O Sindicato realizou, na manhã desta segunda-feira (17), o enterro simbólico da agência do Bradesco no Paranoá, em protesto contra o fechamento da unidade, anunciado pelo banco para o dia 21 de setembro, quando suas atividades serão transferidas para a unidade do Setor Comercial Sul.
Durante o ato, um caixão foi colocado dentro da agência. O presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, entrou no caixão e, devidamente caracterizado, simbolizou a “morte” da unidade e dos empregos que serão perdidos com o fechamento. De dentro do caixão, Britto questionou o banco: “Cadê sua responsabilidade social? O que fará com os clientes do Paranoá? Por que essa ganância que mata, demite e fecha agências?”

Após a intervenção dentro da agência, os dirigentes sindicais realizaram um cortejo pelas ruas do Paranoá, em uma marcha fúnebre que denunciou os impactos do fechamento para trabalhadores, clientes e moradores da região. O cortejo terminou em frente à agência do Itaú, também no Paranoá.
Para José Garcia, diretor da Fetec-CUT/CN, "o ato é uma denúncia da ganância do banco". Isso porque o Bradesco registrou um lucro de aproximadamente R$ 14 bilhões no primeiro semestre deste ano e, ainda assim, sua política tem sido a de fechar agências, demitir empregados e aumentar a cobrança para que a categoria cumpra metas. Essa postura agressiva do banco "provoca um aumento inaceitável de adoecimento na categoria e um atendimento deficitário aos clientes".
O fechamento também preocupa moradores e comerciantes do Paranoá, que serão diretamente afetados pela redução da estrutura de atendimento bancário na região. Segundo Macinaldo Azevedo, 49, comerciante, a medida causará "um transtorno muito grande para a população do Paranoá, especialmente para nós, comerciantes". Azevedo parabenizou a manifestação organizada pelo Sindicato e destacou que é "muito importante a manifestação, precisamos garantir a manutenção da agência aqui no Paranoá".
Clodoaldo da Cruz, rodoviário aposentado e cliente da agência, afirmou que o encerramento da unidade "é uma vergonha, especialmente para quem tem dificuldades de locomoção. Inclusive, uma grande parte dos clientes não tem a informação de que a agência fechará".
O Paranoá possui cerca de 76 mil habitantes, e a agência atende mais de 700 clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. Segundo um empregado do banco, o fechamento provoca, "a cada dia que finda, uma grande insegurança sobre o que virá no dia seguinte".
A bancária aposentada Louraci Morais destaca a importância da agência para o atendimento das pessoas mais necessitadas, que representam parcela significativa da carteira da unidade. "É uma questão de humanidade. Exigimos que se abram mais agências, não que se fechem", disse Louraci.
Raimundo Dantas, diretor do Sindicato, afirmou que "o esforço dos empregados é que possibilita o alto lucro do Bradesco", o que tem feito o banco "aumentar o assédio moral, especialmente com a imposição de metas cada vez mais abusivas aos seus empregados".
José Avelino, diretor da Fetec-CUT/CN, denunciou que os bancos privados, "como se comprova com o fechamento desta agência do Bradesco no Paranoá, aumentam as dificuldades para o atendimento aos clientes e demitem empregados, mostrando a usura recorrente do sistema financeiro".
Para Dagma Souza, diretora do Sindicato, o enterro simbólico representa as consequências da política de fechamento de agências. "O enterro simbólico representa a morte de empregos, a precarização do atendimento a essa grande população do Paranoá", denunciou.
O diretor do Sindicato Paulo Frazão afirmou que o "ato é uma denúncia contra o fechamento da agência do Bradesco", previsto para o dia 21 de setembro, uma medida que trará grandes prejuízos aos moradores do Paranoá, com o aumento das filas e a piora no atendimento.
Os bancários presentes se manifestaram em defesa da preservação de empregos, da manutenção de agências para atender os clientes e da prevenção do adoecimento da categoria, diante da grande pressão imposta com o fechamento de agências.
Da Redação
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