“A quem interessa a desregulamentação do sistema financeiro? A quem se locupleta com ele!”
CUT Nacional, Contraf e SEEB-SP
O secretário de Administração e Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, abriu nesta quinta-feira (29) a sua intervenção no Seminário “Regulamentação do Artigo 192 da Constituição Federal: Sistema Financeiro Cidadão”, defendendo a necessidade da “democratização do Conselho Monetário Nacional”, para que a sociedade fortaleça instrumentos de “controle social” sobre este setor estratégico da economia.
Painelista na mesa de debate “O Sistema Financeiro e o Desenvolvimento Nacional”, no evento promovido pelo Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) e pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Vagner denunciou “a ação monopolista e anti-desenvolvimentista da meia dúzia de famílias do Brasil e do estrangeiro que detém o controle da banca privada no país”. “A quem interessa a desregulamentação do sistema financeiro? A quem se locupleta com ele”, sublinhou o dirigente cutista, conclamando a centena de lideranças sindicais e da sociedade civil presentes ao auditório da Fecomercio-SP a “ampliarem a pressão sobre o Congresso Nacional para aprovar uma proposta de regulamentação que contemple os interesses do setor produtivo, de trabalhadores e empresários, da sociedade diversificada que quer normas e diretrizes para progredir, para que o país não seja o paraíso dos bancos”.
Afinal, garantiu Vagner, “não é possível um projeto nacional sem um sistema financeiro efetivo, que contribua para o crescimento da oferta e para o barateamento do crédito, que seja indutor do desenvolvimento, da valorização do trabalho, da geração de renda”.
Ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Vagner Freitas lembrou que diante da crise internacional, “quando houve necessidade do país dar respostas rápidas, financiando o desenvolvimento, os bancos privados demonstraram que não são parceiros”, pois estão sempre mais preocupados com a manutenção de “altas taxas de lucratividade” do que com o destino da nação. “Houve uma diferença clara na conduta. Se não fosse o setor público não teríamos nenhum financiamento para sair da crise. A receita que os bancos privados queriam adotar era mais do mesmo: defendiam as mesmas medidas que causaram a crise. Ficou para o Banco do Brasil e para a Caixa Econômica Federal ofertarem o crédito”, ressaltou.
Para o dirigente cutista, hoje, como bem demonstram as intervenções no Seminário, “há uma grita nacional por mudanças, de questionamento à manutenção de uma lógica que entrega aos bancos privados o filé enquanto o setor produtivo é penalizado”.
Vagner condenou ainda a proliferação de postos de atendimento que “fazem a função de bancos” para elevar a lucratividade dos banqueiros: “atuam de forma precarizada, ofertam péssima qualidade de serviços e colocam em risco a segurança da população e dos trabalhadores a quem exploram”.
O presidente do Sinal, Sérgio da Luz Belsito, reiterou a compreensão de que o sistema financeiro deve ser um “propulsor do desenvolvimento nacional, do equilíbrio regional, da responsabilidade socioambiental e da defesa do consumidor bancário” e frisou que, para isso, “estamos unidos pela regulamentação do artigo 192”.
Entre outros palestrantes participaram do evento nesta quinta-feira Milko Matijascic, assessor técnico da presidência do IPEA; Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC); o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto de lei que regulamenta o artigo 192; Paulo Sabóia, presidente da CGTB-SP, e Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Durante o evento, o Sinal e o Ipea firmaram acordo de cooperação técnica com o propósito de realizar estudos conjuntos a fim de subsidiar a elaboração do projeto de lei que regulamentará o artigo 192 da Constituição Federal.
Isaac Sidney, procurador e secretário executivo do Banco Central, declarou que “devido à relevância do evento, o ministro Meirelles abriu sua agenda e estará presente ao seminário".
O presidente do BC abrirá os trabalhos às 9 horas desta sexta-feira, que contará ainda com duas mesas: “Inclusão bancária e responsabilidade socioambiental do sistema financeiro” e “Banco Central: Função de Estado, autonomia e controle social”.
Livro sobre sistema financeiro e desenvolvimento
Em comemoração aos 87 anos de sua fundação, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, junto com o Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Universidade Estadual de Campinas (Cecon-Unicamp), lança o livro Sistema Financeiro e Desenvolvimento no Brasil (do Plano Real à crise financeira), elaborado por sindicalistas bancários e economistas.
O lançamento ocorrerá durante o seminário Sistema Financeiro e Desenvolvimento no Brasil, que acontece no dia 10 de maio, a partir das 9h, no Hotel Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71, Centro). As inscrições são limitadas e devem ser feitas acessando o site do Sindicato.
Para o evento já estão confirmadas as presenças do jornalista Luis Nassif - que escreveu o prefácio do livro -, do professor titular da Unicamp Ricardo Carneiro, do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) e do presidente da CUT, Artur Henrique da Silva. Além dos autores que escreveram capítulos do livro: André Martins Biancareli, Giuliano Contento de Oliveira, Daniela Magalhães Prates, Maria Cristina Penido de Freitas, Maryse Farhi, Ana Carolina Tosetti Davanço, Luiz Cláudio Marcolino, Ana Tércia Sanches e Juvandia Moreira.
Transmissão ao vivo pela internet
A palestra aborda temas relacionados ao sistema financeiro brasileiro, como as perspectivas para o setor e a crise do capitalismo com dominância financeira, além da economia política das holdings. O livro que será lançado no dia 10 de maio traz também um balanço da abertura financeira e a integração do Brasil na economia mundial.
Há também um capítulo dedicado à análise do mercado de capitais brasileiro no período recente e o ciclo de crédito no período, sobre as formas alternativas de financiamento, como microfinanças, e outro com uma análise da atuação do Banco Central e a política macroeconômica adotada no Brasil, como o regime de metas de inflação.
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