Real, forte e incômodo. É assim que Estamira, longa metragem escolhido para o Cineclube dos Bancários da última segunda-feira, 3 de maio, pode ser definido. O documentário realizado pelo fotógrafo e documentarista Marcos Prado retrata a realidade social marginalizada dos lixões de forma chocante e viva.
Como é tradicional dos Cineclubes, um debate sobre a sociedade de consumo e direitos humanos aconteceu após o documentário. A conversa analisou o contexto dos lixões no DF, além de formas viáveis de se tratar o lixo dentro do distrito federal. Contou, para isso, com as contribuições de Jaques de Oliveira Penna, ex-presidente do Sindicato dos Bancários e atual presidente da fundação Banco do Brasil, além de dez representantes de cooperativas de catadores de lixo do DF.
De acordo com Ronei Alves da Silva, presidente da Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do Distrito Federal – o Ceentcoop/DF, cerca de 2.400 toneladas de lixo são produzidas por dia no Distrito Federal e que, apesar das dificuldades, hoje os catadores conseguem retirar 4 mil toneladas de lixo por mês. Mas ressalta que a falta de políticas públicas prejudica o trabalho das cooperativas: “Mesmo que alguns moradores se organizem para separar seus lixos, às vezes não compensa financeiramente ir buscá-los” diz Ronei. “Nós realizamos um papel do estado sem a ajuda dele”.
O tema também traz à tona a questão ambiental sobre os lixões. O convidado Jaques Penna lembrou como os lixões a céu aberto podem contaminar lençóis freáticos, além de não realizarem coleta seletiva do modo correto. “Sem uma separação entre o lixo e o solo, o chorume (liquido poluente proveniente do lixo) se infiltra nos veios de água que acabam nos mares e rios”, diz. Criticou, ainda, a origem desse lixo que vem “do nosso modelo de consumo despreocupado com o meio ambiente”.
O Cineclube dos bancários acontece toda segunda-feira às 20hs e é aberto ao público. O próximo filme, no dia 10, é Verônica.
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