséria, na geração de emprego e renda, na ascensão social contínua, entre outros”, afirmou Dulci, lembrando que o governo Lula foi muito melhor na prática do que no discurso.
Fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Dulci destacou que o governo Lula deu certo porque adotou caminhos heterodoxos para vencer as dicotomias simples: estabilidade e crescimento; exportação e mercado interno; mercado e Estado; econômico e social; capitalismo de ponta e desenvolvimento regional; integração subalterna e isolamento internacional; democracia representativa e participação social.
Formado em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, o ex-ministro ressaltou que o governo de Fernando Henrique Cardoso tinha todas as condições necessárias para avançar nas políticas sociais. “Durante o primeiro mandato, eles (os tucanos) não souberam aproveitar as condições econômicas favoráveis para melhorar os indicadores sociais”, observou.
Ao final do segundo mandato de FHC, com a economia em crise, o aumento do desemprego e a queda da massa salarial, Lula encontrou um cenário nebuloso no campo econômico, político e social. “O livro mostra como Lula enfrentou os grandes desafios apresentados”, salientou o ex-ministro, citando que Lula questionou, em tom de brincadeira, se todos os oito anos de seu governo caberiam no livro de 128 páginas. “Entre uma enciclopédia e um livro de bolso, optei pela segunda opção”, resumiu Dulci.
O livro
Em cada capítulo, Dulci mostra como foi possível fazer a economia crescer e distribuir renda ao mesmo tempo, enfrentando os desafios do Brasil de uma forma inovadora e questionando os dogmas do neoliberalismo e alguns da própria esquerda.
“Demandavam uma disposição não só crítica mas também autocrítica, experimental, saudavelmente empírica, apanágio daquela ‘esquerda positiva’ que San Tiago Dantas já propugnava, faz quase meio século, no seu belo e lúcido Ideias e rumos para a revolução brasileira”, escreveu Dulci na página 19.
Em outro trecho, na página 20, Dulci escreve: “não bastava denunciar essas dicotomias como simplistas, enganosas (o saudoso Paulo Freire, aliás, já nos ensinara que a verdadeira política libertadora deve combinar denúncia e anúncio, mas é principalmente o anúncio encarnado que mobiliza um povo)”.
A obra procura entender a extensão e as razões das conquistas sociais e do êxito politico, interno e externo, do governo Lula. “O livro oferece elementos valiosos para que o leitor entenda a última década, uma das mais significativas na vida do povo brasileiro”, disse o autor, ao destacar que escreveu um livro acessível para todos os leitores.
Depoimentos
Mestre de cerimônias, o secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, parabenizou Dulci pelo livro e lembrou rapidamente alguns êxitos dos oito anos do governo Lula. “Durante o governo Lula, mantivemos a nossa autonomia, fizemos greve, conquistamos aumento real de salário e avançamos nos direitos da classe trabalhadora”, observou Jacy.
Secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira afirmou que a publicação é importante para dialogar com a sociedade sobre o governo histórico do presidente Lula. “Em nome da Fundação Perseu Abramo, destaco a enorme satisfação e felicidade por fazer parte deste lançamento”, afirmou Pereira, que também é presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.
Após a apresentação do livro, Luiz Dulci participou de uma longa sessão de autógrafos. Uma fila com mais de 300 pessoas se formou no foyer do Teatro dos Bancários. O evento ainda contou com a apresentação do grupo Reciclando Sons.
Reciclando sons
Fundado em 1999 na Estrutural, invasão formada em volta do maior aterro sanitário de Brasília, o projeto Reciclando Sons ensina música para crianças e adolescentes de baixa renda. Os jovens que participam da inciativa trocaram o trabalho pelas partituras.
Sob a regência de Rejane Pacheco, as crianças e adolescentes passaram a estudar teoria musical, instrumentos e canto. Hoje, dezenas de jovens participam das aulas de musicalização. A população da Estrutural se orgulha de ter um coral, uma banda com cinco instrumentistas e uma miniorquestra formada por sete fabulosos músicos.
Quem é Luiz Dulci
Professor de Língua e Literatura Portuguesa desde 1974, especializado em educação de adultos, Dulci foi fundador e primeiro presidente (1979/82) da União dos Trabalhadores do Ensino de Minas Gerais. Sindicalista, liderou as greves do magistério mineiro em 1979 e 1980.
Junto com o então líder metalúrgico Lula e outros dirigentes sindicais foi um dos coordenadores do movimento que levou à fundação, em 1983, da CUT.
É autor e coautor, entre outras, das seguintes obras: ‘Desafios das Administrações Petistas’ (1989); ‘Estratégia, uma saída para a crise’ (1991); ‘Sérgio Buarque de Holanda e o Brasil’ (1998); ‘Antonio Candido: pensamento e militância’ (1999); ‘Atualidade de San Tiago Dantas’ (2005); ‘Brasil, entre o passado e o futuro’ (2010).
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília
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