
Para marcar o Dia Mundial do Combate às Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/Dort), celebrado em 28 de fevereiro, o Sindicato e a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF) realizaram seminário sobre saúde ocupacional nesta terça-feira (6). Por mais de duas horas, dirigentes sindicais e especialistas debateram o assunto. “A informação é a melhor arma para combater o adoecimento”, afirmou a secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Fabiana Uehara, ao encerrar o evento.
“Pelo terceiro ano consecutivo realizamos seminário com essa temática para alertarmos e informamos os bancários sobre o crescimento dos problemas psíquicos e físicos no trabalho”, destacou a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT-DF, Conceição Maria Costa.
Participaram da mesa de abertura do seminário, que foi transmitido, ao vivo, via webtv, o presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rodrigo Britto, o presidente do Sindicato dos Empregados de Conselhos e Ordens de Fiscalização Profissional e Entidades Colegiadas e Afins do DF (Sindecof), Douglas de Almeida Cunha, e a secretária de Assuntos Jurídicos e Saúde do Sindicato dos Trabalhadores no Ramo Financeiro da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Sintraf-Ride), Christianne Rodrigues.
“Assim como faz todos os anos, o Sindicato reserva um dia para debater a saúde do trabalhador e informar suas ações relacionadas ao tema. Diante das metas inatingíveis impostas pelos bancos, os bancários e os trabalhadores do ramo financeiro estão adoecendo e se afastando de suas funções frequentemente”, afirma Rodrigo Britto, que também é diretor da CUT-DF.
Relações fragilizadas
Autor do livro Adoecimento psíquico no trabalho bancário: da prestação de serviços à (de) pressão por vendas, o psicólogo Vitor Barros fez um breve resumo das relações de trabalho. Segundo ele, os bancos estão demitindo os trabalhadores mais experientes e contratando mão de obra inexperiente e mais barata. “Os bancos estão trocando qualidade por produtividade. Isso está fragilizando as relações de trabalho”, destacou. “Diante das inúmeras atividades que desempenha diariamente, o bancário é quase um atleta olímpico. Agora, quando adoece, é como se estivesse adquirido uma doença altamente contagiosa”, acrescentou.
Prevenção
Na opinião da advogada da assessoria de Saúde do Sindicato Janaina Barcelos, a prevenção é a melhor forma de combater as doenças ocupacionais. “A realização de eventos como esse são essenciais para informar os trabalhadores sobre seus direitos. Além da atuação do Sindicato, através dos dirigentes sindicais e do departamento jurídico, o trabalhador deve exercer seu papel de cidadão, exigindo seus direitos quando for desrespeitado”, observou.
Ela citou o sofrimento dos trabalhadores que precisam passar pela perícia do INSS. Para Janaína, a perícia é “um nó que ainda precisa ser desatado”. “Existe despreparo humano e técnico”, frisou.
Ao citar o aumento de casos de afastamento por adoecimentos psíquicos, Janaina explicou que as doenças relacionadas, assim como as degenerativas que não têm início no trabalho, mas que têm seu agravamento provocado por ele, são consideradas acidentes de trabalho e devem ser registradas na Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). “Se o banco não fez a emissão da CAT, o trabalhador deve procurar o Sindicato. É importante que isso seja feito mesmo que não seja necessário afastamento do trabalho para se resguardar em casos de problemas futuros”, explicou.
Já a advogada Betânia Hoyos, que também trabalha na assessoria de Saúde do Sindicato, deu dicas para os trabalhadores ingressarem com ações de reparação de danos morais. Ela explicou que medidas judiciais pedindo indenização pelo mal provocado pelo empregador só são efetivamente válidas quando se sabe exatamente quanto da capacidade laboral foi perdido, sendo o prazo prescricional de cinco anos a contar do laudo. “É o momento mais oportuno. É quando é configurada a extensão do dano”, esclareceu. “Em relação à indenização do seguro de vida em grupo, a prescrição é de apenas um ano”, acrescentou.
Logo após as palestras, os debatedores responderam as perguntas da plateia e dos internautas.
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília
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