Ao mesmo tempo em que cederam à pressão do governo para que houvesse redução nos juros que são cobrados dos clientes, os bancos aumentaram os valores das tarifas cobradas pela prestação de serviços. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (INPCA-15) de maio mostram que o aumento chega a 1,66% em relação a abril, se destacando dentro da inflação de 0,51% verificada no mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com dados do Banco Central, comparando as tarifas cobradas em 2 de abril e em 14 de maio, após os cortes nos juros, mostra uma alta média de 11,88% nos preços cobrados por saques de conta corrente e poupança feitos no guichê além do mínimo gratuito permitido. Já os extratos mensais feitos no caixa ou por outras formas de atendimento pessoal tiveram alta de 14,21%.
Segundo o diretor do Sindicato Eduardo Araújo, os bancos previram a queda nos spreads bancários (diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram para conceder empréstimo) e aproveitaram a brecha na regulamentação do Banco Central para criar novos pacotes de serviços e tarifas como forma de manter a lucratividade, compensando dessa forma os efeitos dos cortes dos juros.
“Os bancos sempre foram muito criativos quando se trata de manter sua lucratividade. Nas décadas de 1980 e 1990 eles ganhavam com o overnight; na implantação do Plano Real passaram a aplicar grande parte do patrimônio nos títulos públicos e começaram a cobrar tarifas escorchantes. Como o valor da tarifa não tem a ver com o custo dos serviços prestados, com a redução da Selic e a baixa dos juros aos clientes, mais uma vez os bancos usam da criatividade para iludir e manter sua lucratividade como num passe de mágica”, explica Araújo.
Para não pagar tarifas ainda mais abusivas, os clientes devem comparar pelos serviços prestados em cada banco. “É preciso pesquisar, fazer portabilidade, reclamar no Banco Central, no Procon, no Idec , no Pró Teste. Os clientes devem exigir que o banco ofereça o pacote básico de serviços e registrar queixa sempre que cobrados de forma abusiva”, orienta Araújo.
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