A manhã deste 22 de setembro, começou com muita expectativa e mobilização dos bancários da Caixa em frente ao hotel San Marco, no Setor Hoteleiro Sul, local da quarta negociação entre a direção da empresa e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). Os representantes patronais foram recepcionados com faixas demonstrando a indignação com relação às negociações que não avançaram até agora. Os dizeres resumem a dinâmica das negociações até o momento: “Negociação ou enrolação?”, “Sem reposta é greve”, “Caixa carrasca do Trabalhador”, “Trabalhei o ano todo, cadê minha PLR?”, “Balanço maquiado, empregado lesado" .
“Os bancários esperam alguma resposta concreta das negociações, mas já percebemos que há grandes chances de ser frustrada, já que a empresa tem mostrado descaso com seus empregados”, previa acertadamente Adilson de Souza, diretor da Fetec/CN.
A empresa tem usado artimanhas para tentar intimidar os bancários, mesmo que isso signifique descumprir o acordo coletivo firmado. Eles descontaram os dias da greve do ano passado. “Esse artifício não atrapalhou a mobilização dos bancários da Caixa que historicamente sempre lutaram por seus direitos. Se for decretada a greve sabemos que podemos contar com a adesão em massa dos bancários”, ressalta Romero Carvalho, diretor do Sindicato.
Depois do protesto em frente ao hotel, a ação seguiu para os prédios Matriz I e II da Caixa. Lá, enquanto a negociação ocorria, os bancários exigiam que as reivindicações fossem aceitas. Um dos grandes problemas na Caixa é falta de funcionários, a situação traz sérias consequências à saúde do bancário que trabalha sobrecarregado.
Os bancários que trabalham na retaguarda, RETPV, são exemplos de empreagados que trabalham mais que as duas horas extras regulamentadas e chegam até seis horas extras diárias, devido falta de funcionários. “A situação dos empregado de retaguarda nem faz parte da negociação de hoje. É inadmissível um bancário trabalhar até 12 horas diárias”, afirma Alexandre Severo, secretário de saúde do Sindicato.
O anúncio da contratação de 2.200 novos bancários é insuficiente. “A substituição dos funcionários terceirizados foi na proporção de três para um. Isso gera as enormes filas e problemas para a saúde do trabalhador que faz muitas horas extras diárias”, completa Alexandre.
Dossiê do caos na Caixa
Nesta quarta-feira, 23 de setembro, às 14h30 será formalizada a entrega do documento contendo os laudos das péssimas condições de trabalho dos bancários para a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Além disso, constam as assinaturas de aproximadamente 2.900 clientes e usuários que se sentem desrespeitados com a falta de estrutura oferecida pela empresa.
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