A I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) convocada este ano para dezembro pelo presidente Lula está mobilizando a sociedade civil e os movimentos sociais Brasil afora para o debate de questões cruciais relativas à comunicação. Em Brasília, várias entidades vêm realizando suas etapas próprias em preparação ao encontro nacional, nas quais se discutem ideias e se fortalecem propostas sobre o tema que, ao fim, serão levadas à Confecom. Assim como as universidades (Universidade de Brasília e Universidade Católica de Brasília já encerraram suas discussões) e outras entidades, a CUT-DF também promoveu sua rodada de debates, na Conferência Livre de Comunicação da CUT-DF, da qual participou o Sindicato dos Bancários. O evento foi realizado nos dias 21 e 22 de outubro.
Também estiveram presentes à Conferência da CUT/DF regional professores ativistas da área de comunicação, representantes de sindicatos de Brasília, como o SINPRO e SINDJUS, do movimento negro e LGBTT, entre outros. Os grupos trouxeram resoluções tiradas em suas próprias conferências e seminários como contribuições à Confecom.
Antonio Eustáquio, secretário de imprensa do Sindicato dos Bancários, participou da mesa sobre comunicação sindical, na tarde do dia 22. Ele enfatizou o progresso que vem sendo feito no uso dos chamados novos meios de comunicação. “As rádios comunitárias vêm se mostrando um meio válido para promover a articulação e o contato com as nossas bases. No caso específico da nossa categoria, a comunicação feita pela internet também é de grande importância.”
A mídia hoje
“Ao longo da história, a mídia aparece sempre ligada ao poder. Quem detém o controle político acaba detendo também o controle da comunicação. Por isso, não devemos achar que a Confecom vá garantir uma ‘virada de mesa’ na situação da mídia brasileira. Entretanto, não se pode desconsiderar a validade da iniciativa, que já é extremamente importante por promover espaços de diálogo como este”, asseverou Hélio Doyle, professor de comunicação da UnB.
O debate da CUT/DF contou com mesas sobre vários temas, como TVs e rádios comunitárias, democratização da comunicação e respeito às diversidades. O texto provisório da Conferência da CUT/DF ressalta a importância da criação de políticas públicas que orientem uma comunicação voltada para a programação educativa e que valorize a cultura nacional e regional, ao contrário do que ocorre atualmente. “Existe hoje na mídia um enfrentamento entre dois projetos: um, ligado aos Estados Unidos, que preconiza o estado mínimo e o controle da mídia pelos oligopólios privados, e outro que defende uma mídia apoiada pelo poder público e voltada para as demandas da sociedade”, sustentou Beto Almeida, da TV Cidade Livre.
Alternativa
A Conferência Nacional é a primeira iniciativa do gênero, por parte do poder público, para a criação de políticas públicas para a área de comunicação. A convocação da Conferência Nacional reflete a necessidade urgente de reforma do modelo da comunicação brasileira hoje vigente, que se caracteriza pela hegemonia da mídia corporativa, na forma de uma verdadeira ditadura eletrônica.
Inseridas num panorama nacional, as propostas da Conferência da CUT vão ao encontro daquelas aprovadas pelo Seminário Nacional de Comunicação das centrais sindicais - CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CGTB e NCST, realizado no dia 21 último em São Paulo.
"Basta dizer que entidades ligadas à área de Saúde realizaram 13 conferências, e numa delas nasceu o Sistema Único de Saúde", disse o jornalista Altamiro Borges na abertura daquele Seminário, ilustrando a importância da I Confecom para o País.