Os bancos públicos estão demonstrando a sua importância como instrumento do Estado brasileiro em defesa dos interesses maiores da sociedade. Ao lado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) lideram as principais iniciativas de combate aos efeitos da crise mundial no Brasil, sobretudo a partir da expansão do crédito, em prol do aquecimento da economia e da preservação/geração de empregos.
Além de oferecerem o combustível para fazer girar a roda da economia, os bancos públicos têm atuado também para baratear o custo pago nas duas pontas, por quem produz e por quem consome, por meio da compressão das taxas de juros. De quebra, injetam ânimo no sistema financeiro nacional, forçando os demais bancos a saírem aos poucos da toca em que covardemente se meteram, para fugir da tempestade que eles próprios criaram.
São os bancos públicos dando o tom e ditando o ritmo da atuação do sistema financeiro nacional. É como a "volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar". Ou como o patinho feio que reencontrou o seu destino como cisne. A cantilena neoliberal do Estado mínimo sobrepujado pelo Deus mercado perdeu a aura de verdade absoluta e não consegue mais se impor como discurso da modernidade.
A capacidade de organização e de mobilização da categoria bancária, em âmbito nacional, foi fator determinante na luta pela preservação da base estrutural do sistema financeiro público, alicerçada nos bancos federais. A luta dos bancários e bancárias sensibilizou a sociedade a impor limites à destruição do seu patrimônio. Não fosse assim, o desmonte dos bancos federais – BB e Caixa à frente – teria sido levado às últimas conseqüências na chamada era FHC, tendo como desdobramento a privatização.
É difícil imaginar o Brasil de hoje enfrentando uma crise da dimensão desta que está aí, talvez a maior de todos os tempos, sem o respaldo do Banco do Brasil e demais instituições financeiras federais. Estaríamos, possivelmente, sendo forçados a pensar em estatização de bancos, dilema que no momento se impõe ao coração e à alma do capitalismo globalizado, sobretudo nos Estados Unidos da América e na Comunidade Econômica Européia.
Mas que ninguém se iluda imaginando que o paraíso é aqui e que não faz mais sentido a luta em defesa dos bancos públicos, por terem estes se tornado imunes a novos ataques. Pode ser que não sejam mais atacados com as mesmas armas e a mesma estratégia de antes, mas está aí o fenômeno já identificado e batizado como "bradescalização" a manter viva, se não a ameaça de privatização nos moldes conhecidos, a ameaça de desfiguração do papel que de fato compete às instituições financeiras públicas. Por isso, os bancos públicos têm que acentuar suas ações, efetivando o barateamento e a consequente expansão do crédito.
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