
Acompanhado por mais de 40 mil pessoas, o evento de encerramento das atividades do terceiro dia do FSM contou com a participação dos presidentes da Bolívia, Evo Morales; da Venezuela, Hugo Chávez; do Equador, Rafael Corrêa; do Paraguai, Lugo; e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema do encontro, histórico e inédito, foi a atual crise mundial e as alternativas de esquerda que estão sendo construídas na América Latina. Com discursos fortemente marcados por uma visão de mundo mais socialista, os presidentes enfocaram a luta do povo latino-americano contra o modelo neoliberal e todas as mazelas dele provenientes, e enfatizaram que esses povos não vão pagar pela crise produzida pelos países desenvolvidos.

O evento contou com a presença maciça de ativistas sindicais do mundo inteiro, além de estudantes, indígenas e da população de Belém. Rafael Corrêa, presidente do Equador, num discurso contundente que durou cerca de uma hora e meia, destacou a experiência motivadora daquele país, conhecida como socialismo do século XXI.
Já Hugo Chávez foi breve em suas considerações, contrariando seu histórico de longos discursos, o que foi motivo de observação por parte do presidente Lula, que o sucedeu nos debates. Evento histórico para a América Latina, esse encontro mostrou que os povos estão se unindo cada vez mais na construção de um mundo mais justo.
Bancários debatem sistema financeiro
Miguel Pereira, diretor da Contraf/CUT, durante oficina que debateu o sistema financeiro nacional
Bancários de todo o Brasil participaram também de debate sobre a regulamentação do sistema financeiro nacional e o impacto sobre a vida das pessoas de um modo geral. Com exposições de Miguel Pereira, diretor da Contraf, e Ana Carolina, economista do Dieese, a oficina ratificou a perspectiva de regulamentação do artigo 192 da constituição federal que trata sobre o tema. O debate contou com intervenção do diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, Jeferson Meira, que denunciou a postura de repressão de alguns gestores que usam o momento de crise para ameaçar os trabalhadores. Os representantes dos bancários ali presentes se comprometeram a implementar a luta urgente por essa regulamentação.
Também ocorreu ontem pela tarde, e contou com a presença dos bancários de Brasília, o Fórum Sindical Mundial, organizado pela CUT, UGT, Força Sindical, CSA, CSI e central Belga. Os debates focaram nas atuais crises (econômica, energética e alimentar) e destacaram a necessidade dos trabalhadores de estarem unidos para o desafio diante do quadro atual, que prima pela incerteza em relação aos direitos dos trabalhadores.
Artur Henrique, presidente da CUT, trouxe dados que expõem a irresponsabilidade de empresários que tentam descontar nos trabalhadores o medo da crise, mesmo sem sofrer ainda efeitos diretos do fenômeno. Expôs a necessidade de busca de alternativas que minimizem tais efeitos no momento. Denunciou ainda que empresas como a Vale e Itaú-Unibanco, mesmo depois de exorbitantes lucros registrados no ano anterior, estão usando a crise para demitir ou tentar estreitar os direitos dos trabalhadores. Convocou também todos os sindicatos para, no dia 11 de fevereiro, realizarem manifestações pelo Brasil e que terá como tema "Querem lucrar com a crise. A classe trabalhadora não vai pagar essa conta".
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