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27 de Abril de 2010 às 16:56

'Brasília, Outros 50' cria contraponto à festa oficial da cidade

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A diversidade cultural da Capital Federal e do Entorno foi representada por quase dois mil artistas na programação do Brasília, Outros 50, que aconteceu nos dias 20, 21, 22 e 23 de abril. A festa foi uma iniciativa dos próprios artistas, organizados no Fórum de Cultura do DF, e contou com o apoio financeiro do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Enquanto a programação com os artistas locais se desenrolava na Funarte, abraçando linguagens diversas como o circo, o teatro e a música, o GDF promovia, na manhã do dia 21, uma parada da Disney, financiada pela Nestlé.

Durante o Brasília, Outros 50, houve mais de 50 horas de apresentações de música, teatro, cinema, circo, artes visuais, artes digitais, poesia, dança e outras manifestações artísticas.  O Complexo Cultural da Funarte permaneceu lotado durante todos os dias da festa.

A programação musical contou com artistas como Célia Porto, Móveis Coloniais de Acaju, Detrito Federal, Tijolada Reggae, dentre outros artistas e grupos locais. Como convidados desses, participam os vocalistas Frejat (Banda Barão Vermelho), Marcelo Yuka (F.U.R.T.O), Marcio Macena (Maskavo Roots), Egypcio (Tihuana), Alexandre Carlo (Natiruts), Fernando Anitelli (Teatro Mágico) e Marcelo Falcão (O Rappa).

Na noite do dia 21, data do aniversário de Brasília, o clima de contestação da festa foi completado pela ocupação do prédio construido para sediar a Câmara Legislativa do DF, no SIG. A construção foi ocupada por um grupo de cerca de 80 manifestantes, em sua maioria estudantes, que reivindicaram a anulação das eleições indiretas que elegeram Rogério Rosso (PMDB) e a revogação do PDOT, entre outras pautas. Mesmo trabalhando no Brasília Outros 50, o rapper GOG apareceu na ocupação para prestar solidariedade aos manifestantes. Ele também interveio nos palcos durante a festa, falando sobre a ocupação para aqueles que comemoravam o aniversário da cidade.

Outro destaque foi o Palco Hip Hop, com 250 artistas representativos do Rap, Grafite, DJ e Break. “Pela primeira vez esta cultura, que representa grande parte dos anseios e lutas da juventude urbana das periferias do Distrito Federal e Entorno, está inserida tanto na concepção quanto na apresentação do aniversário da Capital”, destaca o rapper GOG.

“[Este evento] é muito importante, porque é uma iniciativa dos artistas da cidade, pessoas que estão livres para pensar os 50 anos de Brasília. Principalmente porque é um período de crise, e não estamos de acordo com toda essa corrupção, com tudo isso. É por isso que esse evento é essencial. [Sobre as comemorações do GDF], a gente já esperava todo esse oficialismo, sempre deturpado, e que não tem nada a ver com a cultura brasiliense – que foi alijada da programação ofical. As pessoas que estão na administração deveriam ter se tocado e feito uma programação à altura dos 50 anos da cidade.“, comentou o documentarista brasiliense Vladimir Carvalho, que foi homenageado na apresentação do Cinematógrafo Voador, parte da comemoração.

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