“Os direitos a moradia, educação, esporte, lazer e, principalmente, trabalho, não são usufruídos por todos. No trabalho, a discriminação é gritante e é claro que a igualdade de oportunidades não abrange todos como deveria”, apontou o presidente da CUT Brasília e do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rodrigo Britto, durante o lançamento da cartilha “Mercado de Trabalho e Igualdade Racial”. O evento foi realizado na segunda-feira (19), na sede do Sindicato dos Bancários, e faz parte da programação da Central pelo Dia da Consciência Negra, celebrado nesta terça-feira (20).
Rodrigo denunciou ainda que, nas grandes instituições do país – públicas ou privadas – o direito à cidadania plena não é dado a todos. “No Ramo Financeiro, por exemplo, percebemos pelo último estudo de diversidade que apenas 19% do quadro de colaboradores das empresas são negros”, afirma. O mesmo estudo aponta ainda que a seleção para aferir a capacidade técnica dos funcionários demonstra que muitos dos discriminados têm capacidade técnica consideravelmente superior aos que de fato ingressam nas empresas. “Está nítido que o preconceito e a discriminação existem”, afirmou.
Para chamar a atenção da sociedade para o problema do preconceito e da discriminação, a CUT Brasília já está preparando atos de rua sobre o tema. “Já estamos levando o tema para as mesas de negociação e vamos continuar cobrando do governo soluções para os problemas do preconceito e da discriminação racial”, destacou Marco Júnio, secretário de Combate ao Racismo da CUT Brasília.
História de discriminação
Os 388 anos de escravidão no Brasil foram relembrados pelo secretário da Promoção da Igualdade Racial do DF, Viridiano Custódio Brito. O reflexo desse passado ainda é percebido na sociedade brasileira. O baixo número de negros em posições de destaque, por exemplo, é consequência do racismo ainda predominante na sociedade brasileira – mesmo com 51% da população sendo negra (dados do banco de dados sobre a população negra do Brasil da Secretaria de Assuntos Estratégicos).
A política de cotas para negros em universidades públicas foi apontada por Viridiano como uma forma de indenizar essa parcela da população. “Os judeus foram indenizados pelo holocausto, os fazendeiros que perderam com o fim da escravidão foram indenizados, os presos políticos da época da ditadura foram indenizados. E os negros? Precisamos fazer um resgate desses anos de escravidão”, defendeu.
A secretária Nacional de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores (PT), Maria Aparecida da Silva Abreu, explicou que é preciso desconstruir o sistema criado para separar negros de não-negros. O mito da democracia racial, segundo ela, ainda é realidade, e o que se tenta é mascarar o problema. “Não existe discussão política de classe sem discutir questão racial. Não é possível falar sobre cotas sem debater o real motivo dessa política”, disse.
A diretora do Departamento de Defesa da Secretaria de Direitos Humanos, Deise Benedito, afirmou que é preciso realizar a construção da consciência também entre os negros. “Nós, negros, precisamos entender que somos iguais aos não-negros. Somos competentes e temos condições de ocupar espaços na sociedade tanto quanto as outras raças. Se queremos evolução, precisamos fazer parte de todo o processo e discutir. Esse é o momento, não podemos deixar passar”, destacou.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília
Copyright © 2025 Bancários-DF. Todos os direitos reservados