Como se não bastassem as 100 demissões injustificadas, outros 294 bancários insatisfeitos com as precárias condições de trabalho, o assédio moral e as metas inatingíveis se desligaram das instituições financeiras, segundo levantamento do Sindicato dos Bancários de Brasília baseado no número de homologações realizadas de janeiro e abril deste ano. Foram 155 pedidos de aposentadoria, 139 demissões a pedido e 100 demissões sem justa causa.
Os descomissionamentos arbitrários, as demissões sem justa causa, as metas abusivas, a falta de funcionários e o novo plano de funções implantado de forma unilateral pela atual diretoria são alguns dos motivos que levaram o Banco do Brasil a liderar o número de demissões a pedido e aposentadorias entre os trabalhadores do DF.
BB e Caixa lideram demissões a pedido e aposentadorias De acordo com o levantamento, 118 trabalhadores do BB solicitaram aposentadoria, 73 pediram demissão e outros oito foram demitidos sem justa causa. Segunda colocada no ranking da pesquisa, a Caixa Econômica Federal apresentou 31 pedidos de aposentadoria e 22 desligamentos a pedido.
“Os números mostram uma grande insatisfação dos bancários do BB e dos empregados da Caixa. As metas abusivas, as condições precárias de trabalho das agências, as cobranças, as mensagens e ligações fora do horário de trabalho e as transferências unilaterais, sem falar no assédio moral e no aumento das doenças ocupacionais e distúrbios psíquicos, mostram que trabalhar em banco é uma das funções mais estressantes e difíceis do mercado”, afirmou o secretário de divulgação do Sindicato, Jefão Meira, bancário do BB.
Itaú, Bradesco e Santander lideram as demissões sem justa causa O Itaú Unibanco registrou 19 demissões sem justa causa, cinco demissões a pedido e uma aposentadoria. Na sequência aparece o Bradesco, com 16 demissões sem justa causa, cinco a pedido e uma aposentadoria, seguido do Santander, com nove demissões sem justa causa e dez a pedido.
O Itaú é o banco que mais demitiu no Brasil em 2012, apesar dos lucros recordes. Fechou 7.935 postos de trabalho só no passado. Desde 2011, já são 13.699 bancários demitidos. Enquanto isso, seu lucro líquido atingiu R$ 14,043 bilhões em 2012. Esse foi o segundo maior lucro de um banco no país. O maior foi o resultado do próprio Itaú em 2011, quando bateu R$ 14,640 bilhões.
Para fazer frente à política de demissões do Itaú, o Sindicato lançou no dia 22 de maio a Campanha de Valorização dos Funcionários, com o mote ‘Esse Cara Sou Eu’. O tema foi inspirado no sucesso do cantor e compositor Roberto Carlos, fazendo uma paródia sobre as condições de trabalho no banco.
Seguindo o mau exemplo do Itaú, o Bradesco também está demitindo bancários em todo o país, incluindo Brasília. Por isso, o Sindicato lançou a Campanha de Valorização dos Funcionários do Bradesco na capital federal no dia 7 de maio. Na ocasião, os dirigentes sindicais usaram a arte como elemento de protesto por melhores condições de trabalho e atendimento. O ato foi realizado na agência do Setor Comercial Sul, o Bradescão, que foi paralisada das 11h às 12h.
Somente no primeiro trimestre de 2013, o Bradesco demitiu 592 trabalhadores no país, mesmo diante do lucro de R$ 2,9 bilhões nesse mesmo período. Com as demissões, os bancários que continuam na empresa são submetidos à cobrança constante pelo cumprimento de metas cada vez mais abusivas e a situações de estresse contínuo.
Outro banco que anda demitindo é o Santander. Além dessa ‘benesse’ da instituição financeira espanhola, os bancários reclamam do déficit de funcionários nas agências, do adoecimento devido ao excesso de trabalho, decorrente dessa situação, e da pressão para o cumprimento de metas abusivas.
Contra essa política nefasta do Santander, o Sindicato está realizando uma série de atos para denunciar a postura do banco, que só pensa em aumentar seus lucros em detrimento da melhoria das condições de trabalho dos bancários. A atividade mais recente realizada pelo Sindicato ocorreu em 11 de abril, durante um Dia Nacional de Luta.
Em negociação com o banco no dia 27 de março, representantes dos trabalhadores cobraram mais contratações, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral e mudança na gestão do banco, entre outras reivindicações. Na ocasião, os dirigentes sindicais reforçaram o problema do déficit de empregados, ainda mais com as demissões em massa ocorridas em dezembro de 2012, quando foram cortados 975 postos de trabalho no país inteiro.
Confira, abaixo, a tabela com as homologações realizadas pelo Sindicato de janeiro a abril deste ano:
| Banco | Demissões sem justa causa | Demissão a pedido | Aposentadoria |
| Alfa Financeira | 1 | 0 | 0 |
| Aymoré | 1 | 0 | 0 |
| Bancoob | 7 | 5 | 0 |
| Banif Banco | 1 | 0 | 0 |
| Banrisul | 0 | 1 | 0 |
| Basa | 0 | 1 | 0 |
| BB | 8 | 73 | 118 |
| BMG | 2 | 0 | 0 |
| BNDES | 1 | 0 | 0 |
| Bradesco | 16 | 5 | 1 |
| BRB | 0 | 9 | 0 |
| BV Financeira | 3 | 0 | 0 |
| Caixa Econômica Federal | 0 | 22 | 31 |
| Citibank | 4 | 3 | 1 |
| Cooperforte | 5 | 1 | 0 |
| Fibra | 2 | 0 | 0 |
| Finame | 0 | 0 | 1 |
| Financeira Alfa | 1 | 0 | 0 |
| HSBC | 3 | 0 | 0 |
| Itaú Unibanco | 19 | 5 | 1 |
| Poupex | 11 | 3 | 1 |
| Safra | 5 | 0 | 1 |
| Santander | 9 | 10 | 0 |
| Triângulo | 0 | 1 | 0 |
| Votorantim | 1 | 0 | 0 |
| Total | 100 | 139 | 155 |
“No Itaú Unibanco e no Santander já realizamos uma série de atividades para protestar contra a alta rotatividade. Em relação aos demais bancos, incluindo os públicos, estamos preparando diversas ações para exigir respeito, compromisso da empresa e garantia do emprego”, diz o diretor do Sindicato Eduardo Araújo, ao adiantar parte da estratégia nacional de luta da categoria.
Bancos contratam menos
O sistema financeiro nacional gerou 2.876 novos empregos entre janeiro e setembro de 2012, o que representa uma queda de 84,2% em comparação com o mesmo período de 2011. Embora pequeno, o saldo positivo deve-se às contratações dos bancos públicos. Nas instituições privadas, houve fechamento de 7.286 postos de trabalho nos primeiros nove meses do ano, não contabilizadas aí as mais de duas mil demissões efetuadas pelo Santander em dezembro.
A rotatividade de mão-de-obra continua sendo utilizada pelos bancos para reduzir os salários. Nos primeiros três trimestres de 2012, o salário médio dos trabalhadores contratados foi 38,65% inferior ao dos desligados. E as mulheres continuam ganhando menos que os homens nas instituições financeiras.
Os dados são resultados do cruzamento das demonstrações financeiras dos bancos de janeiro a setembro com os resultados da 15ª edição da Pesquisa de Emprego Bancário, realizada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.
Entre janeiro e setembro, os bancos desligaram 32.073 trabalhadores e contrataram 34.949, o que resulta na criação das 2.876 vagas. No mesmo período de 2011, no entanto, o saldo positivo de empregos nos bancos foi de 18.167 postos - uma queda brusca de 84,2%.
Rotatividade reduz salários
De acordo com a pesquisa Contraf-CUT/Dieese, a remuneração média dos trabalhadores admitidos foi de R$ 2.693,79 e a dos desligados, de R$ 4.390,87 nos primeiros três trimestres - uma diferença de 38,65%. Na economia brasileira como um todo, a diferença entre a média salarial dos contratados é 7% inferior à média salarial dos demitidos.
"Isso demonstra claramente mais uma vez a estratégia cruel dos bancos de utilizar a rotatividade para reduzir a despesa de pessoal", critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
"Com lucros astronômicos, os bancos querem aumentar ainda mais seus resultados com a rotatividade, prática utilizada para reduzir a despesa de pessoal", reforça o presidente do Sindicato e da Central Única dos Trabalhadores de Brasília (CUT Brasília), Rodrigo Britto.
Sindicato está de olho
Em virtude da alta rotatividade tanto nos bancos públicos quanto nos bancos privados, o Sindicato informa que atuará em todas as instâncias para defender os direitos dos bancários e bancárias demitidos pelas instituições financeiras. Além disso, a entidade prepara grande estratégia local para frear as demissões imotivadas.
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília