Também denominado ‘bullying’ no trabalho e psicoterrorismo, o assédio moral é um dos graves problemas que atingem parte dos 450 mil bancários em todo país. O aumento da prática, cada vez mais recorrente tanto nos pequenos municípios quanto nas grandes cidades, mostra que é preciso uma série de medidas para conter o avanço desse mal nas repartições públicas e privadas. Em virtude do elevado número de pessoas assediadas no território nacional, o assunto foi abordado em reportagem publicada pela revista IstoÉ nesta semana, que destaca o crescimento de uma variável do assédio, o chamado assédio horizontal, aquele praticado entre colegas.
A reportagem da revista entrevistou a psicóloga gaúcha Mayte Raya Amazarrai, que defendeu uma tese de doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre o bullying entre bancários, uma das categorias mais afetadas pelo problema, segundo o próprio texto de Isto É. Mayte entrevistou 600 profissionais em duas etapas.
Em um primeiro momento, apresentou várias situações típicas de assédio e perguntou se a pessoa passava por aquilo com frequência. Em seguida, questionou: você é vítima de assédio moral? Um terço afirmou passar por situações de assédio semanalmente. Mas só 7% afirmaram que sofriam assédio moral de fato. “Isso comprova que eles acham que as perseguições e humilhações fazem parte do jogo e que, se não se submeterem, serão vistos como fracos ou maus profissionais”, explica a pesquisadora na reportagem.
Além da pesquisadora, a revista conversou com a bancária Cassandra Martins, 32 anos, de São Paulo, vítima do assédio de seus colegas. Ela, segundo o texto, tem seguidas crises de ansiedade e engordou 12 quilos. Cassandra adquiriu uma doença nas cordas vocais quando trabalhava no telemarketing da instituição financeira, que a faz tirar seguidas licenças médicas. Sempre que volta de uma delas, é a mesma ladainha: “Estava de férias?”, “Que vida boa, hein?” ou “Adoraria ter sua doença para ficar recebendo sem trabalhar”. Atualmente afastada, Cassandra não vê a hora de voltar à ativa. “Não aguento mais ficar em casa, preciso sustentar meu filho”, diz.
Bandeira de luta
O fim do assédio moral é uma das principais bandeiras de luta do movimento sindical bancário. Este ano, por exemplo, a categoria voltou a incluir cláusula sobre o tema na minuta de reivindicações entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). No Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, os trabalhadores já conquistaram, em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), a instalação de comitês de ética para combater a prática e outros tipos de condutas nocivas no ambiente de trabalho.
No BB, já foram realizadas eleições em todos os estados e no Distrito Federal para a escolha dos representantes dos bancários nesses comitês. Na Caixa, os bancários estão em negociação com a empresa para a definição de atuação dos grupos.
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aqui a íntegra da reportagem.
Da redação do Seeb Brasília, com informações da revista IstoÉ