Contrariando os acordos assinados entre os bancos e os sindicatos para combater o assédio moral, verificou-se que essa prática de violência organizacional continua nos locais de trabalho. É o que aponta a pesquisa sobre clima organizacional realizada pelo Sindicato. Dos 428 bancários de bancos públicos e privados do DF que responderam à pesquisa, 31% afirmam sofrer assédio dos chefes e 53% dizem conhecer alguém que está nessa situação.
A pesquisa permitia que os bancários atribuíssem notas de 1 a 5 para avaliar questões sobre saúde e condições de trabalho, assédio moral, qualificação profissional e relacionamento com os colegas, entre outros pontos. Todos os itens críticos estão contemplados na pauta de reivindicações da Campanha Nacional e foram negados pelos bancos nas negociações realizadas até agora. Essas questões são tão importantes quanto as reivindicações econômicas e, por isso, são também motivos que levaram à deflagração da greve na terça-feira (27).
“Os bancários não suportam mais a rotina de metas abusivas e de cobranças diárias de superação de resultados, porém os bancos tratam com descaso as reivindicações dos trabalhadores e insistem em ampliar seus lucros recordes a qualquer custo”, afirma o diretor do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, Eduardo Araújo.
Ainda em relação ao assédio moral, 67% dos bancários afirmaram que seus chefes agridem ou ameaçam os subordinados em público, desrespeitando e constrangendo o trabalhador, e 43% dizem se sentir pressionados pelo seu superior o tempo todo. A maioria – 59% - também disse estar informada sobre as características e efeitos nocivos da prática.
Sobre saúde e condições de trabalho, 48% dos bancários disseram não haver condições para manter a postura física adequada e assim evitar danos à saúde. A mesma porcentagem diz que o ambiente criado pelos chefes prejudica a qualidade de vida dos trabalhadores. 41% também estão insatisfeitos com as tarefas que têm que realizar diariamente e 58% julga a quantidade de trabalho própria ou da equipe como inadequadas. Pessoas que realizam serviços que caracterizam desvio de função somam 50%.
A falta de interesse das empresas com a segurança dos bancários, clientes e usuários do sistema bancário também foi registrada na pesquisa. Segundo 43% dos trabalhadores, os bancos não demonstram preocupação em relação a essa área.
Qualificação profissional e relacionamento com os colegas
As piores avaliações registradas na pesquisa estão ligadas à relação com os colegas e superiores. Os bancários estão insatisfeitos com a gestão realizada nas unidades e dizem não confiar nos gerentes diretos ou indiretos, além de não reconhecer neles atitudes de um líder.
De acordo com a pesquisa, 53% acreditam que seus chefes não são as pessoas mais indicadas para as funções que ocupam; 49% acreditam que a estrutura hierárquica à qual estão vinculadas é inadequada; 42% afirmam que as regras usadas para punir os funcionários nem sempre são as indicadas pela empresa; e 43% acreditam que o ambiente de trabalho tem dificultado o desempenho das tarefas.
Aqueles que fazem valer o direito à greve se sentem ameaçados: 54% deles já se sentiram discriminados por defender seus direitos ou se juntar à paralisação, e 48% afirmam que os chefes só indicam para promoções funcionários “pelegos”.
A falta de qualificação adequada para realizar determinadas tarefas também é um problema para os bancários. A grande maioria, 64%, criticou a postura dos chefes de mandar os subordinados executarem trabalhos sem o treinamento adequado, e 61% acreditam que os cursos e treinamentos que já fizeram são insuficientes para o exercício de suas atividades.
“Os bancos querem profissionais altamente qualificados, mas transferem todo o custo dessa competência para os trabalhadores. Negam o reembolso de despesas com certificações profissionais como o CPA 10 e 20, além de exigir que os trabalhadores façam treinamentos fora do horário. Precisamos mudar essa história dos bancários custearem sua qualificação e ainda estarem, diariamente, com a cabeça na guilhotina e sem estabilidade no emprego”, completa o diretor do Sindicato Eduardo Araújo.
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