
A partir de uma série de depoimentos, aliados a impactantes imagens de arquivos, o filme Tempo de Resistência, do cineasta André Ristum, revela a história de resistência à ditadura militar (1964-1985). São relatos de quem viveu na pele as consequências do autoritarismo e da repressão, como José Dirceu, Aloysio Nunes, Franklin Martins, Leopoldo Paulino e Denize Crispim, entre outros tantos militantes da época.
O filme foi exibido na noite da segunda-feira 28, no Teatro dos Bancários, dentro da programação do Cineclube Bancário. Em seguida, foi debatido pelos professores de História Edson Rodrigues e Damião Rodrigues e pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF).
"Há uma tentativa de por panos quentes sobre esse período, mostrando que a ditadura no Brasil foi mais tranquila e suave, mas na verdade não foi, não tem como ver nenhum ponto positivo nesse parte da história", ressaltou Erika.
Para Edson Rodrigues, o assunto é delicado e por isso não é discutido abertamente na sociedade. “O tema ainda não emplacou”, afirmou. “E como emplacar? Por isso nós nos propusemos a estar aqui refletindo sobre esses acontecimentos, na procura da verdade”.
Damião Rodrigues destacou a importância da exibição do filme para as gerações futuras. “A pena que deve ser dada aos torturadores é contar para todos, jovens, adultos, crianças, todo o mal que eles fizeram durante esse período”, defendeu.
Emoção
Em um trecho do filme, o advogado e militante do PCB Vanderley Caixe chora a morte de Carlos Marighella, um dos principais organizadores da luta contra a ditadura, e fala da relação que teve com o revolucionário. Cenas como essa emocionaram a todos. O professor de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) José Carlos Coutinho relembrou sua experiência como professor da universidade na época do regime. “Não fui preso e nem torturado, mas sofri perseguições dentro da UnB por parte dos militares”.
Comissão da Verdade
A Comissão da Verdade, instalada há duas semanas pela presidenta Dilma Rousseff para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar, também foi um dos assuntos debatidos.
Para o professor Damião Rodrigues, a Comissão da Verdade tem um papel fundamental para resgatar a verdadeira história da ditadura. “Quantas pessoas não foram mortas, e agora, através da Comissão, nós temos a possibilidade de contar a verdade para nossos filhos?”, anima-se.
Com a instalação da Comissão, os sete integrantes escolhidos pela presidenta terão dois anos para apresentar um relatório com a narrativa e as conclusões sobre os crimes cometidos.
“Quantas mães não tiveram seus filhos desaparecidos nos porões da ditadura, e muitas delas vivem até hoje com a angústia de não saber o que aconteceu com eles. Foi um período de muito sofrimento e muita dor em nosso país. Nesse sentido, a Comissão da Verdade, criada pela presidenta Dilma, vai nos trazer essa paz, pois vai investigar o passado, e nós esperamos que todas as perguntas sejam respondidas por esta comissão”, aposta Erika Kokay.
Segundo o secretário de Cultura, Garcia Rocha, essas discussões são uma iniciativa do Sindicato para levantar debates sobre temas relevantes para a sociedade. “O Sindicato sempre teve forte atuação no cenário cultural de Brasília, por isso nada mais justo do que utilizar esse espaço para promover discussões de interesse social com a população brasiliense”, destacou.
Gustavo Fernandes
Colaboração para o Seeb Brasília
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