A saúde das bancárias e dos bancários volta ao centro da Campanha Nacional 2026 nesta terça-feira (21), quando o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizam mais uma rodada de negociação. O encontro ocorre em meio a um cenário alarmante de adoecimento da categoria, que lidera o ranking de afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Dados apresentados pelo Comando Nacional mostram que os trabalhadores do setor bancário respondem por cerca de 25% dos afastamentos por saúde mental registrados entre as categorias profissionais. Gerentes de contas, escriturários e caixas estão entre as ocupações com maior número de afastamentos, enquanto, em 2024, as doenças mentais e comportamentais passaram a representar mais da metade dos afastamentos previdenciários e acidentários da categoria.
Esse quadro é consequência direta de um modelo de gestão baseado na redução de pessoal, metas cada vez mais agressivas, pressão permanente por resultados, ameaças de descomissionamento, monitoramento digital e assédio algorítmico. Ao mesmo tempo em que os bancos ampliam seus lucros, cresce o adoecimento dos trabalhadores. Para se ter uma ideia, o lucro líquido conjunto dos maiores bancos saltou de aproximadamente R$ 51 bilhões, em 2012, para mais de R$ 127 bilhões em 2025.
Outro dado que reforça a gravidade da situação vem da Consulta Nacional dos Bancários 2026. O levantamento mostra que 40% das bancárias e bancários utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, entre maio de 2025 e maio de 2026.
Reivindicações da categoria
Na mesa desta terça-feira, o Comando Nacional defenderá uma série de medidas para enfrentar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre elas estão a proibição de retaliações contra empregados que participem de avaliações ou programas de saúde mental, a transparência nos algoritmos utilizados para avaliação de desempenho, o direito à revisão humana de decisões automatizadas e o combate ao monitoramento permanente que intensifica a cobrança por resultados.
A categoria também reivindica que as metas deixem de ser definidas unilateralmente pelos bancos e passem a ser negociadas coletivamente, respeitando as condições reais de trabalho. Além disso, exige o fim do chamado assédio algorítmico e limites para a gestão baseada em sistemas digitais.
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Da Redação
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