Contraf-CUT
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) denunciaram os bancos à filial brasileira da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no último dia 31, em Brasília, por violação de convenções internacionais assinadas pelo Brasil e da Constituição Federal, ao usarem o interdito proibitório contra as greves dos bancários.
Os trabalhadores evocam o Direito de Greve previsto na Convenção 98 da OIT para contestar o uso do interdito. A convenção é ratificada pelo Brasil e versa sobre a Liberdade Sindical e a Proteção do Direito Sindical. A OIT encaminhará agora a denúncia ao governo brasileiro, para que proceda à investigação da reclamação dos bancários.
"Essa denúncia internacional apresentada contra os bancos pelos trabalhadores brasileiros foi um passo importante em nossa luta para acabar com essa prática autoritária e antissindical, que viola o princípio constitucional do direito de greve", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, que participou da entrega do documento à OIT. "Esperamos agora que o governo brasileiro apure a denúncia contra esse abuso dos bancos."
Também participaram do ato de entrega da denúncia o secretário de administração e finanças da CUT, Vagner Freitas, o secretário-geral da Fetec-SP, Pedro Sardi, e a secretária-geral do Sindicato de São Paulo, Juvândia Moreira.
Interdito inviabiliza direito de greve
As Convenções 87 e 95 da OIT dizem respeito à liberdade sindical, à proteção do direito sindical e o respeito às negociações coletivas. O uso do interdito contraria essa norma internacional, na medida que impõe barreiras contra o direito dos trabalhadores de se organizarem livremente e de se manifestarem por seus direitos. O interdito também desrespeita o Direito de Greve, que é garantido na Constituição Federal.
No documento entregue à OIT, as entidades sindicais afirmam que "as liminares concedidas pela Justiça brasileira, nos casos dos interditos proibitórios, acabam por retirar a possibilidade de os trabalhadores utilizarem instrumentos pacíficos para exercer o Direito de Greve, inviabilizando na prática a concretização deste, ficando os bancários privados da possibilidade de utilização de um instrumento que este comitê considera fundamental".
"Os bancos brasileiros têm usado, para comprovar supostas ameaças à posse de suas agências, exemplares do jornal do Sindicato dos Bancários que convocam as manifestações, além de fotos e até vídeos dos piquetes realizados em frente às agências. Ora, tal documentação, anexa a esta reclamação, de maneira alguma comprova qualquer ameaça à posse. As fotos e vídeos mostram apenas trabalhadores grevistas empunhando faixas que contêm as suas reivindicações, conversando pacificamente com a população, sem qualquer indício de violência em tais manifestações", acrescenta a carta.
Violência policial
A reclamação cita ainda a truculência da Polícia Militar paulista, enviando vídeo de episódio ocorrido na Campanha Nacional de 2009, onde o tenente da PM de São Paulo João Dmytraczenko e seus comandados agrediram um grupo de trabalhadores que pacificamente se manifestava em frente a uma agência do Santander Real na rua Boa Vista.
O documento à OIT denuncia ainda a atuação da polícia do Rio de Janeiro contra grevistas.
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