
O Encontro de Formação da ECO-CUT (Ecofor) realizado nos últimos dias 17 e 18 em Goiânia foi especial: marcou os 20 anos de importante atuação da Escola Centro-Oeste de Formação da CUT Apolônio de Carvalho (ECO-CUT) e o Centenário do nascimento do militante e líder da classe trabalhadora que empresta seu nome à instituição.
Ao som do Hino Nacional, foram mostradas imagens das lutas de resistência no período de ditadura militar. A emocionante abertura do encontro foi completada por um vídeo que apresentou a trajetória de Apolônio. "Eu sempre fui um visionário, antes de ser um militante", disse ele no documentário.
Recepcionando cerca de 200 sindicalistas de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Tocantins, a coordenadora geral da ECO-CUT, Sueli Veiga Melo, ressaltou os 20 anos do trabalho da escola, que procura instrumentalizar os trabalhadores para que possam atuar de forma coerente em todos os âmbitos de negociação e assim continuar a luta do patrono Apolônio de Carvalho.
Ela e outros oradores destacaram a necessidade de se absorver na história do patrono a energia e a vontade de transformação, necessárias ao enfrentamento e às conquistas. "A formação da CUT é feita a partir dos saberes dos trabalhadores e trabalhadoras. Aprendemos uns com os outros", destacou Sueli.
Homenagens
A abertura do Ecofor contou com a participação de René-Louis de Carvalho, filho mais velho de Apolônio; do ex-ministro e atual diretor da Fundação Lula, Luis Dulci; e do secretário Nacional de Organização da CUT e ex-presidente do Sindicato dos Bancários e da CUT Brasília, Jacy Afonso.
Luis Dulci declarou-se honrado em participar do evento, afirmando que "é muito difícil fazer uma escola sindical. Ainda mais na região Centro-Oeste, onde os Estados têm territórios muito extensos". Dulci disse ser fundamental os trabalhadores cultuarem seus heróis, acrescentando que Apolônio foi um dos grandes do século XX. "Apolônio não era um homem de certezas absolutas, ele as ia construindo", contou. Segundo ele, o grande militante das causas humanistas tinha amor pela vida, não só pela política. "Ele dizia que a gentileza é uma virtude socialista", recordou Dulci.
Jacy Afonso, um dos idealizadores da escola de formação sindical quando presidia a CUT Brasília no início dos anos 1990, lembrou que foi por sua sugestão que o nome de Apolônio Carvalho acabou sendo escolhido para ser patrono da ECO-CUT. Para Jacy, o ex-militar brasileiro que lutou na guerra civil espanhola e foi um dos comandantes da Resistência Francesa contra o nazismo é um exemplo de dignidade e luta pela causa dos trabalhadores do Brasil e do mundo.
Uma vida de lutas
Representando sua família, René-Louis de Carvalho agradeceu a homenagem e falou da importância de não permitirmos que nossa memória seja apagada. "Apolônio era internacionalista. Aprendeu a sê-lo na prática. E era, fundamentalmente, um educador, um organizador. Sabia que só a formação assegura a continuidade da luta e a vitória", declarou.
René-Louis, como o nome já indica, nasceu na França, em 1944. Nesta época, depois de ter sido preso pelo governo Vargas, ser expulso das Forças Armadas e atuar nas Brigadas Internacionais contra os fascistas da Guerra Civil Espanhola, Apolônio se encontrava engajado na Resistência Francesa contra o nazismo de Adolf Hitler. Foi quando conheceu, em Marselha, René France, que também estava integrada ao movimento e se tornou sua companheira da vida toda. Ela conta hoje com 87 anos e acaba de lançar o livro Uma Vida de Lutas, que fala da sua trajetória de militante.
Quando veio para o Brasil com seus pais, René-Louis contava com cerca de 3 anos de idade. Era o ano de 1947. Militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), não demorou para que Apolônio e René France tivessem de viver na clandestinidade. Com isso, René-Louis conta que durante vários anos acreditava chamar-se Luis Never dos Santos e que só ficou conhecendo seu verdadeiro nome na década de 1950, quando seus pais foram viver na União Soviética.
Em 1970, Apolônio e os dois filhos do casal são presos e incluídos em diferentes listas de presos "trocados" por embaixadores estrangeiros e rumaram para o exílio. Na volta ao Brasil, após a Anistia, Apolônio engajou-se no movimento que resultou na criação do PT e da CUT. Faleceu em 2005, no Rio de Janeiro.
Da Redação com informações da ECO-CUT
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