Quando Dilma Rousseff (PT) tomar posse em 1º de janeiro de 2011, sábado, quebrará uma hegemonia masculina de 122 anos na condução do Brasil. Desde o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, com mandato iniciado em 15 de novembro de 1889, o país nunca havia sido governado por uma mulher. Chancelada com mais de 55 milhões de votos (56,05% do eleitorado) em todo território nacional, Dilma assume o Palácio do Planalto com a missão de dar continuidade às políticas sociais implementadas pelo presidente Lula. Trigésima sexta chefa de Estado, Rousseff teve como mote de campanha a necessidade de o Brasil continuar crescendo na economia com inclusão social.
Desenvolvimentista, Dilma citou em seu primeiro pronunciamento como presidenta eleita, na noite do domingo (31), seus compromissos de honrar as mulheres, valorizar a democracia e erradicar a miséria.
Quatro dias antes das eleições, Dilma escolheu o Teatro dos Bancários, na sede do Sindicato de Brasília, para lançar sua plataforma de governo para a área social. Com 13 compromissos e nove páginas, as ações propostas no documento têm como missão erradicar a miséria absoluta no Brasil. A iniciativa reforça os projetos sociais implementados durante os quase oito anos do governo Lula.
‘Mãe do PAC’
Economista, ex-ministra do governo Lula, de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma ficou conhecida por seu estilo durona. À frente da Casa Civil, a nova presidenta ganhou de Lula o apelido de ‘mãe do PAC’, em referência ao fato de coordenar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais marcas do governo Lula, com ações em praticamente todas as áreas, desde infraestrutura até segurança pública. Dilma também foi responsável pelo lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida.
Nascida em Minas Gerais, Dilma iniciou sua carreira política no movimento estudantil, em Belo Horizonte. Combateu a ditadura militar (1964-1985), o que a levou à prisão, onde sofreu tortura.
Após os anos de chumbo, Dilma reergueu sua vida em Porto Alegre, ao lado do ex-deputado Carlos Araújo, com quem era casada à época. Na capital gaúcha, participou da fundação do PDT de Leonel Brizola. Em 2000, deixou a sigla, junto com alguns trabalhistas históricos, como o ex-prefeito de Porto Alegre Sereno Chaise, e se filiou ao PT.
A presidenta eleita nasceu no dia 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte, em uma família de classe média alta. Filha da professora Dilma Jane Rousseff e do advogado búlgaro Pedro Rousseff, Dilma é mãe de Paula e avó de Gabriel.
Agnelo derrota Roriz e promete reconstruir Brasília
Assim como a vitória de Dilma, que venceu o candidato tucano José Serra, a eleição de Agnelo Queiroz (PT) ao Governo do Distrito Federal (GDF) é histórica. Ex-ministro do Esporte, Agnelo sepultou os planos de Joaquim Roriz, via Weslian (sua esposa), de retornar ao Palácio do Buriti. Eleito com exatos 875.612 votos (66,1%), Queiroz assume o Distrito Federal com o desafio de reerguer a saúde pública e concluir as obras inacabadas da gestão de José Roberto Arruda.
A vitória arrasadora de Agnelo – a maior votação proporcional já registrada em Brasília – representa a vontade dos eleitores do DF de moralizar a política local e reconstruir a saúde da capital federal, sucateada durante as gestões de Roriz e privatizada ao longo do governo Arruda.
Além do respaldo das urnas – com a vitória em 19 das 21 zonas eleitorais do DF – Agnelo conta com forte apoio político para governar o DF. No Senado, o petista contará com a chancela dos três senadores do DF: Cristovam Buarque (PDT), Rodrigo Rollemberg (PSB) e Gim Argello (PMDB). Na Câmara dos Deputados, Agnelo será apoiado por cinco dos oito deputados federais. Geraldo Magela, Erika Kokay, Paulo Tadeu, todos do PT, Reguffe (PDT) e Pitimam (PMDB) prometem dar sustentação política a Agnelo no Congresso Nacional. Na Câmara Legislativa Agnelo também tem maioria. Quinze dos 24 deputados distritais são da base governista.
Compromisso com os trabalhadores
Durante o seminário dos Funcionários do BRB, realizado em 31 de julho deste ano no Teatro dos Bancários, Agnelo Queiroz recebeu do Sindicado uma contribuição composta de 13 pontos para a gestão do BRB. Entre as propostas contam-se a defesa do BRB como instituição pública, a valorização de seu corpo funcional e sua utilização para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.
À época, Agnelo reafirmou sua preocupação em construir um programa levando em conta as discussões presentes nos vários setores da sociedade. “Acreditamos que o programa de governo não pode ser obra de uma pessoa só, de um iluminado. Por isso estamos nos reunindo com diversas organizações da sociedade civil, principalmente dos trabalhadores, para formatar nosso programa. São apartes como esse dos bancários que enriquecem e aprimoram a gestão. Tenham certeza que, depois da eleição, esse canal de diálogo entre nós deve permanecer e se intensificar”, observou Agnelo.
Apoio do Sindicato à Dilma e Agnelo não tira independência da entidade
Filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Bancários de Brasília apoiou Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz por entender que o projeto político dos dois candidatos eleitos está alinhado com a vontade dos trabalhadores: desenvolvimento econômico com inclusão social. Apesar do apoio, o Sindicato manterá sua postura de independência frente à demanda dos bancários. Não deixará de lutar e cobrar, nas esferas local e nacional, melhorias em prol da categoria e dos demais trabalhadores.
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília
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