
Consolidada como a legenda mais votada do país em 2010, o Partido dos Trabalhadores (PT) comemorou nesta quarta-feira 10, na sede do Sindicato dos Bancários de Brasília, seu 31º aniversário com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff. A celebração foi marcada pela recondução de Lula ao cargo de presidente de honra do PT, posto ocupado por ele de 1995 a 2002, quando foi eleito pela primeira vez ao Palácio do Planalto. Ao final da cerimônia, que lotou os 474 lugares do Teatro, o ex-líder sindical e Dilma apagaram as velas e partiram o bolo confeitado com estrelas vermelhas.
Em seus quase 38 minutos de discurso, Lula fez uma retrospectiva de sua trajetória política e enalteceu com orgulho o fato de ter participado da construção do Partido dos Trabalhadores. “Não há registros na história de que um partido com apenas 20 anos tenha chegado ao poder. Conseguimos fazer história. Nós fizemos mais do que (previam) os (dois) programas de governo”, disse Lula sob o coro “olê, olê, olé, olá, Lula, Lula”. O ex-presidente lembrou ainda as conquistas do movimento sindical. “Nunca tivemos uma relação de construção conjunta”, completou, se referindo à relação entre os sindicalistas e o governo no passado. Apesar do tom festivo, o ex-presidente destacou que o momento é de reflexão. “Ainda precisamos fazer com que o povo brasileiro ocupe espaço na cidadania”.
![]() | Veja trechos do discurso de Lula no aniversário de 31 anos do PT |
No seu 40º dia como ex-presidente da República e no primeiro evento em Brasília após passar a faixa para Dilma, Lula criticou a imprensa por insinuar que ele estaria com ciúmes de Dilma. Para Lula, isso é obra de gente “metida a formadores de opinião”. “Essa gente metida a ser formadores de opinião não entende nada de psicologia. Sou governo tanto quanto qualquer companheiro que está no governo. O sucesso da Dilma é o meu sucesso. O fracasso da Dilma é o meu fracasso”.
Operário virou presidente
O ódio e a inveja despertados pelo PT, segundo Lula, se dão em função de o partido fazer operário virar estudante e operário virar presidente da República: “O PT fez operário virar estudante, fez operário virar presidente da República, virar presidente da Câmara, virar deputado, virar senador. É por isso que despertamos inveja, é por isso que despertamos ódio.”
Na avaliação de Lula, “nunca antes na história desse país alguém tenha feito o que nós fizemos”.
Lula ainda falou sobre a relação de respeito mútuo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e agradeceu o apoio recebido pela central durante a crise enfrentada por seu governo em 2005. “Fiquei muito emocionado quando criaram o adesivo: mexeu com Lula, mexeu comigo”. Sobre o escândalo do mensalão, Lula classificou a crise como um dos episódios mais infames da nossa história.
Dilma
Ao lembrar a história de lutas da presidenta Dilma, que foi torturada durante a ditadura militar (1964-1985), Lula observou que ela não guarda rancor e ódio de ninguém, ao se referir ao período (1970-1972) em que Dilma foi presa e torturada em São Paulo. E que a mulher é tão ou mais competente que o homem. “A inteligência não é medida pelo sexo, e sim pela massa encefálica.”
José Alencar
Emocionado, Lula lembrou que o ex-vice-presidente José Alencar foi um dos melhores vice-presidentes da história. Na quarta-feira (9), Alencar voltou a ser internado da UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, depois de uma inflamação causada por uma perfuração no intestino. “Não sei em que momento da história alguém teve um vice como eu tive. Amanhã (sexta) vou passar lá para ver ele outra vez e acho que quem puder tem que visitar o Alencar”.
Antes do discurso de Lula – encerrado sob o coro “partido, partido, dos trabalhadores” – o presidente do PT, José Eduardo Dutra, fez um breve resumo da história da legenda, marcada pelo preconceito. “Não foram poucas vezes que sofremos isso. Mesmo assim, conseguimos vencer e nos consolidamos como o partido mais votado nas eleições de 2010”, afirmou. De acordo com Dutra, o grande desafio da legenda, encampado pela presidenta Dilma, é a erradicação da miséria. “Com certeza vamos superar mais este desafio”, destacou ele, ao lembrar que a presidente citou a promessa de extinguir a miséria absoluta no Brasil durante seu governo logo no primeiro pronunciamento como eleita e também em sua posse.
Em 27 de outubro de 2010, a então candidata à Presidência da República Dilma Rousseff escolheu o Teatro dos Bancários, na sede do Sindicato de Brasília, para lançar sua plataforma de governo para a área social. Com 13 compromissos e nove páginas, as ações propostas no documento têm como missão erradicar a miséria absoluta no país. A iniciativa reforça os projetos sociais implementados durante os oito anos do governo Lula.
Homenagem dos bancários
Depois dos parabéns em comemoração aos 31 anos do PT, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) prestou uma homenagem ao ex-presidente Lula. A placa, que enaltece os avanços alcançados durante seus oito anos de governo, sobretudo a consolidação da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários, foi entregue pelo presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, pelo secretário-geral, Marcel Barros, pelo presidente da CUT, Artur Henrique, e pelo secretário de Organização da CUT e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Jacy Afonso.
Carlos Cordeiro e Artur Henrique entregam placa da Contraf-CUT a Lula
Logo após receber a homenagem, Lula agradeceu aos bancários pela placa, que traz os seguintes dizeres: “Ao companheiro Lula, nos orgulhamos pelos avanços e pelo modelo mais justo de país que construímos nos últimos oitos anos, durante os quais você comandou nosso país. Além de diversas conquistas para os trabalhadores, nós bancários consolidamos nossa Convenção Coletiva de Trabalho graças ao modelo de gestão que privilegiou o diálogo e a participação de todos”.
Ao final do ato comemorativo, Lula, Dilma, Marisa Letícia (ex-primeira dama) e José Eduardo Dutra apagaram as velas e partiram o bolo de aniversário do PT e, na sequência, foram cumprimentados por autoridades e militantes.
Visivelmente mais magra, Dilma não discursou. Apesar da nova silhueta, a presidenta não hesitou em provar um pedaço do bolo confeitado com glacê e recheado com nozes e doce de leite, e que foi bastante disputado pelos militantes que tiravam fotos com o ex-presidente e com Dilma. Além dos convidados que lotaram o Sindicato dos Bancários de Brasília, militantes e populares assistiam atentos ao discurso de Lula em um painel de led montado na área externa da entidade.
Além de Dilma e Lula, a cerimônia, que teve forte aparato de segurança, chegando a fechar os acessos à sede do Sindicato, contou com a presença dos ex-presidentes do PT Rui Falcão, José Dirceu, José Genoíno, Ricardo Berzoini, Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia. Também estiveram no ato comemorativo 17 ministros petistas, os governadores Jaques Wagner (BA), Agnelo Queiroz (DF), Marcelo Déda (SE), Tião Viana (AC) e Eduardo Campos (PE), filiado ao PSB, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, representando todos os prefeitos da sigla, além de deputados federais, estaduais e distritais e senadores.
Rodrigo Couto
Do Seeb Brasília
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