Os bancários comparecerão em peso na 6ª Marcha da Classe Trabalhadora neste11 de novembro. As categorias unidas caminharão pela Esplanada dos Ministérios para exigir dentre outras questões, a redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários, e o aumento do valor das horas extras.
São esperadas cerca de 40 mil pessoas na marcha, de acordo com a CUT Nacional, organizadora da atividade. Os participantes se reunirão às 9h no estacionamento do estádio Mané Garrincha e descerão até o Congresso Nacional. “A marcha é um instrumento muito importante de pressão. É o momento dos trabalhadores mostrarem sua força e exigirem providências dos parlamentares para aprovação de projeto de nosso interesse”, diz Rodrigo Britto, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.
A redução da jornada de trabalho promoverá uma melhora substancial da qualidade de vida dos trabalhadores, e também criará mais postos de trabalho. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) serão criados mais de 2 milhões de novas vagas de emprego com a diminuição da jornada, além de promover a melhora da distribuição de renda
Respeito ao Brasil e aos brasileiros
Após a marcha, os empregados dos bancos privados seguirão para o Congresso Nacional para conversar com os parlamentares e convencê-los a participar da luta dos trabalhadores do ramo financeiro. “Andaremos pelo Congresso para falar com os deputados e senadores para intercederem junto aos patrões para que nossas reivindicações sejam efetivamente cumpridas”, afirma Rosane Alaby, diretora do Sindicato.
O presidente da CUT, Artur Henrique, disse em entrevista coletiva concedida nesta terça que já estão confirmadas audiências com o presidente da Câmara, Michel Temer, para as 13h30. Com José Sarney, a audiência está marcada para as 15h30. "Temos convicção que vamos ter audiência com Lula, mas estamos apenas esperando confirmar a hora", afirmou.
Os bancários querem usufruir das conquistas arrancadas durante a Campanha Nacional, tais como a licença-maternidade de 180 dias (que depende do banco aderir ao Programa Empresa Cidadão) e o pagamento justo da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Os funcionários do HSBC também farão um ato para cobrar o pagamento digno da PLR, já que o banco classificou grande parte do volume do dinheiro emprestado no primeiro semestre como crédito duvidoso. Isso significa uma redução de R$ 2,1 bilhões para R$ 250 milhões a parte do lucro líquido a ser distribuída a título de PLR aos empregados.
Uma carta aberta será distribuída mostrando as principais exigências dos bancários do HSBC e a exploração sofrida por empregados e clientes do banco, que é líder no ranking de reclamações do Banco Central. “Sindicalistas de todo o Brasil estarão na marcha e contamos com a participação dos bancários do HSBC na nossa atividade depois da marcha”, ressalta Paulo Frazão, diretor do Sindicato.
Pelo direito de greve
Os trabalhadores realizarão também uma manifestação contra o uso do interdito proibitório. O ato será às 13h, em frente ao STF, e contará com a participação dos bancários, que esperam entregar aos ministros do Supremo um documento sobre o tema.
O interdito proibitório é um recurso jurídico usado originalmente para garantir a posse de propriedades. As empresas, especialmente os bancos, deturparam a função do instrumento e, aproveitando-se de brechas na lei, conseguem fazer uso de força policial nas agências e concentrações durante manifestações, greves e paralisações dos trabalhadores, apesar de esses serem direitos garantidos pela Constituição Federal.
Os interditos prevêem multas que podem chegar a R$ 1 milhão. Alguns proíbem a aproximação do Sindicato num raio de 200 metros dos locais de trabalho e outros prevêem até a apreensão de objetos e pessoas que estejam em frente aos bancos, admitindo para isso o uso de força policial.
Mobilização já começou
Mesmo sob a forte chuva que caiu na capital federal durante a tarde dessa segunda-feira (9), cerca de 300 trabalhadores cutistas deixaram claro que a semana não será fácil para quem vai contra os interesses do povo brasileiro.
Diante da sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), um grupo de manifestantes da Central que chegaram a Brasília quatro dias antes da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora se reuniram para repudiar a postura da entidade patronal, contrária à implementação do FAP (Fator Acidentário de Prevenção).
Com cornetas, balões, bandeiras da CUT, do Brasil e o grito de guerra "Reduz pra 40, que o Brasil aumenta", os manifestantes, na maioria metalúrgicos do Rio Grande do Sul e trabalhadores do setor de alimentação, agitaram a normalidade do sisudo edifício da CNI, no Setor Bancário Norte da capital federal. Esses militantes se anteciparam à data de realização da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora para realizar atos políticos de apoio às bandeiras da mobilização da próxima quarta, dia 11.
O Fator Acidentário de Prevenção entrará em vigor a partir de janeiro de 2010 e tem como objetivo contemplar com até 50% de desconto no SAT (Seguro de Acidente de Trabalho) as empresas que investirem em segurança de trabalho. Por outro lado, aquelas que não se preocupam em implementar políticas para diminuir o adoecimento dos trabalhadores, teriam elevação do pagamento. Assim, espera-se reduzir acidentes, mortes e adoecimentos causados pelo trabalho.
Por volta das 16h, dirigentes e trabalhadores utilizaram um caminhão de som para mandar um recado à Confederação. A CNI, embora tenha participado da elaboração do FAP, passou a criticá-lo pouco antes de a medida entrar em vigor. "Isso porque a indústria descobriu que é um dos setores que mais causam danos à saúde do trabalhador. Agora ficam pressionando o governo e o Congresso", denunciou o presidente da CUT, Artur Henrique.
"As empresas são responsáveis pelos adoecimentos, mortes e acidentes de trabalho, porque enquanto pressionam os trabalhadores diariamente, assediam moralmente e impõem metas inatingíveis, não investem em equipamentos de proteção e condições seguras", acrescentou Artur.
O dirigente lembrou que além do FAP, a redução da jornada de trabalho sem redução do salário, principal bandeira da Marcha em 2009, é fundamental para reduzir acidentes.
Fonte: Seeb-DF com Contraf-CUT
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