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28 de Agosto de 2009 às 13:54

O Sindicato vai à Universidade de Brasília

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Por Vitor Barros Rego
Psicólogo do Gepsat


A parceria entre Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários e o Grupo de Estudos e Pesquisas em Saúde do Trabalhador (Gepsat) – coordenado pela Professora Doutora Ana Magnólia Mendes, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília -, vem obtendo bons resultados e êxitos. Em abril deste ano, o Sindicato apoiou o I Congresso de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho, que trouxe discussões pertinentes acerca das transformações das relações de trabalho e dos processos de adoecimentos no trabalho. Há três anos foi iniciado o projeto de Clínica do Trabalho com lesionados por LER/DORT no trabalho bancário. É uma técnica aprimorada de estudos, que se iniciaram na França, cujo objetivo é resignificar experiências adversas no trabalho e seus danos à saúde dos trabalhadores.

Conceição Costa, diretora da FETEC-CN, secretária de saúde da CUT-DF e os colegas do Grupo puderam experimentar algo novo no mês de junho: proferiram uma palestra aos alunos da disciplina Psicologia Aplicada à Administração, que é ofertada na graduação pelo Instituto de Psicologia. A palestra teve como objetivo expor a doença, o processo de adoecimento, sintomas, rotinas após adoecimento.

Os alunos receberam com muita curiosidade e surpresa os relatos dos palestrantes por verem a gravidade da doença, seus sintomas contínuos e dificuldades diárias com situações corriqueiras, como lavar louças ou cozinhar. Além disso, demonstraram indignação quando souberam da dificuldade em provar doenças do trabalho para o INSS, do despreparo dos chefes e colegas de trabalho e do desrespeito por parte dos departamentos de Recursos Humanos dos bancos. No entanto, o mais importante para os palestrantes foi sensibilizar uma nova geração de profissionais a não dar continuidade às violências diárias do trabalho bancário que são escondidas por meio de ameaças ou benefícios, como gratificações financeiras ou simbólicas.

Para os palestrantes, o sentimento de utilidade foi novamente possível, pela abertura para serem ouvidos e compreendidos em suas dores, dificuldades e orientações acerca do trabalho bancário. Estas tiveram o tom de alerta sobre aspectos pouco visíveis nas atividades, como a alta competitividade e a cobrança por resultados que superem as metas estabelecidas em prol de uma dinâmica de ganhar, ganhar, ganhar. No entanto, por meio desta palestra, os alunos também puderam entender que, para todo vencedor, existe um grupo muito maior de perdedores. No caso dos lesionados, seus desempenhos eram exemplares quando trabalhavam, mas, por um senso de responsabilidade somado a um ambiente de trabalho com forte pressão por melhores resultados, suas perdas foram na vida social e cotidiana.
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