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19 de Novembro de 2009 às 16:17

Dia da Consciência Negra (20) é lembrado com atividades culturais na Praça do Cebolão

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As desigualdades entre os negros e os não negros são um fato que ainda permeia a nossa sociedade. As diferenças econômicas, por exemplo, são frutos de um processo histórico marcado pela opressão, ao longo do qual os negros foram usados como mão de obra escrava e tiveram negados vários de seus direitos mais básicos. Várias mudanças aconteceram desde a abolição oficial da escravatura, mas as marcas desse longo período permanecem.

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Dados levantados pelo Dieese mostram que o segmento dos negros (incluindo os mestiços) que fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA) tem rendimentos de apenas 63,6% dos que ganham os não negros. Apesar de a população negra representar 60,6% das pessoas presentes no mercado de trabalho do DF, por exemplo, sua proporção no contingente de desempregados da região corresponde a 65,1% do mercado de trabalho. Os negros em situação de desemprego também passam por um período médio maior sem trabalho até obter a recolocação profissional. Para os negros, esse período é, em média, de 65 semanas, ao passo que para os não negros é de 61 semanas. A população negra empregada também sofre com os menores índices de emprego formal: 68,3%, contra 72,1% para os não negros. 


O Mapa da Diversidade, levantamento divulgado pela Febraban em julho de 2009, após pressão do movimento sindical, confirma as desigualdades. Segundo o Mapa, apenas 19,5% dos trabalhadores do sistema financeiro são negros ou pardos, ainda que estes representem, juntos, mais da metade da população brasileira. Estes trabalhadores recebem, em média, 84,1% do que ganham os trabalhadores brancos. Quando se trata das mulheres negras, a situação é ainda pior: apenas 8% delas trabalham nos bancos. No caso delas, o preconceito racial é sofrido juntamente com a opressão de gênero. As mulheres como um todo também são desfavorecidas no meio bancário. No primeiro trimestre de 2009, os salários das mulheres contratadas pelos bancos era 24,09 % menor que o dos homens.

Rosane Alaby, diretora do Sindicato e integrante da CGROS (Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual da Contraf-CUT), explica que também nesse aspecto, envolvendo a cor da pele, existem diferenças entre as instituições bancárias. “Nos bancos públicos, é mais difícil acontecer o racismo, pois a admissão e a ascensão dentro da carreira são feitas por concursos. Já nos bancos privados, a situação se complica, pois critérios subjetivos como a ‘aparência’ são levados em conta nas seleções e abrem brechas para a discriminação. Tanto é que é mais raro ver negros trabalhando nos bancos privados”, constata Rosane. 

A forma como o racismo se dá no ambiente de trabalho também varia muito de acordo com o lugar. É o que nos conta Paulo Henrique Almeida. Ele trabalha no Banco do Brasil há 22 anos. Natural do Rio Grande do Sul, vive em Brasília há cerca de oito anos. “No Rio Grande eu passei por algumas situações de preconceito. No ambiente de trabalho, já recebi alguns olhares diferenciadores. Isso tem a ver com o fato de o Rio Grande do Sul ser um estado com maioria da população branca. Já aqui no Distrito Federal há mais miscigenação, então as coisas são mais tranquilas”, conta ele.

A história do Dia da Consciência Negra

No dia 20 de novembro será lembrado o 314º aniversário de morte de Zumbi dos Palmares. Zumbi lutou até a sua morte contra a dominação da Coroa Portuguesa no Brasil, e é lembrado como um líder e herói da luta dos negros contra a opressão e a desigualdade. Justamente por isso, decidiu-se celebrar na data de sua morte o Dia da Consciência Negra. Zumbi foi um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, uma comunidade autônoma e auto sustentada formada por negros que escaparam do horror das senzalas. Em seu auge, o Quilombo dos Palmares chegou a ter mais de trinta mil pessoas.

Para marcar a data, a Fundação Cultural Palmares, em Brasília, promoverá neste dia 20 uma série de eventos, a partir de meio-dia, na Praça do Cebolão, no Setor Bancário Sul. Entre as atividades, estão previstos jogos de capoeira, apresentação de religiões de origem africana e distribuição de acarajé.

A iniciativa da comemoração do Dia da Consciência Negra no aniversário de morte de Zumbi partiu do poeta gaúcho Oliveira Silveira, há cerca de 30 anos. Antes disso, a data comemorada era o 13 de maio, dia da abolição da escravidão. Esta data, entretanto, vem perdendo espaço para a comemoração em novembro, em parte graças a uma melhor compreensão do processo que resultou na abolição da escravidão. Esta, ao contrário do que alguns imaginam, não se deveu à bondade da Princesa Isabel, e sim a contingências históricas e econômicas daquele momento.

Como se sabe, a simples abolição da escravatura não foi suficiente para melhorar a condição dos negros na sociedade brasileira da época. Muitos dos problemas enfrentados pelas populações negras no Brasil persistem até nossos dias, e se refletem tanto em dados estatísticos quanto no preconceito ainda sofrido por esses brasileiros e brasileiras.

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