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10 de Julho de 2009 às 11:32

Ergonomia é muito mais do que mobiliário adequado, afirma especialista

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O desenvolvimento tecnológico, principalmente a partir da década de 90, alterou profundamente o modo de organização do trabalho. Apregoava-se como um dos principais benefícios desse fenômeno a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos empregados, com a redução da jornada, por exemplo. Não foi o que se verificou. As mudanças no mundo corporativo vieram, e com elas a exigência de um profissional “super-homem”, constituído de um perfil que beira a idealização, com implicações nada saudáveis.   

A análise foi feita pelo professor Mário César Ferreira, do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), durante seminário sobre o tema ergonomia, realizado na quinta-feira, dia 2, na sede do Sindicato, numa parceria da entidade com a CUT/DF. “A nova economia concebeu um tipo de trabalhador com habilidades que estão muito além de suas capacidades, resultado direto das metamorfoses por que passaram as esferas organizacionais nas últimas décadas. É nesse contexto de grandes mudanças que ganham fôlego a noção e a importância da ergonomia”, avaliou Mário César, que há dez anos é estudioso do assunto.
 
Muito mais do que uma postura correta na frente do computador ou um mobiliário adequado, a ergonomia está relacionada, na sua essência, a um sentido mais amplo, à significação subjetiva que se dá ao trabalho. Em outras palavras, trata-se, segundo o especialista, de uma abordagem que leva em conta, necessariamente, a relação existente entre as pessoas e o contexto de trabalho, a própria produção, as contradições e os mecanismos individuais utilizados na mediação desse processo.

Isso significa dizer, por exemplo, que um ambiente marcado por assédio moral e pela pressão pelo cumprimento de metas, antigos conhecidos da categoria bancária, está fora do que rezam os preceitos da ergonomia. “O bem-estar no trabalho é o componente mais importante desse conceito. A quebra desse sentimento está na origem dos problemas enfrentados pelas pessoas afetadas por ambientes de trabalho hostis, quando a ideia de trabalho escapa ao seu conceito original”, avaliou.

Segundo ele, o trabalho se afasta da sua natureza quando, por exemplo, proporciona aborrecimentos, antipatia, aversão, desconfortos - sensações causadas principalmente pela falta de autonomia e liberdade do profissional na execução de suas tarefas. O estabelecimento, por parte das chefias, de prazos curtos e a imposição de controle do tempo também estão entre os fatores que causam esse mal-estar, explicou. 

Mário César destacou ainda que as consequências dessa ruptura são sentidas pelas empresas e pelos funcionários nas formas de ab-senteísmo, de acidentes, de lesões musculares (LER/Dort), de licenças-saúde, e no limite, de suicídio. A interligação entre condições adequadas de trabalho, por intermédio de políticas institucionais e práticas organizacionais, está na base de um ambiente saudável. “O ideal é ter como objetivo o bem-estar de todo o corpo funcional, superando a  perspectiva do economicismo, focada na remuneração. É a organização que tem que se adaptar ao perfil de quem trabalha, e não o contrário”, arrematou.

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