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17 de Novembro de 2011 às 11:25

50 anos de um Sindicato forte, independente, democrático e combativo

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Carta de criação do Sindicato em 1961

Em seus mais de 18 mil dias de história – o que totaliza cinco décadas –, o Sindicato dos Bancários de Brasília se consolida como peça fundamental do movimento sindical bancário brasileiro. Nascida oficialmente em 23 de novembro de 1961, a entidade se orgulha de chegar à maturidade forte, independente, democrática e combativa.

Em nome dos direitos da categoria bancária, incluindo o de organização, e por uma sociedade mais justa e igualitária, o Sindicato, em seus cinquenta anos, travou muitas e árduas batalhas. Batalhas que resultaram na criação de um dos sindicados mais atuantes do país e que se tornou por isso mesmo em referência para o conjunto dos trabalhadores.

“Quando nós começamos o movimento de formação do Sindicato, havia cerca de 400 bancários aqui em Brasília. Pessoas de vários bancos, mas a maioria trabalhava no Banco do Brasil. O Sindicato foi fundado em 23 de novembro de 1961, foi quando nós conseguimos a Carta Sindical [emitida pelo Ministério do Trabalho]”, contou Adelino Cassis, um dos fundadores e o primeiro presidente do Sindicato.

Cassis faleceu em 31 de julho deste ano, mesmo dia do encerramento da 13ª Conferência Nacional dos Bancários, ocorrida em São Paulo. Na ocasião, recebeu homenagem com a exibição de um vídeo, feito pelo Sindicato, para a plenária do evento. Sob aplausos, os bancários encerraram a conferência emocionados.

Antes da existência do Sindicato, os bancários se organizavam na Associação dos Bancários, com sede no que viria a ser a 712 Sul. Em 1962, o Sindicato já atendia a categoria no edifício Arnaldo Villares, no Setor Comercial Sul, onde hoje fica o Sindicato dos Urbanitários (STIU-DF). “À época, Brasília ainda era carente de muitas coisas, por isso na sede do Sindicato funcionavam também um restaurante, uma clínica geral e um consultório odontológico”, lembra Édio Custódio, bancário aposentado do BB, diretor da primeira gestão do Sindicato e um dos responsáveis pela montagem da primeira sede.

 

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Carteirinha de filiação de Édio Custódio, um dos primeiros sindicalizados

Em 1963, o Sindicato já mobilizava e organizava uma das primeiras greves dos funcionários do Banco do Brasil. Com o Setor Bancário Sul (SBS) ainda em construção, a entidade improvisava, sob estacas de madeiras, o planejamento da luta. No mesmo ano, o Sindicato também apoiou a greve dos barbeiros de Brasília. “Desde aquela época já trabalhávamos com a solidariedade de classes, um dos princípios da CUT mantido até hoje com o apoio à luta de outros trabalhadores”, afirma o presidente do Sindicato, Rodrigo Britto.

Da mesma forma que várias outras entidades de classe, grupos estudantis, partidos políticos, o Sindicato, seus militantes e filiados foram duramente reprimidos durante a ditadura militar (1964-1985). Entre 1964 e meados dos anos 1970, o Sindicato foi controlado por interventores nomeados pelos militares, que conduziam no dia a dia a política de atrelamento da entidade ao regime político em vigor.

Mesmo durante o regime militar, o Sindicato apoiou, entre 1983 e 1984, o Diretas Já, movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil.

Em 1985, os bancários fazem a primeira greve nacional pós-64, uma das maiores da história da categoria, e conquistam reposição de perdas salariais.

Paralisação nacional

No ano seguinte, os empregados da Caixa fazem uma paralisação nacional, são reconhecidos como bancários (antes eram denominados economiários) e conquistam a jornada de 6 horas. O Sindicato de Brasília desempenha papel importante nesses avanços. Com sucessivas paralisações, os bancários voltam a obter novas conquistas e se transformam na primeira categoria do país com data-base e unidade nacionais.

foto: Wilson de Moraes

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Greve dos bancários em 1986

Em 1986, forte aparato policial tentou, em vão, intimidar os bancários do Bradesco. Dois anos depois, grande repressão tentou impedir os bancários do BRB de cruzarem os braços. Com o apoio do Sindicato, os trabalhadores continuaram com o movimento.

Apoio total ao impeachment

Na década de 1990, o movimento sindical trava uma dura luta de resistência contra as políticas neoliberais impostas primeiro pelo então presidente da República Fernando Collor e aprofundadas pelos dois governos de Fernando Henrique Cardoso.

foto: Wilson de Moraes

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Movimento pelo impeachment de Collor

Em 1992, o Sindicato usou toda a sua capacidade de mobilização na campanha pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. A entidade foi uma das primeiras a defender e apoiar o processo de impugnação de mandato de Collor. Além das denúncias de corrupção, o então presidente aprofundou a recessão econômica, corroborada pela extinção, em 1990, de mais de 920 mil postos de trabalho e uma inflação na casa dos 1.200% ao ano. O processo de impeachment, antes de aprovado, fez com que o Collor renunciasse ao cargo em 29 de dezembro de 1992. Collor ficou inelegível durante 8 anos.

Filiação à CUT

Em fevereiro de 1991, o Sindicato filia-se à CUT. Desde o então, os bancários de Brasília integram a maior central sindical do Brasil, da América Latina e a 5ª maior do mundo, com 3.438 entidades filiadas, 7.464.846 trabalhadoras e trabalhadores associados e 22.034.145 trabalhadoras e trabalhadores na base.

foto: Wilson de Moraes

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Filiação do Sindicato dos Bancários à CUT em fevereiro de 1991

Entre seus princípios, a CUT defende a liberdade e autonomia sindical com o compromisso e o entendimento de que os trabalhadores têm o direito de decidir livremente sobre suas formas de organização, filiação e sustentação financeira, com total independência frente ao Estado, governos, patronato, partidos e agrupamentos políticos, credos e instituições religiosas e a quaisquer organismos de caráter programático ou institucional.

Neoliberalismo

Contra a abertura comercial desenfreada, as privatizações e a desregulamentação selvagem dos direitos sociais, trabalhistas e sindicais, o Sindicato foi para as ruas protestar.
Em 1999, durante campanha em defesa da Caixa Econômica Federal, o Sindicato realiza atos contra o governo. Graças a uma intensa campanha, que contou com o grande apoio dos bancários e de outras categorias, o Banco do Brasil e a Caixa não foram privatizados.

foto: Wilson de Moraes

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Ato em defesa da Caixa em 1999


Nova sede
Em 1995, o Sindicato inaugura sua nova sede, na EQS 314/315. Construída com o esforço dos bancários, a nova ‘casa’ dos trabalhadores tem área construída de 3.720 metros quadrados, o que propicia mais conforto para os associados.

foto: Wilson de Moraes

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Nova sede do Sindicato dos Bancários em construção

“Chegamos aos nossos 50 anos de existência com enormes conquistas para os bancários, como os reajustes acima da inflação, além das cláusulas sociais que vêm melhorando significativamente a vida dos trabalhadores do ramo financeiro. Os 25 mil bancários e bancárias do Distrito Federal precisam conhecer a história do Sindicato para poder dar prosseguimento ao ideal de lutas que deu certo”, destaca Rodrigo Britto.

Livro

Para marcar o seu 50º aniversário, o Sindicato lança nas próximas semanas um livro com os principais fatos que marcaram sua história. Organizada pelas pesquisadoras da Universidade de Brasília (UnB) Nair Heloísa Bicalho Sousa e Marcia de Melo Martins Kuyumjian, a publicação está repleta de fotos e informações detalhadas das cinco décadas do Sindicato dos Bancários de Brasília. O livro deve ser lançado em breve e todos os bancários e bancárias do Distrito Federal serão convidados para compartilhar esse momento ímpar de uma das mais importantes entidades sindicais do país.

Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília

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