Militantes e dirigentes dos sindicatos da CUT Brasília continuam atentos e atuantes contra o projeto de lei 4330, o PL da Escravidão. Nesta quarta-feira (21), cerca de 150 manifestantes CUTistas foram à Câmara dos Deputados para impedir que ocorresse qualquer golpe para levar o projeto à votação na Comissão de Constituição e Justiça antes do dia 3 de setembro.
Apesar do acordo de líderes partidários que adiou a votação do PL 4330, o relator do projeto, deputado Arthur Maia (PMDB-BA), se pronunciou dizendo que “não há garantias de que o projeto seja votado no dia 3”, indicando que o texto poderia ser colocado para apreciação da Comissão antes mesmo da data prevista. Basta para isso que qualquer parlamentar apresente requerimento à mesa da CCJ.
“A CUT Brasília e os sindicatos filiados estão atentos às ações da CCJ e vão pressionar. Ficarão em vigília para que não seja concretizado o golpe nos trabalhadores pelos empresários e seus parlamentares aliados. Queremos não só adiar a votação. Nosso objetivo é arquivar esse nefasto projeto que rouba direitos de todos os trabalhadores, dos setores público e privado”, afirma o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
A decisão de prosseguir a vigilância e a pressão sobre os parlamentares para derrubada do PL 4330 foi tomada na segunda feira (19) em plenária de dirigentes sindicais na CUT Brasília. Além disso, os sindicatos continuarão fazendo campanha para explicar à população os efeitos desastrosos do PL 4330, que flexibiliza e precariza generalizadamente o trabalho e enfraquece a organização sindical.
A Casa não é do povo
Tem sido comum a prática discriminatória contra trabalhadores na Câmara dos Deputados. Quem vai a Casa para acompanhar as decisões dos parlamentares nas votações dos projetos com intuito de defender os interesses dos trabalhadores, ao serem identificados, mesmo que apenas pelo traje, têm dificuldade de acesso à Câmara. A discriminação é ainda maior com trabalhadores e trabalhadoras com camisas da CUT.
Os casos vêm se agravando. Na manhã desta quarta-feira (21), o dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Jeferson Gustavo Pinheiro, o Jefão, que estava no corredor que dá acesso às Comissões para acompanhar os trabalhos da CCJC, foi retirado à força pela Polícia Legislativa. Justificativa: qualquer pessoa que estivesse com a camisa da CUT não poderia permanecer nas Comissões.
“É um absurdo a desigualdade de tratamento de quem utiliza a Câmara Federal. Quem representa os interesses dos empresários e da elite brasileira, é tratado como se fosse dono do Congresso, só faltam estender um tapete vermelho. Já quem representa os interesses dos trabalhadores e da população brasileira, muitas vezes, é tratado com truculência e desrespeito por parte de algumas pessoas. A CUT repudia veementemente a forma como foi tratado nosso companheiro bancário”, afirma o presidente da CUT Brasília.
Após a agressão, considerada truculenta por quem presenciou o fato, o dirigente registrou ocorrência na polícia e fez exame de corpo delito para encaminhar a denúncia contra a segurança da Câmara dos Deputados.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília