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24 de Dezembro de 2010 às 11:08

Vítima de preconceito racial em banco faz denúncia à Secretaria da Igualdade Racial

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A discriminação racial ainda é comum no ambiente bancário e atinge não só bancários mas também clientes e usuários. Foi o que aconteceu a Maria Juçá Guimarães, negra, barrada na porta giratória de uma agência do Banco do Brasil em novembro de 2009, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Além de ser barrada, Maria foi atingida pela porta, que lhe feriu o rosto.

 

Após o ocorrido, ela encaminhou uma denúncia de discriminação racial à Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Governo Federal, dirigida ao ministro Edson Santos. Em sua denúncia, Maria também relata o caso da cliente negra Juliana Ferreira, barrada em uma agência do Santander. A denúncia foi acatada pelo órgão, que abriu processo e enviou cópias do documento para a Contraf-CUT, para o Procurador Geral da República e Procurador Geral do Trabalho, além do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e de Brasília. O intuito é que as entidades participem de solução conjunta “para fazer cessar discriminação racial de afrodescendentes nas portas giratórias”.

 

“O Sindicato repudia episódios dessa natureza e cobra dos bancos a adoção de medidas que evitem esse tipo de discriminação, como uma melhor capacitação dos vigilantes. Essa, aliás, é uma postura histórica do movimentosindical bancário”, afirma Eduardo Araújo, bancário do BB e diretor do Sindicato.

 

Manifesto

 

O envio da decisão ao Sindicato, à Contraf-CUT e à outras entidades é parte de uma articulação feita pela Seppir e por militantes do movimento negro com o objetivo de por fim a práticas discriminatórias nos bancos.

 

Juntamente com entidades do movimento negro, o grupo cultural carioca Circo Voador criou o Manifesto Porta na Cara, que tem por objetivo combater as práticas discriminatórias no ambiente bancário brasileiro. A fim de publicizar e provar a ocorrência de discriminação racial nos bancos, o Circo Voador preparou um vídeo que explicita a ocorrência desse tipo de prática.

 

O vídeo e o manifesto foram motivados pelo assassinato de Jonas Eduardo Santos de Souza, microempresário, negro. Ele foi morto em 2009 por um vigilante, dentro de uma agência do Itaú, banco do qual era correntista havia mais de dez anos.

 

No vídeo, é preparada uma mochila contendo chaves, celular e moedas. A seguir, o produtor Lucas Louzada, branco e de olhos claros, passa com a referida mochila através da porta giratória de uma agência do Itaú no bairro da Glória, no Rio, em menos de 11 segundos. Logo depois, as imagens mostram a tentativa de Mc Xackall, negro, de passar pela mesma porta. Quando MC Xackall, negro, tenta entrar com a mesma mochila, a porta é travada. Depois de ter retirado todos os objetos e tirar a camisa para provar que não estava armado, Xackall saiu da agência para não atrapalhar a fila que se formava do lado de fora. O processo levou 1:35 minuto.

 

O vídeo está disponível no Youtube. Acesse: www.youtube.watch?v=LQee_J0K4BY

Assine o Manifesto Porta na Cara: www.petitionline.com/porta/petition.html.

 

Pricilla Beine
Do Seeb Brasília

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