
Já soma 164 o número de reuniões realizadas pelos representantes dos servidores federais com o governo na tentativa de negociar o fim da greve, que já paralisou 16 órgãos e completa 38 dias nesta quinta-feira (26). Em apoio aos trabalhadores, a CUT-DF realizou na noite de quarta-feira (25) uma assembleia geral com todos os sindicatos cutistas do DF na Praça do Cebolão, no Setor Bancário Sul.

A assembleia também aprovou a plataforma de lutas da CUT-DF, que contempla interesses de trabalhadores urbanos, rurais, públicos e privados. A pauta contém 27 itens e foi construída em reunião com todos os sindicatos cutistas do DF.

A pauta de reivindicações dos servidores federais foi entregue ao Ministério do Planejamento no dia 24 de janeiro e, desde então, sindicatos tentam negociar para que o governo atenda às reivindicações. “Estão tratando nossa paralisação com truculência e sem o menor respeito, mas ninguém fala que a greve foi nosso último recurso. Passamos quase cinco meses tentando negociar com o governo, mas recebemos apenas negativas”, explica Oton Pereira Neves, secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no DF (Sindsep-DF).

O desrespeito ao direito de greve dos trabalhadores foi demonstrado pela decisão do governo de cortar o salário dos servidores que aderiram à paralisação. Doze dias de trabalho foram descontados, mas uma liminar conseguiu com que os salários fossem devolvidos. “O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, havia proposto uma trégua de 15 dias para que os salários fossem devolvidos e talvez negociar algo. Nós conseguimos na justiça a devolução sem que a greve precisasse ser suspensa”, frisou João Torquato, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho e Assistência Social no Distrito Federal (Sindprev-DF). “Isso só confirma o descaso com que o governo trata o serviço público”, destacou.
Segundo o presidente da CUT-DF e do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rodrigo Britto, o ato serviu também para reforçar o princípio de solidariedade de classe seguido pela Central e pelo Sindicato. “Nós, do Sindicato dos Bancários de Brasília, vivemos a solidariedade de classe. Por nossa base ser composta pelo setor público e privado, vivemos isso diariamente e reconhecemos que é fundamental para que a luta em defesa da classe trabalhadora seja feita de forma ampla, para contemplar todos os trabalhadores”, destacou.
Pricilla Beine
Do Seeb Brasília
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