Trabalhadores de diversas categorias (dos correios, servidores, bancários, educadores, aeroviários e outros), realizaram atividades em todo o Distrito Federal nesta sexta-feira (30), primeiro dia da Jornada de Lutas da Classe Trabalhadora, que vai até o dia 5 de setembro. A concentração de ações neste período tem como objetivo a busca por avanços e o fortalecimento da pauta nacional e regional da classe trabalhadora, aprovada em assembleia geral no dia 5 de junho, além do arquivamento do PL 4330, que precariza relações de trabalho e acaba com direitos trabalhistas.
Pela manhã desta sexta-feira (30), os trabalhadores dos Correios realizaram ato em frente à sede da empresa para protestar por melhores condições de trabalho e denunciar a falta de vontade da empresa em negociar. “Aproveitamos as diversas manifestações que foram realizadas neste dia 30 para dar visibilidade à nossa luta”, afirma o dirigente do Sintect-DF, sindicato que representa a categoria, Jovan Sardinha. Na próxima quinta-feira, dia 5 de setembro, os trabalhadores dos Correios realizarão assembleia com indicativo de greve para o dia 17 de setembro.
Também pela manhã, os aeroviários realizaram manifestação em frente ao Terminal II do Aeroporto Internacional de Brasília. A categoria reivindicou a criação de estacionamento para todos os servidores do aeroporto (aeroviários, aeroportuários, aeronautas, bancários, vigilantes), que hoje, se quiserem estacionar, são obrigados a pagar mensalidade de R$ 80, devido à privatização dos estacionamentos. “Nós não queremos pagar para trabalhar. Estamos deixando nosso carro no barro, em lugares escuros, sob risco de nosso carro ser guinchado ou até de sermos assaltados”, afirma o dirigente do Sindicato dos Aeroviários - Sindaero-DF, Luciano de Oliveira.
Servidores mobilizados
No primeiro dia da Jornada de Luta da Classe Trabalhadora, servidores públicos federais no DF também paralisaram atividades. Os servidores do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário cruzaram os braços e se juntaram aos servidores do Hospital das Forças Armadas e do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que já estão em greve pela reestruturação da carreira. “Estamos juntos e unidos para que o governo passe a atender às necessidades do povo brasileiro. Essa Jornada é extremamente importante para resolver os problemas do povo que é uma demanda reprimida por serviços públicos. Esse conjunto de lutas vai fazer com que o governo mude sua postura e passe a nos atender”, opina Oton Pereira, presidente do sindicato que representa a categoria, o Sindsep-DF.
Ao meio dia, dezenas de servidores públicos participaram do debate sobre o PL 4330, realizado no Espaço do Servidor, na Esplanada dos Ministérios, quando se demonstrou como o projeto ataca o setor público, prejudicando carreiras, acabando com concursos, transferindo serviços a subcontratados ou contratados a título precário e afetando a qualidade dos serviços.
Os bancários, apesar de não terem paralisado as atividades, também participaram das ações realizadas nesta sexta-feira. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, dialogou com os servidores públicos federais sobre os prejuízos do PL 4330, e afirmou que os banqueiros são um dos grandes interessados neste projeto.
“Os empresários na comissão quadripartite estão sendo liderados pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e eles sabem que a terceirização gera lucro. Por exemplo, um trabalhador das lotéricas, que prestam serviços para os bancos, ganha, em média, 75% a menos do que ganha um bancário. O projeto flexibilização vem para reduzir o custo das empresas, ampliar a precarização e gerar mais lucros às empresas. Não se teve um empresário na CCJC (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) contrário a este projeto que terceiriza atividades fins e possibilita o repasse infinito de prestação de serviços. Então, isto deixa claro que neste projeto só interessa às empresas”, dignostica.
Setores da UnB também tiveram os serviços paralisados com a adesão dos servidores técnico-administrativos à Jornada de Lutas. “É preciso que unifiquemos não só a nossa pauta, mas a nossa luta. Só assim conseguiremos disputar espaço com empresários e enfrentar o governo”, disse o coordenador geral do Sintfub, sindicato da categoria, Mauro Mendes, que também é dirigente da CUT Brasília.
Acampamento pela Educação
Ainda no primeiro dia da Jornada de Lutas da Classe Trabalhadora, foi lançado o acampamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, em frente ao Congresso Nacional. A atividade pressiona a votação do Plano Nacional de Educação (PNE) no Senado, além de reivindicar outras pautas que dialogam com o conjunto da classe trabalhadora.
Entre elas estão a retirada do PL 4330 da CCJC da Câmara; redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários; fim do fator previdenciário; e Reforma Agrária. “Nós queremos que outros trabalhadores e a sociedade, de uma forma geral, percebam a nossa ação e se junte a nós. Nós passaremos o mês de setembro todo agindo dentro do Senado, para cobrar dos senadores a responsabilidade deles com a votação do PNE, que está engavetado. Então é necessária a participação de todos, pois a educação pública deste país é responsabilidade de todos nós”, explica a dirigente do Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do DF), Rosilene Correa.
Programação de atividades
Neste sábado e domingo (31/08 e 1º/09), a CUT Brasília, dará continuidade à Jornada de Lutas da Classe Trabalhadora com panfletagem de materiais sobre o PL 4330 em feiras públicas do DF e entorno. Confira abaixo as atividades que a Central e os sindicatos de base realizarão até o dia 5 de setembro.
Sábado e domingo, 31/08 e 1º/09
9h às 18h – Congresso dos trabalhadores dos Correios, na sede da Contag;
Durante o dia – Panfletagem de materiais sobre o PL 4330 nas feiras públicas do DF e entorno
Segunda-feira, 2/09
10h – Sinprefor – Assembleia com indicativo de greve dos servidores públicos municiais de Formosa (GO);
Terça-feira, 3/09
10h – Orai e Vigiai – Vigília na CCJC contra o PL 4330;
Tarde – Entrega de documento à presidência da República sobre Reforma Agrária;
Quarta-feira, 4/09
9h – Sindetran-DF – Assembleia dos servidores do Detran-DF com indicativo de greve, em frente à sede do Detran;
9h – Sintfub – Assembleia dos servidores técnico-administrativos da UnB, com indicativo de greve, na Praça Chico Mendes;
10h – Orai e Vigiai – Vigília na CCJC contra o PL 4330;
À tarde – Marcha do Movimento Agrário, do Congresso Nacional ao Palácio do Buriti;
De 2 a 5 de setembro – Campanha Salarial dos Bancários, com diversos atos em agências de todo o DF.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília