Longe de ser um caso isolado, o anúncio do fechamento da agência do Bradesco no Paranoá, denunciado pelo Sindicato em um ato que teve grande repercussão nas redes sociais, é mais um exemplo da política predatória do banco de reduzir sua estrutura física e postos de trabalho, mesmo diante de resultados financeiros robustos.
Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostram essa contradição. O Bradesco fechou 324 agências e 811 postos de atendimento nos 12 meses encerrados em junho de 2026, enquanto, no mesmo período, foram eliminados 2.770 postos de trabalho entre os bancários.
A redução da estrutura acontece justamente quando os negócios do banco avançam. No primeiro semestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.
A carteira de crédito expandida cresceu 11,6% em 12 meses, chegando a R$ 1,137 trilhão. A base de clientes também aumentou em 300 mil no período, alcançando 110,4 milhões de pessoas. Ou seja, o banco amplia clientes, crédito e lucros, mas reduz a estrutura e o número de trabalhadores responsáveis pelo atendimento.
Para o movimento sindical, a política de redução de custos e aumento da rentabilidade ocorre em detrimento do emprego e da qualidade do atendimento, com fechamento de unidades e redução do quadro, o que aumenta a sobrecarga, a cobrança por metas e o risco de adoecimento dos trabalhadores.
O levantamento do Dieese mostra ainda que as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias chegaram a R$ 15,8 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 5% em 12 meses. O montante correspondeu a 117,7% das despesas de pessoal do banco no período, reforçando a importância da força de trabalho para a geração de receitas e resultados.
Para Paulo Frazão, diretor do Sindicato, o fechamento da agência do Paranoá expõe a contradição entre os resultados do Bradesco e a política de redução de empregos e atendimento. “Não falta dinheiro ao Bradesco. O que falta é compromisso com os trabalhadores e com os clientes. Um banco que lucra quase R$ 14 bilhões em seis meses, aumenta sua carteira de crédito e conquista novos clientes não pode justificar o fechamento de agências e a eliminação de empregos como se fosse uma necessidade inevitável”, denuncia.
Da Redação
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