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16 de Fevereiro de 2011 às 13:06

Em defesa do salário mínimo, CUT critica abismo entre lucro de bancos e de empresas e a pequenez da massa salarial

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O presidente do Sindicato, Rodrigo Britto (segundo da dir. para a esq.) durante a sessão

O presidente da CUT, Artur Henrique, criticou na tarde desta terça, durante sessão da comissão mista do salário mínimo realizada no plenário da Câmara dos Deputados, a brutal diferença entre os lucros dos bancos e das grandes empresas instaladas no país, que crescem velozmente, e o lento processo de recuperação da massa salarial no país.

 

O presidente cutista chamou dessa maneira a atenção do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a postura de grande inflexibilidade adotada pelo governo em relação ao salário mínimo, enquanto o mercado continua acumulando ganhos exponenciais sem sofrer enfrentamento.

 

Para demonstrar o “que está realmente por parte do debate do salário mínimo”, o presidente da CUT citou alguns dados durante sua intervenção de quatro minutos (um além do tempo estipulado pela mesa diretora da sessão).

 

“O Bradesco teve lucro de 10 bilhões de reais em 2010. O Santander, de 7 bilhões. A Caixa Econômica Federal, de 3,8 bilhões. As 327 empresas brasileiras com ações na bolsa de valores tiveram aumento de seus lucros na casa de 48, 5% em relação ao ano retrasado. Enquanto isso, a participação dos salários na renda nacional saiu de 40,5% no ano 2000 para 41,9%. Absolutamente um pequenino aumento. Só para comparar: em países como os Estados Unidos, a Suécia, a Itália e Portugal, a participação do trabalho varia de 67% a 72% da renda nacional”.

 

“O que está em jogo aqui é que nós estamos discutindo uma política de distribuição de renda, de combate à miséria, um projeto de desenvolvimento sustentável que muito depende de aumentos reais sucessivos para o conjunto dos salários”, continuou Artur, que insistiu, por duas vezes, no aumento para R$ 580.

 

Já o argumento, muito utilizado pelo governo Dilma nos últimos dias, de que o salário mínimo deve ser contido para não alimentar a inflação, também foi criticado pelo presidente da CUT. “Ora, não estamos vivendo uma inflação de demanda no Brasil. O que estamos vivendo neste começo de ano, como acontece em todos os anos, é o aumento do transporte público, das mensalidades escolares, e a especulação internacional sobre as mercadorias, em função do consumo puxado especialmente pela China” disse, para em seguida ironizar a inutilidade da alta taxa de juros básicos adotada pelo Banco Central para o controle de inflação: “Nossa Selic não vai combater o consumo de outros países”.

 

Artur encerrou a fala recorrendo ao novo slogan do governo federal, como forma de lembrar o descompasso entre as promessas e a postura adotada diante do salário mínimo pelo mesmo governo: “País rico é país sem pobreza. R$ 580 reais já. Correção da tabela do imposto de renda e política de valorização das aposentadorias”.

 

Visão fiscalista – Na abertura da sessão, o ministro da Fazenda admitiu abertamente que não pretende aumentar o salário mínimo para além dos R$ 545 para não suscitar “dúvidas” no mercado.

 

“Nós não temos condições do ponto de vista fiscal de aumentar mais o salário mínimo”, disse Mantega.  Insistindo na tese de que o mercado “desconfia que o governo vá realmente fazer o corte de R$ 50 bilhões”, anunciado recentemente, ele argumentou que se o concordar com um aumento maior para o salário mínimo, o risco de aprofundar ainda mais a desconfiança do mercado acabará se confirmando.

 

As críticas ao governo federal se sucederam. O deputado federal e presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, que pulou dos R$ 580 inicialmente defendidos pelas centrais para o valor de R$ 560, dirigiu-se a Mantega para mostrar que a reivindicação não pode ser considerada exagerada : “Isso são R$ 15 reais a mais por mês, senhor ministro. Isso representa R$ 0,50 por dia no bolso do trabalhador”, disse, mostrando uma moeda.

 

Wagner Gomes, presidente da CTB, atacou: “O que estamos pedindo aqui é um pouco do tratamento que vem sendo dado aos banqueiros. O que queremos, desenvolvimento ou especulação? Salário mínimo é pra milhões. Não é pra meia dúzia”.

 

Antonio Neto, presidente da CGTB, lembrou que “cada um real investido no SM acarreta R$ 0,56 para os cofres públicos”. E negou que a reivindicação das centrais signifique quebra de acordo, como insinuado antes por Mantega.


Fonte: CUT

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