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20 de Janeiro de 2011 às 15:09

Bancários recém-contratados recebem salários 38% menores que os dos antigos, diz Dieese

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Apesar dos importantes avanços conquistados na Campanha Nacional 2010 – aumento real no piso e inclusão na Convenção Coletiva, pela primeira vez, de cláusula sobre assédio moral e segurança –, os bancários de bancos privados recém-contratados receberam, em média, no ano passado, salários 38% menores que os dos antigos. O dado expõe uma prática que vem sendo cada vez mais adotada pelas instituições financeiras particulares: demitir para depois recontratar com remuneração mais baixa. A conclusão é de levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que analisou informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego, de janeiro a novembro de 2010.

Mesmo com a equivocada estratégia dos bancos de reduzir a massa salarial dos bancários, o saldo de empregos foi positivo em 2010: 53.025 admissões contra 31.249 desligamentos. Nas regiões onde houve mais contratações também foram registrados mais desligamentos. Em primeiro lugar, aparece o Sudeste, com 36.330 admitidos e 21.636 demitidos. Em seguida, o Centro-Oeste, que teve 4.086 contratações e 2.134 desligamentos. No Distrito Federal, foram 1.643 admissões e 1.118 demissões.

O saldo positivo de empregos esconde uma prática adotada pelos bancos que desvaloriza o trabalhador: os novos são contratados com salários inferiores aos dos antigos. Do total de demissões (31.249), 49%% foram a pedido, seguido pelos desligamentos por demissão sem justa causa (42%). Os bancários desligados recebiam uma remuneração média de R$ 3.506, enquanto os proventos dos admitidos não passavam dos R$ 2.190.

Na contramão do rebaixamento dos salários, a categoria bancária conquistou reajuste no piso salarial de 16,33% (aumento real de 11,54%) e reajuste de 7,5% (aumento real de 3,08%) para quem ganha até R$ 5.250.

raphael_brasileiro

Raphael Brasileiro

Trunfo

O bancário do Itaú Unibanco Raphael Brasileiro foi um dos que se beneficiaram com o acordo coletivo de 2010/2011. Contratado em 2008, Brasileiro teve seu piso reajustado bem acima da inflação. “O aumento do piso teve um impacto positivo direto no meu salário. Além disso, conseguimos aumento no auxílio-alimentação. Os sindicatos são o grande trunfo da categoria para conseguir melhores condições de trabalho e mais valorização”, afirma.

“Contratações e questões de valorização da categoria foram temas centrais da nossa campanha de 2010. Conseguimos fazer acordos com os bancos e avançar em alguns pontos, apesar de ainda não ser o ideal. Em 2011, ainda há muito para ser revisto pelos patrões”, observa Eduardo Araújo, presidente interino do Sindicato e funcionário do Banco do Brasil.

As informações obtidas pela reportagem são preliminares. Em fevereiro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) divulgará a íntegra da pesquisa do Dieese.

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