Desde a zero hora desta quinta-feira (20), os aeroportuários de Brasília, de Guarulhos (SP) e de Campinas (SP) participam de paralisação de 48 horas pelo fim da privatização das atividades nos aeroportos e pela garantia de emprego e do acesso da população aos serviços aéreos. De acordo com os trabalhadores, as quase quatro décadas de experiência da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) na administração de aeroportos serão trocadas pela inexperiência de empresas terceirizadas, provocando a precarização dos serviços aeroportuários, fragilizando e ampliando a vulnerabilidade da segurança operacional e de voo.
Contrário à privatização dos aeroportos, o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) vê graves problemas no projeto do governo que prevê a concessão de 51% dos serviços aeroportuários para empresas privadas. Os trabalhadores argumentam que muitas atividades devem ser desenvolvidas por profissionais experientes e concursados, que participam de constante capacitação no cargo exercido.
“Ficaremos aqui até as 0h de sábado esperando um diálogo com o governo. Reivindicamos que pelo menos o edital seja suspenso. Esse texto precisa ser escrito em conjunto com os trabalhadores para que as atividades fins não sejam privatizadas”, ressalta o secretário de Saúde do Sina, Francisco Hélio de Barros.
De acordo com Sina, aproximadamente 70% dos funcionários concursados da Infraero que trabalham no aeroporto Juscelino Kubitschek aderiram à atividade.

Secretário de Saúde do Sina, Francisco Hélio de Barros
Bancários apoiam paralisação dos aeroportuários
Os bancários também participaram da manifestação no aeroporto de Brasília. O presidente do Sindicato dos Bancários, Rodrigo Britto, e a diretora Talita Régia apoiaram a atividade dos aeroportuários. “Na qualidade de entidade cutista e classista, temos de apoiar nossos colegas na luta por garantia do emprego decente e para que a população possa continuar tendo acesso aos serviços aeroporturários do país”, afirma Britto.
O Sina alerta que vários itens do atual edital proposto pelo governo prejudicam os trabalhadores e a sociedade. Esse modelo de concessão dos serviços aeroportuários à iniciativa privada tem trazido consequências negativas, tais como alteração do regimento interno da Infraero que permitirá que os trabalhadores concursados sejam demitidos sem justa causa, transferência dos trabalhadores para outros estados, aumento do preço dos serviços, entre outros pontos.
O governo federal justifica que a privatização dos aeroportos no Brasil é necessária para atender as exigências para comportar o grande fluxo de passageiros durante a Copa do Mundo de Futebol (2014) e as Olimpíadas (2016). Apesar da privatização, o financiamento para a compra dos aeroportos será feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal.
“É o dinheiro público indo para empresa privada. São milhões de reais que estão sendo repassados e nós não estamos participando ativamente dessas discussões. Nós, aeroportuários, temos experiência na área e estamos preocupados com o rumo que a situação está seguindo. A privatização geral precariza o trabalho e poderá segregar a população no acesso aos serviços. A iniciativa privada vai priorizar o lucro acima de tudo, enquanto os serviços devem ficar mais caros e precários”, observa o diretor do Sina Samuel dos Santos.
Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília
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