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7 de Julho de 2026 às 16:23

Cadê a responsabilidade social dos bancos?

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O Comando Nacional dos Bancários cobrou dos bancos, nesta terça-feira (7), durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional 2026, mais responsabilidade social diante do contraste entre os lucros recordes do setor e a contínua eliminação de postos de trabalho e fechamento de agências.

Com base em dados apresentados na mesa de negociação, a representação dos trabalhadores afirmou que o sistema financeiro caminha na contramão do mercado de trabalho brasileiro e exigiu a suspensão das demissões durante o processo negocial. A Fenaban, porém, rejeitou o pedido.

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram cerca de 93,3 mil postos de trabalho. Apenas no último ano, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil extinguiram, juntos, 15.331 vagas. No mesmo período, o setor reduziu em 42% sua rede de agências, com o fechamento de aproximadamente 9,5 mil unidades.

Para o Comando Nacional, esses números contrastam com o cenário nacional. Desde o início do governo federal, em 2023, o Brasil criou 5,17 milhões de empregos formais, alcançando recordes de trabalhadores com carteira assinada e as menores taxas de desocupação da série histórica, segundo o IBGE. Os representantes dos trabalhadores também destacaram que as dispensas promovidas por Santander, Itaú e Bradesco caracterizam demissões em massa, que, conforme entendimento da Justiça, devem ser precedidas de negociação.

Enquanto reduzem empregos e fecham agências, os bancos seguem registrando resultados expressivos. Somente em 2025, os cinco maiores bancos do país obtiveram lucro líquido de R$ 124 bilhões. Outro dado apresentado mostra que, entre 2015 e 2025, houve aumento de 49% nos contratos com correspondentes bancários.

Diante desse cenário, o Comando Nacional voltou a exigir a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante a Campanha Nacional, como demonstração de boa-fé nas negociações. A Fenaban recusou a reivindicação.

Demissões afetam principalmente as mulheres

O movimento sindical destacou que as demissões têm atingido de forma mais intensa as mulheres. Entre 2020 e maio de 2026, dos 25,5 mil postos de trabalho eliminados, 79% eram ocupados por mulheres. Além disso, entre 2024 e 2025, a participação feminina na categoria caiu de 49% para menos de 47%.

Para o Comando Nacional, os números comprometem os avanços obtidos na mesa de Igualdade de Oportunidades e evidenciam que os bancos concentram os ganhos de produtividade gerados pela tecnologia sem compartilhá-los com os trabalhadores. Como resposta, a representação da categoria reivindicou estabilidade no emprego para mulheres vítimas de violência doméstica e o fortalecimento das políticas de qualificação e requalificação em Tecnologia da Informação (TI).

Atendimento à população e outras reivindicações

O Comando também alertou para os impactos do fechamento de agências sobre o atendimento à população. Embora os canais digitais tenham crescido, em 2025 foram realizadas 7,2 bilhões de transações presenciais, média de 28,6 milhões por dia útil, demonstrando que o atendimento físico continua essencial, especialmente para idosos. Os trabalhadores também solicitaram que a Fenaban apresente, em uma próxima reunião, os valores financeiros movimentados nas agências.

Entre as demais reivindicações estão o fim das terceirizações nas atividades bancárias, o retorno das homologações das rescisões nos sindicatos, indenização adicional em caso de demissão e a criação de um banco de talentos para bancários.

Na tentativa de rebater os argumentos do movimento sindical, a Fenaban informou que 236 instituições financeiras registraram retorno sobre patrimônio (ROE) negativo. Ao final da rodada, a entidade rejeitou os pedidos de suspensão das demissões e do fechamento de agências, a estabilidade durante a negociação, a estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica e a indenização adicional.

Por outro lado, informou que avaliará o retorno das homologações nos sindicatos, o reforço das cláusulas de qualificação e requalificação em TI e a criação de um banco de talentos para bancários.

Para Rodrigo Britto, presidente do Sindicato e da Fetec-CUT/CN e que integra o Comando Nacional, "as negativas da Fenaban representam enorme ausência de responsabilidade social por parte dos bancos, que colocam sua ganância em primeiro lugar em detrimento dos seus clientes, usuários, bancários e, em especial, das bancárias".

O Comando Nacional reafirmou que continuará defendendo essas reivindicações nas próximas rodadas de negociação da Campanha Nacional 2026.

> Em Dia Nacional de Luta, Sindicato reforça mobilização em defesa do emprego e dos direitos da categoria bancária

Da Redação com Contraf-CUT

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