A manifestação reuniu aproximadamente 50 mil pessoas em busca da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuição de salários, e outras questões importantes de interesse do trabalhador. “É muito importante a ratificação das convenções 158 (demissão imotivada) e 151 (liberdade de organização e expressão dos servidores) da OIT. A redução da jornada de trabalho é uma luta histórica dos bancários. Hoje, essa medida poderia garantir a abertura de mais de 2 milhões de novos empregos, possibilitando melhor distribuição de renda”, afirma Rodrigo Britto, presidente do Sindicato.
A concentração saiu do estacionamento do estádio Mané Garricha em caminhada até o Congresso Nacional. A chuva na altura da Esplanada dos Ministérios não foi capaz de desanimar os participantes, que continuaram firmes para pressionar o governo federal e o Congresso a incluir as pautas dos trabalhadores no Orçamento e nos planos do próximo ano.
Durante a caminhada a população também pôde conhecer um pouco mais da lista de reivindicações dos trabalhadores e de abusos das entidades patronais. “Há questões que interferem na vida de todos como a aprovação da PEC sobre trabalho escravo, a luta contra os juros altos nos bancos, criação de um fundo de desenvolvimento para combate à fome, à miséria e à pobreza e outros pontos”, ressalta Arthur Henrique, presidente da CUT Nacional.
No fim da marcha, os trabalhadores pararam em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para protestar contra o uso do interdito proibitório, instrumento que a Justiça concede para frear a mobilização e tentar criminalizar os movimentos sociais. Durante a greve dos bancários, os patrões tentaram coagir a categoria usando desse artifício, mas a resposta ao ato foi à mobilização histórica desenvolvida em 2009.
Protestos contra bancos privados
Os empregados dos bancos privados aproveitaram a Marcha para protestar contra a falta de responsabilidade social dos patrões. Por meio de faixas e cartazes, exigiam quer as instituições financeiras, mesmo não estando integradas ao programa Empresa Cidadã, garantissem a licença-maternidade de 180 dias conquistada no acordo coletivo deste ano. “Esperamos que os bancos tenham bom senso e se filiem ao programa. Mesmo que não se integrem a ele, garantam o benefício que já existe do governo federal e nos bancos públicos. É uma questão de valorização da trabalhadora”, diz Rosane Alaby, diretora do Sindicato.
Nesta quinta-feira, 12 de novembro, os bancários pretendem entregar uma carta a parlamentares no Congresso Nacional para convencê-los a participar dessa luta pela garantia da ampliação da licença maternidade.
Os funcionários do HSBC seguiram na manifestação indignados com o pagamento da PLR reduzida. O banco classificou grande parte do volume do dinheiro emprestado no primeiro semestre como crédito duvidoso. Isso significa uma redução de R$ 2,1 bilhões para R$ 250 milhões a parte do lucro líquido a ser distribuída a título de PLR aos empregados. “Levamos faixas denunciando o descaso do banco inglês e vamos continuar com ações de protesto contra essa situação. Queremos que o HSBC respeite o trabalhador brasileiro”, conta Paulo Frazão, diretor do Sindicato.
Audiências com Temer e Sarney
Enquanto as lideranças sociais ainda comandavam o ato político em frente ao Congresso, os presidentes e outras lideranças das seis centrais sindicais foram recebidas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Ele recebeu a pauta de reivindicações da 6ª Marcha.
Questionado sobre a redução da jornada sem redução de salário, cuja PEC está à espera de votação em plenário na Câmara, Temer afirmou: "É uma matéria polêmica, não há dúvida. Simplesmente marcar uma data para votação em plenário não dá certo. O que eu quero é fazer sentar deputados que representam o grupo contrário à medida e os favoráveis, mais as centrais sindicais, e encontrar um caminho para encaminhar o tema com entendimento entre os líderes partidários".
Temer prometeu instalar uma espécie de comissão de deputados e centrais para elaborar uma forma de encaminhar a PEC ao plenário com grande possibilidade de aprovação.
Já o presidente do Senado, José Sarney, em uma audiência relâmpago - alegou compromisso inadiável - prometeu colocar a ratificação da convenção 151 para votação, com prioridade. A 151, que estabelece a negociação sindical e coletiva permanente no serviço público, já foi ratificada pela Câmara.
Fonte: Seeb-DF com Contraf-CUT, CUT e Seeb-SP
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