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5 de Outubro de 2012 às 12:53

Contraf-CUT repudia censura imposta à Folha Bancária por coligação tucana

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A Contraf-CUT repudia a censura imposta pela Justiça eleitoral de São Paulo, a pedido da coligação do candidato José Serra, à Folha Bancária, publicada há 60 anos pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e hoje com tiragem de 100 mil exemplares.

"O movimento sindical e os trabalhadores sempre lutaram pela democracia e pela plena liberdade de expressão, mesmo nos longos períodos da nossa história em que fomos silenciados por ditaduras. Por isso repudiamos essa tentativa de calar a voz dos trabalhadores, que já enfrentam uma grande desvantagem no terreno da comunicação diante do poder avassalador das grandes empresas de mídia controladas pelo capital", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Veja como foi a censura à Folha Bancária, em reportagem de Cláudia Motta, do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

"Folha Bancária, do Sindicato de São Paulo, censurada por coligação tucana

São Paulo - A Folha Bancária foi censurada. Um policial militar e uma oficial de Justiça estiveram na sede do Sindicato na noite desta quinta-feira 4, além das regionais da entidade, com ordem de busca e apreensão da última edição da FB. A representação protocolada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo (Bela Vista - Capital) na mesma quinta-feira, foi assinada pela juíza Carla Themis Lagrotta Germano, e previa inclusive ordem de arrombamento, "se necessário".

A censura teve origem em pedido da coligação do candidato José Serra (Avança São Paulo - PSDB, PSD, DEM, PV e PR) que solicitou o recolhimento dos exemplares da Folha Bancária, além da retirada da versão online do site. O mandado afirma que a "matéria denigre a imagem" de Serra.

O jornal trazia na última página reportagem que analisava as propostas e trazia o histórico dos candidatos que lideram a pesquisa à prefeitura de São Paulo: Russomano, Serra e Haddad. Também declarava o apoio da maioria da direção executiva da entidade a Fernando Haddad (PT), o único a receber e se comprometer com a Agenda da Classe Trabalhadora.

"O Sindicato tem quase 90 anos de existência e sempre lutou pela democracia e pela liberdade de expressão. Desde o ano passado estamos fazendo o debate, com os bancários, do que afeta a qualidade de vida dos trabalhadores. Além da campanha salarial e por melhores condições de trabalho, somos um sindicato cidadão se preocupa com a cidade, o estado e o país em que os trabalhadores vivem. Sabemos da importância desse debate", afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. "Os trabalhadores têm direito a analisar as propostas dos candidatos. Pode haver divergência, mas repudiamos a censura", ressalta a dirigente, lembrando que a FB coloca em prática o bom jornalismo. "Não denegrimos a imagem de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um dos candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da campanha."

Dados - O jornal Folha Bancária circula desde 1939, o site do Sindicato está no ar desde 2005. É a primeira vez que sofrem censura.

O advogado do Sindicato, Luiz Eduardo Greenhalgh, estranha o desrespeito com que a liminar foi cumprida no Sindicato. "Entraram. Foram recepcionados por funcionários do Sindicato e invadiram as dependências. Comportamento estranho, que não é a conduta costumeira da Justiça eleitoral de São Paulo", afirma. "Com relação ao mérito vamos contestar e tentar suspender a busca e apreensão."

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, está sendo usurpado o direito de informação dos trabalhadores. "Todos os veículos se expressam e respeitamos. Defendemos a liberdade de imprensa, o direito à livre manifestação e foi isso que colocamos em prática. É o nosso ponto de vista, podem concordar ou discordar, mas não censurar", ressalta o dirigente.

Revista do Brasil - Esta é a terceira vez que Serra investe contra a liberdade de expressão dos trabalhadores, quando o assunto não lhe agrada. Em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil, uma que trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a então candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições. A Revista do Brasil é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas categorias profissionais.

Cláudia Motta"

Fonte: Contraf-CUT



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