Mesmo com os truques dos banqueiros e a forte pressão da mídia, maior beneficiada das propagandas das instituições financeiras, os bancários garantiram reajuste salarial com aumento real e importantes avanços nas cláusulas sociais gerais da categoria e também nos acordos específicos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BRB. Todas as conquistas só foram possíveis por dois motivos: a luta e a mobilização da categoria ao longo da Campanha Nacional 2012 e o investimento financeiro em organização, planejamento e estratégia para influenciar na construção da pauta e da unidade do movimento.
“Não é nada fácil enfrentar os bancos, que integram um dos setores mais fortes da economia. Para colocar na rua uma campanha do tamanho da dos bancários, é preciso investir fortemente em organização, planejamento, estratégia e infraestrutura”, frisa o presidente do Sindicato e da Central Única dos Trabalhadores de Brasília (CUT Brasília), Rodrigo Britto.
Quanto maior o investimento, maior a nossa chance de vitória
Entre os grandes investimentos efetuados na Campanha Nacional deste ano, inclui-se o desembolso efetivo para a realização e manutenção de 3 dias de greve no BRB, de 9 dias nos bancos privados e no Banco do Brasil e de 10 dias na Caixa.
Para montar a infraestrutura e organização da greve e das atividades de campanha, foram gastos recursos com aluguel de equipamentos de som, palcos, banheiros químicos, além da contratação de fotógrafos e divulgadores para apoio nos comitês de esclarecimentos à população e aos bancários ‘desinformados’, prestadores de serviços diversos, sem contar a aquisição de alimentação para militantes e dirigentes sindicais vinculados a entidades cutistas, participantes de piquetes, entre outras despesas.
Participação e comunicação
Muito antes da greve, o Sindicato organizou inúmeras atividades, entre reuniões nos locais de trabalho, assembleias, encontros de delegados, seminários por segmentos de bancos, os congressos específicos do BB e da Caixa, além do Congresso do Sindicato para mobilizar e construir a pauta de reivindicações da categoria.
Foram enviadas delegações de bancários de Brasília ao 23º Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil e ao 28º Conecef em junho, em Guarulhos (SP), e à 14ª Conferência Nacional dos Bancários em julho, em Curitiba, para defender a pauta local e aprovar as minutas/pautas nacionais de reivindicações da categoria, apresentadas aos banqueiros em 1º de agosto.
O Sindicato investiu pesado em material de divulgação e propaganda para a categoria e para esclarecimentos à população, com diversos anúncios nas emissoras de rádio e TV. Com o intuito de ampliar a visibilidade para nossas ações de convencimento e manifestações em praças públicas, foram confeccionados diversos panfletos, jornais, faixas, adesivos e cartazes variados, balões, contratados outdoors, carros e caminhões de som, músicos, atores e mágicos, esses chamados especialmente para compor a mídia deste ano, ‘Chega de truques, banqueiro!’.
Além dos gastos com estrutura, organização e comunicação, o Sindicato ainda poderá desembolsar grandes quantias em ações de interditos proibitórios movidas pelos bancos que ainda transitam na Justiça.
“Quem participou das atividades da Campanha Nacional 2012 sabe que é preciso investir em vasto material de mídia para dar visibilidade às nossas reivindicações. Com o slogan ‘Chega de truques, banqueiro!’, nossa campanha foi bastante compartilhada nas redes sociais e comentada nos meios de comunicação”, destaca a secretária de Imprensa do Sindicato, Rosane Alaby.
Os trabalhadores mantêm a campanha, ninguém mais
Os banqueiros, como qualquer outro patrão, detestam sindicato forte, combativo e com recursos para financiar suas lutas. Neste caso, não é demais esclarecer que os direitos não caem do céu, nem são dádivas dos bancos. São resultados de embates de classes.
A contribuição pessoal e financeira dos trabalhadores para a luta tem como objetivo ético o reconhecimento da importância da campanha salarial e da dedicação do Sindicato à causa coletiva, a conquista de melhores salários e condições de trabalho.
Uma das verbas que sustentam a atuação sindical para ampliar direitos e conquistar avanços frente aos patrões com as campanhas salariais realizadas anualmente é chamada de ‘taxa negocial’, mais conhecida como ‘desconto assistencial’. É a forma prática de cobrir as despesas extraordinárias advindas da luta coletiva, dos encontros preparatórios da pauta de reivindicações à greve.
A contribuição assistencial de 1% (um por cento) sobre o salário de todos os bancários, sindicalizados ou não, de bancos públicos e privados, foi aprovada previamente em assembleia geral da categoria após o Congresso do Sindicato, realizado em julho, dando autonomia à direção da entidade para não poupar esforços para fazer o enfrentamento com o poderio econômico dos bancos.
“O bancário é consciente dos gastos que envolvem uma campanha nacional, e certamente vai autorizar a contribuição sindical para fortalecer ainda mais nossa luta, que é diária”, destaca a secretária-geral do Sindicato, Cida Sousa. “Caso haja sobras, essas serão investidas unicamente na luta permanente que favorece os trabalhadores, e, independentemente de associação, traz benefícios a toda a categoria”, acrescenta.
A contribuição é voluntária
Os acordos 2012/2013 preveem a realização do desconto assistencial, no aditivo à CCT; e nas cláusulas 54ª do BB e 34ª da Caixa.
Os bancários que queiram fazer o pedido de oposição à cobrança devem comparecer pessoalmente à sede do Sindicato (SHCS EQ 314/315 Bloco A) no período de 19 de outubro a 1º de novembro, das 9h às 18h, munidos obrigatoriamente de crachá. Além disso, deverá entregar uma carta, em duas vias, se opondo à contribuição, na qual conste nome completo, banco, matrícula funcional com dígito, prefixo da lotação e o nome da dependência. Esses dados são exigidos pelo próprio banco e são de responsabilidade do requerente. Não será aceita solicitação por terceiros.
Da Redação
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