O Sindicato esteve presente nesta quarta-feira 27 à audiência pública na Câmara dos Deputados para debater a diversidade no mercado de trabalho bancário, principalmente em relação à inclusão de mulheres, homossexuais, negros e deficientes. O objetivo foi retomar as ações do Grupo de Trabalho criado em 2006 para analisar a presença e a situação desses segmentos nos bancos, no processo denominado Pacto da Diversidade.
As diretoras Rosane Alaby e Maria Aparecida Sousa representaram o Sindicato no encontro, que contou ainda com a presença de representantes do movimento negro e do poder público. Alegando problemas de agenda, a Federação dos Bancos (Febraban) não enviou nenhum representante, contrariando a expectativa de que os bancos apresentassem os resultados do Mapa da Diversidade, pesquisa realizada no ano passado com mais de 200 mil bancários de todo o Brasil. O movimento sindical reivindica esta auditoria desde os anos de 1990.
Após as primeiras reuniões do Grupo de Trabalho, foi definido que seria realizado um mapeamento detalhado, em cada instituição bancária, da presença de negros, mulheres e deficientes no universo de trabalhadores deste setor. O mapeamento foi concluído e o resultado ainda não foi divulgado para as entidades envolvidas, tais como a própria Contraf-CUT.
“A reivindicação nasceu quando o movimento sindical denunciou à Fenaban que havia discriminação nos locais de trabalho e que as contratações eram desiguais. Os bancos, entretanto, negaram a discriminação e desafiaram a provar. Foi publicado então o 'Rosto dos Bancários', uma pesquisa realizada pelo Dieese em 2001 que comprovava toda a discriminação denunciada”, destacou a diretora do Sindicato Rosane Alaby.
De posse dessa publicação, o Ministério Público do Trabalho resolveu procurar os bancos para garantir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não houve concordância por parte das instituições financeiras. O MPT, então, entrou na Justiça contra cinco bancos (Itaú, Bradesco, ABN, Unibanco e HSBC) por discriminação coletiva, e o movimento negro conseguiu arrancar uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em meados de 2005. A audiência rendeu reuniões permanentes que perduram até hoje.
A Comissão também institui um grupo de trabalho sobre o assunto, que funcionou até abril de 2007 e teve a participação de representantes da Febraban, entidades do Movimento Negro, do Ministério Público Federal do Trabalho, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do movimento sindical bancário.
“Basta olharmos para a realidade dos bancos para atentarmos para a importância do tema e a necessidade de uma nova política para reverter esse quadro de discriminação”, resumiu a diretora do Sindicato Maria Aparecida, citando as dificuldades de ascensão das mulheres na carreira, que sofrem ainda com salários mais baixos que os homens e estão em sua grande maioria trabalhando nos call centers.
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