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26 de Janeiro de 2011 às 17:37

Correioweb: assédio moral crescente leva bancários a fazer acordo com patrões

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Sindicalistas e entidades de bancos firmam compromisso de monitorar prática indesejável. No Distrito Federal seis denúncias por semana são registradas, segundo sindicato

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) assinam em São Paulo, nesta quarta-feira, um acordo para combater um mal chamado assédio moral, que vem se tornando constante em agências bancárias em todo país. A partir da iniciativa, um canal de comunicação será criado para informar qualquer denúncia que caracterize a prática.

De acordo com levantamento que originou o acordo, oito em cada dez funcionários de bancos no Brasil reconhecem que o assédio moral é o maior problema que enfrentam no trabalho. A pesquisa foi realizada com 1.203 bancários em junho do ano passado. Para a grande maioria, o combate aos abusos dos chefes é a ação mais importante a ser promovida por empresas e sindicatos. Assédio moral é todo comportamento que gera no empregado desconforto com sérios reflexos psicológicos.

No caso dos bancos, o problema pode nascer com exigências de trabalho severas e acarretar até em ameaças de demissão.

Longe de ser isolado a regiões do país, o assédio moral também preocupa a categoria no Distrito Federal. O sistema de ouvidoria Saúde Sentinela, do Sindicato dos Bancários do DF – filiado ao Contraf –, tem registrado uma média de cinco a seis denúncias de bancários reclamando de maus tratos, ofensas e assédio moral no ambiente de trabalho.

“Apenas de uns três anos para cá que os bancos têm reconhecido o assédio (moral) em suas agências ou pelo menos têm se pronunciado a respeito. Das denúncias que chegam ao sindicato, cerca de 5% viram processos judiciais, pois os bancários têm medo de arriscar o emprego”, conta o secretário de assuntos jurídicos do sindicato, Rafael Zanon . Segundo ele, há quatro anos as denúncias de assédio moral aumentaram no DF. Mas ele faz questão de frisar que isso não quer dizer que o assédio aumentou. Para Zanon, os bancários estão mais conscientes da gravidade desse problema e de seus direitos.

“Depois que os sindicatos começaram a pressionar os bancos e a Justiça do Trabalho tem condenado bancos por assédio moral, as empresas têm se dado conta do sofrimento dos trabalhadores. Um acordo entre sindicatos e instituições financeiras também é bom para os bancos porque, para eles, a imagem institucional não pode ser abalada.”

O presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 10ª Região (DF/TO), Gilberto Augusto Leitão Martins, afirma que os bancos respondem por quantidade considerável de processos judiciais por assédio moral. “Existe hoje uma disputa por resultados comerciais muito grande entre os bancos e isso tem gerado muitas imposições das direções dessas instituições. Muitas que descambam para o assédio moral junto aos funcionários para que eles tenham uma produtividade sempre elevada.”

Martins considera que, acordos como esse entre Contraf e Fenaban, se bem estruturados, podem reduzir o número de denúncias de assédio moral que vão parar na Justiça.

Fonte: Cristiano Zaia - CorreioWeb

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