
A diretora do Sindicato Rosane Alaby (ao centro) media o primeiro painel, com as professoras da UnB Ana Liese e Lia Zanotta (ao microfone)
A desconstrução da velha mentalidade que vem definindo arbitrariamente ao longo do tempo os papéis sociais de homens e mulheres e que coloca o feminino em posição de inferioridade em relação ao sexo oposto é um dos principais desafios enfrentados pela sociedade na luta pela promoção da equidade de gênero.
Esse foi o centro das questões abordadas pelas professoras da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta Machado, do Departamento de Antropologia, e Ana Liesi Thurler, do Departamento de Sociologia, no evento Avanços e Desafios para a Promoção da Equidade, promovido pelo Sindicato nesta quinta-feira 5 em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8 de março).
O evento foi aberto pela secretária de Assuntos Parlamentares do Sindicato, Mirian Fochi, que destacou a constante preocupação da entidade em promover iniciativas como essa, que, além de marcarem a data, funcionam como um instrumento a mais para dar visibilidade às ações do movimento sindical bancário na busca por uma sociedade mais justa e igualitária o que passa necessariamente pela questão de gênero.
Lia Zannota, no primeiro painel, mediado pela diretora do Sindicato Rosane Alaby, fez um resgate histórico da condição da mulher ao longo dos últimos séculos, com ênfase no argumento de que está na cultura toda a estrutura que sustenta uma realidade de discriminação, estigmatização e violência contra o sexo feminino. Para ela, houve muitos avanços, mas uma mudança efetiva só acontecerá quando for desconstruída a mentalidade que serve como alicerce a todo esse arcabouço discriminatório.
Zannota defendeu ainda a adoção de políticas públicas como mecanis-mo de combate às desigualdades de gênero e, aliado a isso, a mobilização de homens e mulheres para reverter esse quadro. As conquistas não vêm naturalmente, frisou.
A professora Ana Liesi também relembrou fatos históricos ligados ao movimento das mulheres, abordou iniciativas do movimento sindical no trato com o tema e levantou a mesma tese de que a superação das desigualdades passa por uma postura crítica acerca da estrutura social construída para servir aos interesses dos homens.
BB e Caixa
Mirian Fochi, secretária de Assuntos Parlamentares do Sindicato, fala durante o segundo painel
O segundo painel contou com a exposição de representantes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil sobre as ações desenvolvidas nas duas ins-tituições a partir da adesão ao Programa Pró-Equidade de Gênero, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), ligada à Presidência da República.
Segundo Roseli Moraes, consultora no gabinete da presidência e coordenadora da Comissão Nacional do Programa Pró-Equidade de Gênero da Caixa, o banco aderiu ao programa em 2005, quando de imediato foi instaurada a Comissão. Dois anos depois, foram instauradas as Comissões Provisórias Pró-Equidade de Gênero e ocorreram a eleição e posse dos integrantes dessas instâncias.
Uma das ações de destaque da Caixa foi a publicação e a distribuição da cartilha Refletindo sobre a equidade de gênero a todos os empre-gados. O instrumento, disponível hoje na Universidade Corporativa Caixa na intranet, tem servido de incentivo à reflexão sobre a equidade de gênero.
Dentre as iniciativas que fazem parte do programa no Banco do Brasil, conforme destacou a diretora de Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental, Izabela Campos Alcântara Lemos, estão a inclusão do tema equidade de gênero na formação dos ges-tores, por intermédio do Programa Diálogos, de Desenvolvimento de Competências Gerenciais.
Além disso, o banco realizou pesquisa para diagnosticar as causas e possíveis barreiras que interferem no processo de ascensão profissional de mulheres no BB.
O evento foi encerrado com um coquetel, ao som da apresentação do grupo Nós, Negras (foto abaixo).

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